Terça-feira, 5 de Novembro de 2013
Mudança de Governo e mudança de Cultura?

Nestas eleições recentes os eleitores votaram para que houvesse uma mudança de Governo como está regulamentado na Constituição e não parece haver dúvidas que tal mudança era indispensável dado o estado a que o Estado chegou.


O Estado e grande parte da população pois não é apenas o Estado, seja o que depende do Governo central ou o que depende das Autarquias, que está tão fortemente endividado porque uma percentagem elevada da população também se endividou para poder viver acima das suas possibilidades reais nestes últimos vinte e poucos anos.


Sem esquecer a Banca que participou nesta enorme tolice, auferindo durante este período fartos lucros até que, como era previsível para quem estivesse atento e não estivesse interessado nestes lucros, a bolha rebentasse tal como aconteceu em tempos em ponto mais pequeno entre nós e em ponto maior em vários países há três ou quatro anos atrás.


Embora o Governo cessante tivesse responsabilidades inequívocas nesta situação que lhe custaram a sua demissão e a perda das eleições não foi certamente o único responsável pela atual situação em que Portugal se encontra.

Com efeito a causa profunda deste desgoverno que caracterizou a vida nacional desde que entrámos na Comunidade Europeia foi a instalação de uma Cultura, não a que era tratada pelo Ministério respetivo, mas pela que é definida pelos princípios morais, pelos ideais, pelas crenças, pelos preconceitos, pelas atividades e por tudo o que orienta a vida da população, que foi propícia a acontecer o descalabro atual.


Mudar de Governo era fatal e indispensável. E está realizado este primeiro passo para a desejada mudança.

Mas agora o que é preciso é mudar rápida e profundamente essa Cultura de compadrio, de ineficácia, de vaidades e de consumismo, de imediatismo, de tolice, de opacidade política e informativa, de estatismo exagerado, de desvios de finalidade que prejudicavam o País para favorecerem interesses pessoais e/ou corporativos, etc,etc, e que de forma variável, com altos e baixos, assolou este país não apenas nestas últimas décadas mas desde o início da nossa decadência algures no século XVI.


Foi esta Cultura defeituosa que esteve na origem da perda da independência em 1580, na má gestão dos territórios ultramarinos como aconteceu com o Brasil e com os outros mais recentemente, nas tolices que originaram o mapa cor de rosa, e nos factos que conduziram à descolonização e às condições em que acabámos por passar após fazermos parte da Comunidade Europeia.


E como tem sido típico desta Cultura, pouco aberta a análises de situação corretas, a culpa passou a ser da nossa entrada na CEE, porque nós fizemos tudo bem…apenas gastando muito e investindo pouco e mal.


Ora, só analisando bem os nossos comportamentos os poderemos melhorar e não esquecendo que uma consciência tranquila é quase sempre o resultado de uma memória fraca!


Assim sendo, esperemos que esta mudança corresponda ao início da eliminação daqueles fatores culturais negativos e a sua substituição pelos fatores positivos exatamente opostos e, desta forma, possamos não só pagar o que devemos, mas criarmos riqueza sócio-económica e atingirmos o nível de qualidade de vida que há muito desejamos. 


Mas não basta ter mudado o Governo, e ficarmos à espera que “eles”façam tudo. É forçoso que todos, desde o mais humilde cidadão até aos mais ilustres cidadãos incluindo os Autarcas e dirigentes das variadas entidades que formam a estrutura vital do País iniciem imediatamente todas as iniciativas que podem e devem ser realizadas de forma a se criarem os muitos postos de trabalho que tanta faltam fazem e sustentarem os existentes ameaçados, de tal modo que rapidamente desapareçam as muitas bolsas de carências para não dizer de miséria que existem e se crie riqueza sustentada e bem distribuída.


Passando agora para o caso do Sotavento Algarvio é tempo para eliminar os constrangimentos anteriores que têm vindo a atrasar o desenvolvimento desta sub-região tanto das entidades privadas como estatais com responsabilidades particularmente na área do Turismo, das Autarquias e do Ordenamento do Território que têm travado iniciativas essenciais para o seu desenvolvimento sustentado.


Existem vários projetos concretos que continuam nas gavetas de alguns responsáveis e é agora a oportunidade de os lançar com a máxima colaboração das forças vivas que certamente ainda existem mas que têm a obrigação de tomarem as atitudes e as iniciativas que permitam realizar a mudança que está em marcha.


 

Lisboa, 20 de Junho de 2011                José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 14:20
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