Quinta-feira, 18 de Julho de 2013
Portugal pobre ou mal governado?

Portugal a partir do início do século XIX foi normalmente um país mais pobre que rico, embora na verdade isto tenha sido assim desde o século XVI.


O Brasil deixou de ser fonte de receita, as outras colónias nunca foram aproveitadas e nem o episódio do mapa cor de rosa serviu de lição, pois em vez de ser corrigida a gestão medíocre destes territórios, atribuíram-se as culpas todas aos ingleses e nada aconteceu de positivo.


Quando nasce a República o país estava muito empobrecido, segundo algumas estatísticas no mesmo grau de pobreza que se atingiu após estas últimas duas décadas, até 2010, de vida folgada a crédito.


Segundo essas mesmas estatísticas o nível máximo de riqueza em Portugal foi atingido em 1961, embora a gestão das nossas riquezas ultramarinas, como se passaram a chamar as antigas colónias, nunca tenha sido praticada com a desejável eficiência, o que originou as guerras coloniais, e a partir desta data a nossa riqueza tenha vindo sempre a descer até agora.


Reportando-me apenas à época em que eu vivi podemos constatar que na verdade não somos um país pobre mas sim muito mal governado.


No fim da II guerra mundial, tendo recusado o auxílio do Plano Marshall, o que provavelmente não foi assim tão errado, iniciámos um processo de desenvolvimento de que a execução do plano do Despacho 100 referente à Marinha Mercante foi um passo essencial, mas mais tarde ao falharmos a execução do plano energético que previa a instalação de energia nuclear, demos um passo atrás de dimensão catastrófica que ainda poderia ter sido corrigido se, em 1972, a chamada crise do petróleo tivesse alertado as nossa elites dominantes para o perigo da dependência desta fonte energética.


Na verdade o nosso país entre as energias nuclear, eólica e solar, e uma gestão inteligente da água, poderia ser praticamente independente do petróleo, desde que o ordenamento do território e a gestão dos sistemas de transportes fossem eficazes.


O que não aconteceu.


Temos hoje um ordenamento deplorável, um sistema de transportes em que se favoreceu o rodoviário (o que tem maior consumo de energia e maior poluição) destruímos o transporte marítimo e fluvial, gerimos mal o ferroviário e o ordenamento do território foi essencialmente gerido para maximizar os ganhos imediatos da construção e da especulação imobiliária.


 Com os resultados à vista.


A nossa competitividade foi altamente comprometida, entre 90 e agora baixámos cerca de vinte lugares no “ranking” mundial da competitividade, e assim o único fator de produção que podemos reduzir é o custo da mão de obra, que é exatamente o contrário do que aconteceria se tivéssemos sido bem geridos.


Nunca se pode esquecer que a competitividade e a sustentabilidade são essenciais para se desenvolver um país no curto e no longo prazo e que um país só se pode considerar verdadeiramente desenvolvido, quando o fator de custo de produção mais protegido for exatamente a mão de obra e não o contrário como aconteceu aqui.


Aliás os países com níveis de competitividade mais altos têm também os salários mais altos, porque ela, a competitividade, depende essencialmente da qualidade da gestão das empresas e do país e não de salários baixos.


Nas últimas duas décadas não só destruímos muita produção industrial e agrícola como tivemos uma política de transportes oscilando entre e a indigência e a mediocridade, com a agravante do enorme endividamento que foi necessário para cometer tantos erros e/ou crimes e ainda pela criação de excessivos intermediários improdutivos e de parasitas originados pelos partidos políticos, tudo isto de difícil e morosa correção.


E ainda por cima esquecendo questões essenciais como o aumento da longevidade da população, a diminuição da natalidade, as alterações tecnológicas e climáticas, a evolução mundial e as boas práticas de gestão.


Situação tanto mais complicada porque muitas das corporações têm mostrado estarem mais atentas aos seus lucros próprios e imediatos que aos interesses do país.


