Segunda-feira, 4 de Novembro de 2013
Reflexões sobre a economia do mar em termos de realizações concretas

 

O Plano estratégico apresentado, no que respeita aos aspetos gerais sobre a economia do mar, estou perfeitamente de acordo pois corresponde ao que eu próprio (e outros mais ) também apresentei em 1984 na minha primeira comunicação na Academia de Marinha.


Quanto à parte onde está explicitado todo o trabalho realizado para a expansão da nossa zona atlântica tudo bem apenas julgo valer a pena chamar a atenção para a observação que fiz nessa altura para o facto de o aproveitamento das riquezas existentes nesta zona exigirem empresas de grande porte quer financeiro quer tecnológico que como é sabido nunca tivemos muitas e as poucas, como por exemplo a CUF foram destruídas pelo Prec e por uma Constituição pouco ou nada propícia a tais empresas.


Portanto, tal como está a suceder com a exploração mineira voltamos ao sistema pombalino de ir buscar empresas estrangeiras porque não as há em Portugal.


Mas não é só nas explorações futuras que isto acontece pois quanto a Marinha de Comércio seja de transporte de mercadorias ou seja para cruzeiros também não temos empresas, embora neste último caso parece ter aparecido alguém a iniciar esta atividade o que seria excelente porque receber  estes navios é interessante mas explorá-los é um grau acima na valorização económica e na criação de postos de trabalho.


É claro que na impossibilidade de se repetir um despacho 100 o tempo necessário para recuperarmos uma Marinha de Comércio será de vários anos e as tentativas anteriores nunca deram qualquer resultado para o País.


Mas é possível estabelecer um plano específico parta este objetivo com a convicção de se trata de um plano a longo prazo que inclusive exigirá uma consciência generalizada da população sobre a utilidade da Marinha que não existe e que levará alguns anos a restaurar.


Depois temos a Pesca que foi muito mal tratada nestas três últimas décadas e que necessita de se reestruturar desde a primeira venda, passando por melhoramentos de processos de captura e

Aquacultura.


E por último a marinha de recreio que é onde o atraso é maior mas, talvez também por isso mesmo, onde há mais capacidade de crescimento e de criação de postos de trabalho diretos e indiretos.

Só depois de tudo isto posto em andamento se pode ajuizar quais são as indústrias que podem e devem ser as fornecedoras destas várias marinhas.


Estaleiros para construções navais de grande porte será previsão pouco provável pelo menos por agora pelas razões atrás enunciadas, mas para navios de dimensão mais conveniente talvez possamos recuperar algum do bom pessoal que já tivemos e com gestão apropriada, que não tivemos com frequência, e desde que o enquadramento desta atividade seja revisto e tornado competitivo desde o financiamento até à dinâmica da gestão do pessoal.


Antes de entrar na exposição relativa á náutica de recreio convém recordar nas suas duas facetas: a de negócio ligado ao turismo de alto valor acrescentado, que tem sido desprezado pelos nossos responsáveis pelo turismo nacional, como se viu há dias na BTL onde o prospeto publicado não tinha qualquer indicação sobre náutica de recreio; e a de meio para toda a população poder ter acesso a navegar e assim se desenvolver uma cultura náutica que é fundamental quando se quiser ter proveito a sério da economia do mar.


Quanto à náutica de recreio que tem perspetivas de enorme crescimento, se for dinamizada como nunca foi, haverá lugar para vários construtores navais e de equipamentos como “fingers”, quebramares flutuantes, estacaria etc e aqui é vital para poderem iniciar as suas produções com sucesso e sustentabilidade que haja da parte das entidades que autorizam os projetos de investimento em infraestruturas uma definição muito clara de como serão desenvolvidos de forma as nossas empresas não serem esmagadas pelas importações.


Para já deverão ser evitadas empreitadas de grandes proporções, apenas utilizadas em obras que isso exigem, como é exemplo o fecho da golada do tejo e particularmente nas zonas lagunares onde as infraestruturas portuárias são frequentemente destinadas a entidades locais de pequenas dimensões.


Aliás é oportuno chamar a atenção para o desenvolvimento a realizar nas zonas lagunares dever ser muito rigoroso nos meios de construção a utilizar pois não devem ser consentidos o betão e a pedra mas apenas estacas e equipamentos flutuantes que evitem sobrecargas e ou perturbem as movimentações naturais dos solos lagunares.


As rampas de acesso à água deverão ser em terra batida e nunca em betão.


Obviamente estuários como o do tejo, do sado, etc exigem que os rios correspondentes tenham as suas margens devidamente protegidas para evitar não só a destruição dos terrenos erodidos como também o seu excessivo assoreamento.


Por isto tudo é forçoso que os serviços do estado a quem compete esta função se desempenhem corretamente destas obrigações, incluindo as dragagens de manutenção, deixando às entidades que vão explorar os portos de recreio os trabalhos necessários à sua atividade de acordo com normas de qualidade indispensáveis.


Lisboa, 20 de Agosto de 2013

 

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 11:13
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