Terça-feira, 9 de Julho de 2013
A cultura no futuro das cidades

 

Introdução

Em primeiro lugar quero agradecer ao Elos de Tavira o convite, em especial à Dr.ª Isabel Dias, simpático para mim e arriscado para vós, para estar aqui convosco neste agradável jantar e melhor ambiente e partilhar algumas reflexões sobre este tema que tem a particularidade de juntar três palavras todas elas envoltas em algumas confusões e malentendidos e prometendo esforçar-me por não ser pessimista nem excessivamente sonolento, ou seja não dormirem já, nem ficarem deprimidos no final.

 

Porque escolhi este tema

A razão de ter escolhido este triplo tema reside nos factos seguintes: estarmos a viver uma época fantástica pois no último meio século a humanidade inventou, descobriu e melhorou inúmeras tecnologias que permitem o acesso aos vastos conhecimentos existentes e a comunicação entre toda a gente esteja ela onde estiver completando assim a globalização iniciada pelos portugueses no século XV e ainda o de a população mundial ter passado de 1 bilião antes de 1900 para cerca de 7 biliões agora simultaneamente com aumentos significativos da esperança de vida.

Globalização esta que conforme foi demonstrado matematicamente pelo Prof. Carvalho Rodrigues foi iniciada e atingida durante o século, ou quase, em que os portugueses dominaram os mares do mundo, descobrindo todos os continentes embora dois deles (América e Austrália) mal tratados pela História, ou pelo menos pelos nossos historiadores.

 

Além disto existe uma enorme quebra na biodiversidade, consubstanciada em milhares de espécies já desaparecidas e muitas outras em vias disso, em milhões de hectares de florestas destruídas, em aumentos da percentagem de CO2 na atmosfera e aumentos da temperatura média do planeta, para ser muito resumido e, além disto, estamos a meio (talvez já com o fim à vista) de uma crise que significa na verdade o fim do capitalismo liberal após cerca de 20 anos antes ter-se dado o fim do marxismo comunista, e curiosamente não resisto à tentação de acrescentar: porque essencialmente ambos pecaram pela ganância desmesurada dos detentores do poder, num caso político noutro financeiro, independentemente doutras causas sistémicas.

 

De acordo com as notícias do dia em que figuram números assustadores de algumas dezenas de contaminados com a gripe A parece que o combate a esta pandemia é o assunto mais importante mas não podemos esquecer alguns números muito expressivos indicados no relatório da Cruz Vermelha como sejam: cerca de 2,6 biliões de pessoas vivem com menos de 2 dólares podia e 50 000 morrem por dia por miséria extrema, a malária que os portugueses tinham conseguido erradicar nos seus territórios, mata anualmente um milhão de pessoas e por aí fora.

 

E ainda uma contradição de funestas consequências: a droga, que obriga os países mais desenvolvidos a combaterem os produtores gastando milhões, enquanto estes ganham milhões a vendê-la aos primeiros e usando o mesmo sistema financeiro internacional.

 

Estamos de facto num período de profundas alterações que vão pôr à prova as capacidades de sobrevivência de toda a humanidade e em especial das suas cidades.

 

Não podemos esquecer que o primeiro dever do ser vivo é viver e para isso é preciso sobreviver pelo que as duas forças essenciais da evolução humana foram, são e serão a luta pela sobrevivência e a luta pelo poder.

 

Para facilitar esta abordagem vamos ver, embora de forma muito sintética:

 

Como surgiram as cidades


Convém aqui recordar que a vida que existe na Terra, e que ao longo de milhões de anos se desenvolveu e que moldou pelo menos em parte a evolução da sua superfície, é em si mesma um milagre pois se imaginarmos um gráfico das pressões e temperaturas no universo, que variam ambas entre zero e milhões das respectivas unidades, se processa num minúsculo quadrado com apenas algumas dezenas destas unidades em cada lado.

O Homem desde há alguns séculos começou a ter influência no ambiente e assim que conseguiu agrupar-se e produzir mais do que consumia iniciou a construção de cidades onde se desenvolveram todas as civilizações conhecidas porque o desenvolvimento implica a existência de inúmeros especialistas das tecnologias conhecidas e a existência de massa crítica populacional só possíveis num ambiente urbano.

 

Na verdade a grande diferença da vida rural para a vida urbana reside no facto de só esta permitir a complementaridade dos especialistas e a convivência activa e produtiva entre os habitantes, assim facilitando a divulgação dos conhecimentos e o seu aproveitamento, isto é o desenvolvimento de uma Cultura correspondente à sua identidade e que com ela inter-age.

