Sábado, 23 de Fevereiro de 2013
Transformação do estuário do Tejo no maior centro náutico da Europa

Introdução: Portugal necessita desenvolver novas actividades e novos negócios no sentido de promover e revitalizar a sua actividade económica, sem o que não será possível ao nosso país sair da situação de profunda recessão económica em que se encontra mergulhado.


 

Neste contexto, a submissão da proposta de alargamento da plataforma continental apresentada às Nações Unidas a 13 de Abril de 2010, na sequência da ratificação por Portugal da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM, 1082) em 1997, confere ao nosso país um imenso Mar de oportunidades, com importantes implicações sócio-económicas, tecnológicas, e geoestratégicas, no quadro mais geral da afirmação da Estratégia Nacional para o Mar, aprovado mediante a Resolução do Conselho de Ministros de nº136/2006 de 12 de Dezembro.


 

Se no Atlântico Norte o alargamento do canal do Panamá, previsto ter lugar em 2014, é susceptível de abrir à nossa costa atlântica, com especial incidência para o Porto de Sines, um papel de relevante importância como “Hub” das mercadorias da China para o ocidente europeu, susceptível, se devidamente aproveitado, de trazer um importante valor-acrescentado para o desenvolvimento da economia portuguesa.


 

No Atlântico Sul não podemos descurar a importância que potencialmente acarreta para o nosso desenvolvimento económico o crescimento de economias como o Brasil e Angola, as quais, nas próximas duas décadas, se situarão entre as economias mais dinâmicas do mundo, a par da Índia e da China.

 

O impacto conjugado dos aspectos referidos – alargamento da nossa plataforma continental, a abertura do novo canal do Panamá e o crescimento das economias do Brasil e Angola – representam para o nosso país uma janela de oportunidade que não pode ser desperdiçada, para além de poderem constituir um travão importante á deslocalização da actividade económica do Atlântico para o Pacifico, a que temos vindo a assistir.


 

Todavia, Portugal só tirará partido das oportunidades que se lhe abrem quer no Atlântico Norte, quer no Atlântico Sul, criando por essa via uma Economia do Mar pujante, se for capaz de atrair as populações para o Mar, de modo a criar massa crítica, sem o que não haverá economia, do mar ou outra.


 

É neste aspecto que a náutica é instrumental, porque se não conseguirmos que os mais jovens estabeleçam desde tenra idade uma relação de afecto com o Mar, estes nunca quererão ligar-se a este, quer desportiva, quer académica ou profissionalmente, limitando a capacidade do nosso país gerar novas competências para tirar partido das oportunidades que se nos abrem.


 

E quando se fala de náutica é imperioso que nos ocupemos das infraestruturas que lhe servem de base, como sejam as marinas e os portos de recreio, objectivo desta iniciativa.


 

1-Objetivo desta iniciativa: colaborar ativamente para criar postos de trabalho sustentado na área das atividades marítimas, o mais rapidamente possível dado o número inaceitável de desempregados, e por só ser possível ultrapassar a fase difícil que atravessamos aumentando a produção e não apenas os impostos, que aliás deveriam crescer mais em valor total que em taxas, uma vez que existem potencialidades concretas desta criação, bastando para isso enumerá-las e serem tomadas as decisões necessárias e suficientes, obviamente sem pôr em causa os planos de desenvolvimento em curso, apenas acelerando alguns projetos pelas razões atrás expostas.


 

2-Pelo menos desde 1984 que, em particular na Sociedade de Geografia e na Academia de Marinha foram levantadas todas estas questões, mas em termos práticos só foi tratada pelo poder político a da expansão do nosso território atlântico, que se verifica ter sido excelentemente gerida e que se espera venha a ter o desfecho desejado, e para o que é essencial incrementar o desenvolvimento da nossa Marinha, entendo-se esta como o conjunto da Armada e das Marinhas de Comércio, Pescas e Recreio.


 

No entanto o facto de tanto a Marinha mercante ou de comércio, as Pescas, a Marinha de recreio em todas as suas valências, nunca terem sido devidamente tratadas, não só tem dado enorme prejuízo económico ao País mas também põe em perigo a sua segurança e o futuro do nosso aproveitamento das riquezas potenciais oceânicas conforme nos pareceu antever nas decisões tomadas em Bruxelas nos finais do ano passado.


