Terça-feira, 5 de Novembro de 2013
O Algarve e a austeridade

A austeridade que se está iniciando agora é tão criticada principalmente por aqueles que já se esqueceram, ou nunca tiveram a consciência, de que muitos dos chamados direitos adquiridos o foram à custa de dinheiro emprestado, pois, nestas últimas décadas, descurámos a produção e criámos hábitos próprios de gente rica, sem nos preocuparmos como poderíamos sustentar ao longo do tempo tão elevado nível de vida.


Portanto agora, no caso do Algarve, a solução é aproveitar ao máximo a capacidade de “produção” do turismo e para isso os respetivos responsáveis têm que dinamizar esta atividade como aliás tem sido defendido nas páginas deste jornal há bastante tempo.


Esta dinamização tem duas vertentes, que julgo ser importante recordar: uma a elevação do nível do produto turístico incrementando imediatamente as atividades náuticas, que têm uma capacidade de crescimento da ordem dos 100 %, isto é, o dobro da atual, e outras atividades individualmente menores mas no conjunto importantes; outra vertente o incremento das produções agrícola, piscatória e outras de forma a maximizar o valor acrescentado.

Há projetos suficientes para iniciar esta dinamização, mas não tem havido a tomada de decisões que são imprescindíveis, para que se tornem em realizações quer do Governo Central quer, principalmente, dos responsáveis locais sejam eles privados, autarcas, políticos ou corporativos.


Ouvem-se muitos lamentos e chega a dar a impressão que muitos esperam que esta tempestade passe em dois ou três anos e depois volte tudo à mesma, razão pela qual, adotam a posição cómoda da lamentação e da crítica, atirando a responsabilidade da situação atual e da sua solução para outros, sejam eles quem forem, e, como dizia Eça de Queirós julgam poder melhorar, comprando uma cautela e acendendo uma vela a um Santo protetor.


Na verdade é essencial acreditar que a cultura, i.e., as atitudes consumistas, não produtivas e tantas vezes corruptas que se desenvolveram nas décadas passadas, não são para repetir nem são para esquecer, e têm que ser substituídas por eficiência, seriedade, justiça e verdadeira equidade.


Deixem-se pois de lamentações e exigências inconsistentes e discutam, sim, mas não se fiquem pela conversa, e decidam como iniciar já todas as iniciativas que aumentem a produção de bens e a capacidade do produto turístico que é o Algarve; e assim acabem com o desemprego, com as desigualdades e com a escuridão do desalento que sempre surge nestas situações.


Tavira, 25 de Outubro de 2011               José Carlos Gonçalves Viana

 

Publicado no Postal do Algarve em 18 de Novembro de 2011



publicado por JoseViana às 14:04
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