Mas afinal quais as razões estruturais para esta incapacidade dos portugueses para saírem de uma vez destas situações de pobreza, sempre fruto de serem mal governados, quer seja porque em certas ocasiões vivíam em ditadura e noutras em democracia, mas mantendo intacta uma cultura (não aquela que pertence ao Ministério com esse nome mas a que define os comportamentos e as atitudes da população) incapaz de permitir e motivar a prática generalizada, tanto da parte dos poderes públicos como dos privados, dos princípios da gestão eficiente.


Vejamos agora quais as práticas dos detentores do poder típicas desta cultura (por ordem alfabética da palavra chave):

 

Corrupção generalizada, isto é democratizada pois aumentou com a democracia e com as deficiências da Justiça

Compadrio, i.e., desprezar o valor das pessoas em favor de interesses pessoais e/ou políticos

Tomarem decisões casuísticas e discricionárias não distinguindo o essencial do acessório e favorecendo a corrupção

Não zelarem pela atuação eficiente dos órgãos de soberania, antes favorecendo comportamentos favoráveis aos seus interesses próprios e não aos do país

Darem preferência ao imediatismo originado pelo período entre as eleições em vez de a dar à sustentabilidade, como aconteceu por exemplo com a atividade imobiliária e com as auto-estradas

Não permitirem a livre iniciativa nem produzirem regulamentações eficazes que evitem o condicionamento da atividade económica, desmotivando os investidores e motivando a corrupção

Não evitarem nem combaterem monopólios em qualquer tipo de atividade, incluindo a política e a corporativa

Não motivarem a população no sentido do aumento da competitividade, da valorização individual e da participação na vida coletiva

Não se libertarem de preconceitos e ideias feitas, sejam de natureza ideológica, religiosa ou outras

Acederem a cargos de elevada responsabilidade sem estarem preparados para os exercer eficientemente

Não terem vergonha de praticar atos abusivos que criticavam aos detentores do poder anteriores


A propósito é interessante recordar Camões, Eça de Queirós, Fialho de Almeida, Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro, Tomás Figueiredo, Miguel Sousa Tavares, Mário Soares, Marcelo Rebelo de Sousa, Paulo Morais e tantos, tantos outros que nos seus escritos e intervenções sempre mostraram estas realidades e os prejuízos e dificuldades que causaram ao nosso País. Causaram e causam.


E já agora uns autores estrangeiros como Daron Acemoglu e James A. Robinson num livro muito oportuno “Porque falham as nações” para se compreender melhor quais foram as causas desta situação e como poderemos sair dela por cima e não por baixo.


Passando da análise para a solução constato que quase toda a gente com quem falo me diz: o que poderemos nós fazer para criar postos de trabalho para mais de um milhão de portugueses, se já não temos tudo isso que em tempos idos não soubemos aproveitar?


De facto já não temos territórios externos mas temos o nosso território atual e uma população, ambos até aqui mal aproveitados pelas medíocres práticas de gestão das nossas elites responsáveis.

 

Temos ainda muita capacidade desaproveitada em:


Turismo de qualidade principalmente ligado às atividades náuticas como são exemplos o estuário do Tejo, o Sotavento Algarvio e outros locais, empresas de navios de cruzeiros que já começaram a atuar, às atividades agrícolas e gastronómicas, às atividades medicinais, às atividades universitárias desde que se saiba tirar partido dos interessados de língua portuguesa em frequentar cursos em universidades que sejam geridas de forma idêntica a outras como por exemplo inglesas ou norte americanas;  


Indústrias que já temos mas que deverão ser incrementadas em especial as que produzem bens da elevada qualidade;


Energia solar, que por razões ainda por explicar, não tem o desenvolvimento que deveria ter de forma a reduzirmos a importação de produtos petrolíferos;


Produção de veículos movidos eletricamente em especial para usar nas povoações reduzindo a importação e podendo exportá-los;


Voltar a ter empresas de navegação além das de turismo, que já vamos tendo;


Favorecer inteligentemente o desenvolvimento de empresas de grande porte sem as quais não poderemos ter acesso às riquezas do nosso território marítimo e outras atividades que só podem ser praticadas por elas e não por PMEs,


Piscicultura;


Indústrias metalo-mecânicas incluindo estaleiros navais;


Tecnologias de informação         

                                                                           

Aqui chegados a pergunta que se coloca é: como corrigir a situação se os órgãos de soberania estão dominados pelos partidos cuja cultura é manifestamente imprópria, como a situação atual demonstra sem qualquer dúvida, mas que por seu próprio esforço são incapazes de alterar?