 

Verificou-se ao longo da História que muitas cidades nasceram, cresceram e desapareceram sendo neste caso substituídas por outras, atingindo-se agora um número elevado de cidades com vários de milhões de habitantes cada, que precisam de receber do exterior praticamente tudo o que lhes é necessário para viver, mas fornecendo ao mundo o conhecimento e o progresso tecnológico.

 

O seu crescimento pode realizar-se por simples expansão de um centro único ou pela aglomeração de vários centros do que resultam frequentemente territórios urbanos com dezenas de km de extensão, mas sempre com redução das áreas naturais.

 

Só que neste momento e pela primeira vez na História, como a globalização está para ficar, já não está em causa a permanência ou a destruição de uma cidade mas toda a humanidade passou a ser uma metrópole dadas as facilidades existentes na comunicação, quer directa ou por sistemas de transporte de informação e assim total interdependência.

 

O que atrás foi apresentado serve para colocar agora dois pontos:

 

1º As cidades não podem continuar a crescer indefinidamente o que obriga a resolver problemas de gestão bastante delicados mas inevitáveis.

 

2º O paradigma do crescimento obrigatório da economia, herdado do século XIX tem que ser alterado para rigoroso critério de sustentabilidade onde a quantidade seja substituída pela qualidade.

 

Ou seja conseguir-se uma mudança cultural profunda.

 

Agora tratemos o futuro


Quando se fala em futuro há uma falácia que surge imediatamente: não é possível prever o futuro. O que se demonstra ser totalmente falso pois estamos constantemente a prevê-lo ou não fosse o presente apenas a passagem do passado para o futuro.

 

Na verdade tudo o que estamos a ver e a ouvir é sempre passado de forma que tudo o que pensamos fazer “agora” no momento a que chamamos presente é de facto futurologia a curto prazo.

 

O que se passa com a previsão do futuro é qual o prazo até onde é sensato e aceitável prever.

 

Convém agora examinar como pode evoluir a realidade e quais as causas de anomalias às nossas previsões que são baseadas no conhecimento do passado e no que temos vontade (mais do que desejamos) que aconteça.

 

Na maior parte dos casos extrapolamos as tendências do passado recente e as informações das previsões meteorológicas e das bolsas, além dos programas da TV e os espectáculos em que estamos possivelmente interessados e do que temos registado nas nossas agendas.

 

Por vezes programamos as férias, quem as tem programáveis, e na altura de escolher o curso em que nos iremos inscrever podemos tentar prever como será a actividade que iremos realizar e por aí fora durante toda a nossa vida vamos prevendo e revendo previsões umas vezes com algum sucesso outras vezes para esquecer.

 

Mas a História ensina-nos que a realidade sempre foi muita mais variada.

 

Com efeito os acontecimentos mais influentes na vida dos povos de que temos notícia como foram a invenção da imprensa que permitiu o início da globalização do conhecimento, o desenvolvimento das ciências que levou ao início da globalização mundial, a invenção do telescópio, da máquina a vapor, da lâmpada eléctrica, do telefone, das vacinas, das “microchips”, dos materiais de construção modernos, e tantos outros mais e ainda as muitas descobertas científicas que revolucionaram as energias e a medicina, não foram previstas.

 

Tudo isto aconteceu fora das previsões feitas no esquema normal de nos basearmos apenas na evolução mais ou menos recente.

 

Conta-se a história de um responsável pelo registo de patentes nos EU nas vésperas do aparecimento do telefone e da lâmpada que teria proposto fechar o dito registo porque já estava tudo inventado.

 

Para complicar mais esta questão temos ainda que chamar a atenção para o facto de algumas destas invenções e descobertas terem tido aplicações com efeitos extremos, isto é, muito boas e muito más como foi o caso, por exemplo, da dinamite e da energia atómica, a segunda muito criticada por ter sido o meio que provocou a morte a 200  000 pessoas e a primeira nada criticada mas tendo sido o meio usado para muitos milhões.

 

Portanto não nos devemos preocupar com as novas invenções mas antes com a existência de condições para elas acontecerem mas principalmente com o que devemos fazer para evitar grandes erros cujos resultados são previsíveis.

 

O conhecimento da evolução da Terra e do Universo também nos ensina que há numerosos fenómenos que constituem ameaças à nossa vida e para efeitos de previsão podemos classificá-los em três categorias:

 

1ª Aqueles em que nada podemos fazer além de rezar e portanto não vale a pena entrar com eles na previsão, excepto aprender a rezar.

 

2ª Aqueles para os quais podemos prever defesas para minorar os estragos e desenvolver métodos de previsão que ajudem como acontece com os tremores de terra, com os tsunamis e com os furacões e algumas mudanças climáticas.