 

Convém chamar a atenção para o facto de a população ter sido afastada das atividades náuticas depois de 1974 com muito poucas exceções em alguns locais, sendo diminuta a percentagem de praticantes náuticos e de que se quisermos aproveitar a sério as nossas potencialidades marítimas, que são muitas, é forçoso ter a população fortemente participante, e isto só se consegue se houver facilidades bastantes de acesso ao mar, e que não seja apenas pelas praias, como tem sido e de que é exemplo a tolice do turismo do sol e praia.


 

Também não devemos esquecer os preconceitos anti marinha (dita colonialista) e anti náutica de recreio (dita fascista) que se desenvolveram a partir de 74 e dos resultados destas atitudes que culminaram nas destruições na década de 80.


 

Poderá perguntar-se por que razão não foram convidadas para estar aqui entidades como a APL e o IPTM.


 

Porque desde 1982 que por várias vezes foi contactada a APL acerca do tema desenvolvimento da náutica de recreio no estuário do Tejo mas nunca foi obtida qualquer reação positiva e quanto ao IPTM, embora há menos tempo o resultado foi idêntico.


 

Agora as nossas esperanças estão todas na nova estrutura do Governo e na sua iniciativa, porque depois será sempre indispensável a colaboração destas entidades, mas não nesta fase de sensibilização.


 

3-Para efeitos práticos temos assim os projetos seguintes a incluir nesta iniciativa, e que implicam pouco investimento do Estado, mas decisões oportunas e corretas:


 

3-1-Navegação fluvial- uma vez que a oceânica não pode ter tratamento imediato.

 

Já tratada aqui na Sociedade de Geografia na sessão de 20 de Setembro


 

3-2-Projeto para o Sotavento Algarvio, apresentado apenas para servir de exemplo de que há muitos outros locais com capacidades náuticas e de criação de postos de trabalho interessantes:


 

3.2.1-Modernização da gestão da Ria Formosa


 

3.2.2-Marina de Castro Marim (domínio privado)


 

3.2.3-Marina de Vila Real de Santo António (domínio público)


 

3.2.4– Marina de Tavira, portos de recreio de Forte de Sto. António, de Cabanas e de Santa Luzia (Domínios privado e público) e porto de pesca


 

4-Transformação do Estuário do Tejo no maior centro de náutica de recreio da Europa


 

4.1--Aproveitamento do interior do Estuário do Tejo 


 

 O estuário do Tejo é o maior plano de água estuarino da Europa e foi até cerca dos anos 50 muito utilizado quer para as cargas e descargas dos navios mercantes quer para a ligação entre as várias povoações que existem nas suas margens. Assim verificava-se a existência de algumas dezenas de milhar de embarcações que foram rapidamente desaparecendo com a construção das pontes e das estradas, ficando atualmente reduzidas a poucas dezenas.


 

No entanto, a capacidade de prática de atividades náuticas e de desenvolvimento da pesca artesanal e da aquacultura é enorme e permite prever a criação de alguns milhares de postos de trabalho sustentado, em grande parte utilizados na prestação de serviços a turistas vindos, em particular do norte da europa, onde durante quase metade do ano não é possível a prática destes desportos (vela, remo, pesca, etc.), ainda por cima enquadrados na rede urbana do estuário.


 

Além do efeito formativo da população em atividades náuticas, condição indispensável para podermos ter pessoal capacitado para as múltiplas ocupações profissionais destes empreendimentos.

 

 

 

Para isso será preciso desenvolver vários portos de recreio ao longo das margens, refazer os canais de circulação no Mar da Palha e no rio até à Azambuja (pelo menos) e sinalizando-os corretamente, estabelecer zonas de pesca artesanal e de pesca desportiva (sempre com devolução ao mar) e aquacultura, e criar uma ou mais ilhas flutuantes para dinamizar a vida náutica desta zona.


 

A fim de acelerar este desenvolvimento atrevemo-nos a sugerir o aproveitamento imediato do plano de desenvolvimento náutico do Barreiro conforme proposta feita à Autarquia em 1997 e que está disponível no blog: nossomar.blogs.sapo.pt, que só não foi realizado pelas mesmas razões que quase nada se fez nesta zona do rio Tejo.