 

3ª Aqueles em que as causas são de origem humana como a poluição e o crescimento populacional e aqui está a área onde a humanidade pode e deve actuar afim de melhorar o nível de qualidade de toda ela e permitir a sua sobrevivência.

 

Em resumo temos uma participação activa na definição do nosso futuro pois a nossa vontade é sem dúvida um factor essencial e tão essencial que ninguém se deve furtar a assumir a responsabilidade que lhe cabe nas decisões quanto às escolhas do futuro que se pretende ter.

 

E agora é a vez da Cultura,


não a do Ministério respectivo que introduziu a distorção do sentido da palavra, tal como aconteceu na Educação com os péssimos resultados à vista, mas aquela que, dentro do conceito filosófico, corresponde às actividades essenciais, às crenças, atitudes, instituições, comportamentos básicos, regras morais, valores e capacidade de adaptação ao ambiente, das populações e em especial das elites que as dominam e orientam e assim conduzem os seus destinos influenciando o tratamento da 3ª categoria das ameaças conforme atrás examinámos.

 

O desenvolvimento deste tema levar-nos ia a gastar o tempo todo e por isso limito-me a focar um aspecto fundamental da história de Portugal que ilustra de forma lapidar a importância da Cultura na vida de um povo.

 

Se olharem para um mapa da Europa, Portugal fica no extremo esquerdo inferior, longe do centro europeu, portanto obviamente periférico como se ouve dizer muitas vezes como desculpa para o atraso que nos assola há tanto tempo.

 

Com o desenvolvimento da Marinha portuguesa no século XV o mapa que passou a ser tratado pelos portugueses foi o mapa-mundo em que Portugal figura no seu centro, deixando pois de ser periférico e se tornar num país central, à escala mundial.

 

Isto resultante de termos então uma Cultura de inovação, espírito científico e tecnológico, audácia, capacidade empresarial e operacional, definição do essencial e haver responsáveis mais voltados para as obras que para os papéis.

 

Após 1974 até cerca de 95 fomos destruindo a Marinha que tínhamos e transformámo-nos novamente num estado periférico de que tínhamos iniciado o afastamento em 1945, (quando foi dado o impulso para a sua criação) sem que os muitos economistas e políticos de excelente nível que temos tivessem dado conta disso e feito alguma coisa para alterar esta rota de colisão em que temos andado.

 

Há pois actividades e atitudes componentes da Cultura que são essenciais para a identidade, para o desenvolvimento e até para a sobrevivência de um povo da mesma forma que as há que são exactamente contrárias a estes objectivos como sejam: a proliferação de estabelecimentos de vida noturna para jovens menores, o baixo nível da sua educação global, o deficiente funcionamento da justiça, o investimento decidido na base do imediato e do mediato, a corrupção, a ineficácia, etc.,etc.. 

Esta Cultura é dinâmica, ou deve ser, pois como é ela que preside à adaptação da população à evolução da vida envolvente se assim não for isso significa a estagnação e no extremo a extinção da identidade que distingue essa sociedade das outras.

 

A palavra-chave para a sobrevivência de qualquer ser vivo, e portanto também para nós é adaptar-se, obviamente em tempo útil.

 

O exemplo do afogado é paradigmático: se queremos que alguém não se afogue temos que a ensinar a nadar antes de cair à água porque depois não dá tempo…

 

E aqui entra a importância da Educação, também outra vez não a do Ministério respectivo que é mais da Instrução, mas da autêntica pois há que adicionar-lhe o efeito dos enquadramentos e dos exemplos que tanto tem faltado e que são muito mais influentes que a própria matéria ensinada na escola.

 

Finalmente a cidadania e a conclusão


Surge assim a importância essencial das organizações de cidadania em geral, de âmbito local ou internacional, que equilibram e complementam as organizações políticas, partidárias e corporativas que a experiência tem demonstrado serem insuficientes para a defesa dos interesses do País e por isso terem que ser complementadas com a participação operacional de todos aqueles que querem ter voz activa, sem os compromissos de luta pelo poder e por interesses próprios que sendo ambos necessários e fatais introduzem sempre distorções características da natureza humana.

 

Na verdade a evolução dum povo depende exteriormente da sua interacção com os seus vizinhos, com uma noção de vizinhança muita larga, e internamente da interacção das suas elites com a restante população e das características de ambas.

 

Mas se as elites não se mostrarem à altura necessária e suficiente para a resolução dos problemas existentes, o que fazer? e como?

E assim fica a capacidade de actuação da cidadania com parte do peso da responsabilidade de realizar as mudanças indispensáveis.

Muito aproximado do que aconteceu na crise de 1383-1386.

 

E para terminar, afinal o que poderei sugerir para a previsão do futuro próximo?