 

No entanto foram construídas as marinas de Cascais, de Oeiras e do Parque das Nações e atualmente, de acordo das informações da APL, temos 2800 postos de amarração o que já permitiu trazer cá a realização de provas da Taça da América, mas comparando com estudos feitos em 1982 que indicavam valores próximos dos 20000, muito há ainda para fazer.


 

O que significa haver ainda enorme capacidade de crescimento e de desenvolvimento, que é, diga-se de passagem caso único na europa.


 

4.2 – Projetos exteriores


 

Por razões ligadas à sua dimensão e à natureza convém separar estes projetos, aliás a que esteve ligado o Alte Sousa Leitão quando era Presidente da Sociedade de Geografia e fortemente adepto da sua realização.


 

4.2.1 Fecho da golada e aproveitamento do cachopo sul


 

Há estudos bastantes completos sobre este assunto e portanto não vale a pena agora gastar tempo e apresentá-los.


 

Em resumo até cerca de 1950 havia uma ligação arenosa que ligava o Bugio à costa mas por essa altura foram retiradas daí grandes quantidades de areia para obras na margem direita do rio o que provocou mais passagem de água e assim a destruição desse cordão de areia, a diminuição do caudal de saída na barra principal e o assoreamento da ponta do cachopo norte, e ainda a destruição sistemática do areal da Caparica.


 

O que tem obrigado a empreitadas frequentes de reposição de areia para evitar a destruição total das praias mais a norte desta costa.


 

Ora o cachopo sul conforme se pode apreciar pelo gravura apresenta a possibilidade de aproveitamento de uma área de mais de 200ha onde se pode desenvolver um empreendimento de elevada qualidade que significará dotar a zona da nossa capital de um equipamento turístico relevante e com grande capacidade exportadora, uma vez que se trata de uma exploração com máximo valor acrescentado e ainda por cima com contribuição importante pela concessão e pelos impostos resultantes da exploração, mesmo que haja incentivos para cativar os investidores.


 

A hipótese de utilizar esta área para um porto de águas profundas já não tem justificação pela existência de Sines e pela dificuldade de atravessamento da zona urbana do município de Almada.


 

A forma de conduzir a realização de um projeto desta dimensão e natureza deverá ser tratada oportunamente pois o seu sucesso dependerá também da eficiência da respetiva gestão.

 

 

4.2.2-Aproveitamento do cachopo norte


 

Conforme se pode aferir pelo exame da gravura este projeto ocupa menor área, cerca de 100 ha, exige uma ligação por túnel à rede rodoviária e o que foi dito para o anterior repete-se para este, pelo que não vale a pena agora aprofundar mais.


 

5-Note-se que há ainda outras zonas do País que poderão e deverão ser aproveitadas e se agora só se apresentam estas é apenas porque são aquelas sobre as quais temos dados suficientemente concretos para podermos avançar já, ficando as outras para a fase seguinte. Como são os exemplos dos rios Arade e Sado e da Ria de Aveiro.


 

6- O que fazer para dinamizar estas iniciativas, e eventualmente mais algumas, uma vez que o facto, de alguns dos organismos que parece terem sido criados com esta finalidade nunca terem assumido tal responsabilidade, e alguns até a contrariaram, está agora facilitado com a nova orgânica governamental que criou um responsável que centraliza as várias dependências que participam no processo decisivo.


 

E não esquecendo alguns estudos que entretanto foram realizados, sempre sem seguimento concretizado e que poderão contribuir para a decisão.


 

Também convém ter presentes as declarações recentes dos Ministros responsáveis pela Economia e pelo Mar e que incentivam estas iniciativas, portanto devendo nós aproveitar esta oportunidade dupla da necessidade nacional de postos de trabalho e de compromisso do Governo de tomar as decisões correspondentes.


 

A seguir a esta sessão haverá outras, eventualmente noutros locais como por exemplo no Barreiro, em Almada e em Oeiras dado o interesse óbvio que estas autarquias terão nestas iniciativas.


 

 

 

Lisboa, 22 de Novembro de 2012

 

Sessão realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa

 

E. Almeida Faria

J.C.Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 15:18
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Domingo, 10 de Fevereiro de 2013
O acordo ortográfico e o cidadão interessado

 Desde há muitos anos que leio vários artigos sobre a questão do acordo ortográfico e, não tendo qualquer dúvida quanto à importância da língua portuguesa nas ligações com todos os aglomerados populacionais que falam português por esse mundo fora, ainda não tomei conhecimento completo da razão pela qual chegámos à situação atual de haver três ortografias possíveis.


Segundo o excelente artigo publicado há dias no DN pelo Prof. Vasco Graça Moura há em Portugal o correspondente ao acordo que nós aceitámos, há em Angola e Moçambique o que nós tínhamos antes e há no Brasil o deles. Quem quiser saber mais deve ler o artigo atrás mencionado.


Perante tal confusão resolvi realizar uma busca que, embora pouco académica, talvez já possa dar-me alguma ideia da explicação para esta situação, e assim procurei saber o que tinha acontecido com as línguas espanhola, francesa e inglesa, cujos países de origem tinham tido também impérios coloniais e as suas línguas usadas em vários países hoje independentes.


Em nenhum deles a história da evolução da sua língua fala de acordos ortográficos e respetivas polémicas mas em compensação parece ter havido, particularmente a partir do início do século XIX o desenvolvimento de editoras privadas situadas nos países de origem que forneciam todos os livros necessários para as populações das antigas colónias.


Desta maneira simples passou a haver suficiente uniformidade da escrita respetiva e assim não se justificou a necessidade de qualquer acordo ortográfico nem de interferências governamentais neste assunto.

Só na língua inglesa houve algumas diferenças entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha que levou Bernard Shaw a afirmar que estes dois países eram muito parecidos exceto na língua.


Recordando a história de Portugal e do Brasil verifica-se que ao chegar ao Rio de Janeiro em 1808 D. João VI encontrou um país em plena idade média que rapidamenteiniciou uma fase de desenvolvimento em todos os setores incluindo o do ensino e portanto do consumo de livros e de jornais.

 

Acontece que neste período Portugal era invadido pelas tropas de Napoleão que depois tiveram que ser expulsas, ao que se seguiram as lutas entre liberais e absolutistas e assim o País esteve em enorme perturbação e instabilidade das quais só foi melhorando em meados deste século XIX, mas que continuou sempre impeditiva de ações mais profundas.

 

Não é pois de estranhar a ausência de editoras portuguesas no mercado brasileiro, como aconteceu com os países atrás indicados, razão pela qual apareceram ali várias editoras que naturalmente adotaram a língua que mais de adaptava aos condicionalismos locais. E assim se formou o “português” do Brasil.

 

Como a diferença de dimensão entre o português e o brasileiro é enorme, o que quem nunca viveu no Brasil pode ter alguma dificuldade em entender, o crescimento da atividade literária e científica neste país originou a necessidade de utilizar termos, quase sempre no início para traduzir autores estrangeiros, e assim se desenvolveu uma língua baseada no português mas naturalmente com diferenças na ortografia e na pronúncia.

Mas por muito que isso custe a alguns portugueses a produção editorial brasileira passou a ser de tal modo que muitas vezes se queria  estudar alguns assuntos, originalmente em línguas estrangeiras, em português tinha que adquirir edições brasileiras.

 

Por outro lado o Brasil tem quase vinte vezes mais praticantes da sua língua que Portugal e a aprendizagem desta por estrangeiros é mais fácil, razão pela qual estes dão natural preferência ao português do Brasil.

 

Os portugueses não só não foram capazes de aproveitar as enormes riquezas herdadas de D. João II mas também não conseguiram concretizar as iniciativas empresariais que lhe possibilitariam agora não ser preciso um acordo ortográfico praticamente impossível a menos que seja de acordo com o Brasil. E isto pouco tem a ver com o Governo pois trata-se essencialmente de uma questão da sociedade civil e em particular da nossa iniciativa empresarial, tradicionalmente fraca e muito encostada aos apoios do Estado.

 

Aliás um País que tinha a sua independência e a sua soberania assentes na Marinha e em que a sua sociedade civil aceitou pacificamente a destruição desta, não tem agora grande razão para tanta preocupação com a ortografia.

Publicado no DN em 1 de Abril de 2013

 

Lisboa, 21 de Janeiro de 2013



publicado por JoseViana às 22:54
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