 

Estas previsões sempre houve tendência para serem aproveitadas para impressionar as populações e já que se torna difícil convencê-las com razões, sempre é mais fácil meter-lhes medo e assim com frequência são apocalípticas.

 

E de facto podem sê-lo.

 

Mas julgo preferível ir pelo caminho da previsão condicionada:

 

Grande desenvolvimento em tecnologias no campo da genética, das nanotécnicas, dos materiais…e doutras inovações ainda desconhecidas.

Política nacional: as previsões a nível nacional não são famosas, a nossa riqueza continua a cair como tem acontecido desde há cerca de 40 anos mas estão surgindo jovens promissores e deveremos corrigir a atual Constituição que tem a particularidade de ser bi-presidencialista e pouco operacional.

 

Política internaconal: parece certo não haver tão cedo nenhuma potência dominante como aconteceu com a Inglaterra no século XIX e os EU no século XX pois agora temos a China, a Índia, a Rússia, o Japão, o Brasil e a Europa mais no comercial que no político porque para isso acontecer seria preciso haver uns estados unidos da Europa e os europeus não são capazes de tal proeza.

 

Energia: vai custar mais cara quer por razões ecológicas quer pelos custos de produção pelo que teremos que nos adaptar a transportes mais caros e a mudanças nos sistemas de produção e distribuição e a dar mais importância à mão de obra. A falácia do hidrogénio não passa disso porque ele só serve para transportar energia e não como matéria prima.

 

Matérias primas/manutenção e reciclagem: a carência de matérias primas e o aumento do custo da sua extracção vai reforçar o que se disse no item anterior com ênfase nestas actividades.

 

Mão de obra: a gestão dos recursos humanos vai ter que mudar pois há que se adaptar aos enormes volumes de mão de obra e à necessidade de resolver as questões de produtividade simultaneamente com o combate à precaridade e ao desemprego que estão na origem de grandes convulsões sociais.

 

Pobreza/Riqueza: o facto de haver cerca de metade da população mundial com nível de extrema pobreza obriga a encarar esta questão de forma imediata e eficaz pois não se trata de acabar com os ricos mas sim acabar com os pobres o que só será possível com um sistema de gestão mundial que equilibre os principais interesses de toda a população.

 

Alimentação/fome: está na mesma linha de pensamento e acção que o anterior com a agravante de que a fome tem efeitos muito rápidos e a alimentação está ligada à gastronomia e aos excessos alimentares que dificulta a adopção de sistemas inteligentes de gestão da produção que é naturalmente limitada, além do espectro da especulação.

 

Segurança /liberdade: a facilidade de comunicação veio aumentar as necessidades de combater a insegurança daí resultante o que obrigará a meios mais apertados de vigilância o que significará mais restrições e até eventualmente menos liberdade. Trata-se de um equilíbrio difícil de atingir onde a cidadania terá, e já tem, enorme importância.

 

Educação: para que seja possível a mudança de quantidade para qualidade é indispensável alterar o actual equívoco prestando a devida atenção aos sistemas de enquadramento e aos exemplos dados pelos mais velhos e mais importantes, o que na prática inclui quase toda a gente menos as crianças e mesmo nestas só as mais novas.

 

Organização do trabalho e das reformas: como corolário do que atrás foi dito é essencial rever tudo o que existe pois é forçoso ter um conceito de trabalho que permita prolongar a vida produtiva de cada um, porque se não for assim não haverá dinheiro para pagar as reformas, não será possível aproximarmo-nos do pleno emprego nem dar possibilidades de mínima realização pessoal à maioria da população.

 

No caso da nossa cidade a previsão otimista é finalmente termos desenvolvimento náutico que atrairia muitos interessados todo o ano e não apenas mês e meio como tem sido a ideia do sol e praia e tornar esta cidade um pólo de excelência da náutica de recreio dando-lhe a vida que todos ambicionamos com a criação de numerosos postos de trabalho bem valorizados e o fim dos muitos fogos devolutos.

 

Tudo problemas de gestão, difíceis de resolver com certeza, mas possíveis e na minha opinião a única solução para pôr de lado as visões apocalípticas.

 

Gestão que não seja apenas para dar lucro pelo lucro mas que contribua de facto para melhorar as condições de vida de todos e assente nos três pilares essenciais: a sabedoria, o poder e a caridade.

 

Para já temos um tempo magnífico e como já passámos por fases bem mais complicadas havemos de descobrir como continuar a viver e tenho esperança que seja com a maior participação das organizações de cidadania.

 

Muito obrigado pela vossa atenção

Comnicação apresentada no Elos de Tavira

Tavira, 8 de Agosto de 2009

 

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 19:50
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