Cada vez as ruas se enchem mais frequentemente com gente a protestar contra o que parece estar errado, embora uma grande parte dela não só não parece saber como sair desta situação, como não entende poder ter colaborado, por ignorância ou distração, nos atos que originaram a pobreza atual, como por exemplo quando, por razões ideológicas de esquerda, foram destruídas muitas empresas, assim se perdendo muitos postos de trabalho e a própria segurança do país.


Temos um Parlamento que tem dado provas de baixa eficiência e em que os deputados não são responsabilizados, até porque a nossa Constituição é na verdade de um sistema bi-presidencialista pois elege-se um Presidente da República e um Presidente do Conselho de Ministros que por sua vez nomeia os deputados que legalizam a sua eleição, não tendo eles assim qualquer elo de responsabilidade com os eleitores. E a irresponsabilidade é muito má conselheira.


 Aliás tem sido notória a redução de despesas que não foi feita na Assembleia da República, no Conselho de Ministros e na Presidência da República, bem como nas Autarquias em comparação com os sacrifícios que grande parte dos cidadãos tem suportado.


E a famigerada reforma do Estado em vez de uma reestruturação quer dos órgãos de soberania centrais quer das autarquias, cuja contribuição para a baixa competitividade é enorme, continua a não passar de listas de cortes que é exatamente o que não se deve fazer, pois a solução não é passar trabalhadores de empregados para desempregados mas sim passar trabalhadores em funções inúteis (e portanto parasitas) para outras produtivas.


Que é preciso criar e/ou recriar.


Estamos agora a chegar ao fundo.


Para recuperarmos a riqueza perdida e/ou desperdiçada é forçoso alterar profundamente a cultura vigente, sabendo-se no entanto que muitas das atuais forças dominantes se mostram incapazes de realizar as mudanças e outras se opõem a elas por inércia, egoísmo e ignorância, como se pode avaliar no dia a dia da nossa vida política.


Mas nem tudo está perdido.


Uma vez mais na história da humanidade uma tecnologia nova poderá permitir uma solução moderna e eficiente: a “web”.


Primeiro vamos apontar o que é preciso fazer de concreto para se alterar a cultura vigente e que não possa ser impedido pelos partidos políticos e pelas corporações que indiciem desvios do comportamento democrático eficiente:


1º-aproveitar a “web” para estreitar a ligação entre toda a população e entre ela e as forças vivas políticas e corporativas de forma a permitir haver informação sobre todos os ocupantes atuais e os candidatos a cargos públicos, poderem ajuizar completamente a sua capacidade para ocuparem esses cargos e assim irem sendo sobressaídos os melhores e descartados os piores, evitando ou pelo menos tentando evitar o atual excessivo número de figuras de baixo nível cultural e profissional em cargos de responsabilidade.


Além disto também contribuirá para atrair para a vida política algumas personalidades que atualmente não aceitam o esquema atual.


Já existem na “web” referências a plaformas Wiki, a portais “egov” e outras que permitem ter forte convicção de que será possível a curto prazo ser criada uma plaforma que resolva esta questão.


2º-alterar a Constituição, tendo presentes os princípios da gestão eficiente e não apenas conceitos jurídicos de forma a que ela seja de facto uma fonte de eficiência, competitividade e sustentabilidade sem prévias influências ideológicas antigas ou novas, mas que se comportam como preconceitos impeditivos de uma análise correta e imparcial da vida do país tanto do ponto de vista económico como moral, social e ecológico, tendo sempre em vista a competitividade e a sustentabilidade nacionais.


3º-alterar a organização dos Órgãos de soberania e das Autarquias de forma a permitir a sua otimização tanto na redução de custos como no aumento da eficiência do seu funcionamento, para que não se torne a verificar uma situação como a atual em que o  excesso de gastos parasitas e a baixa eficácia pôs em perigo o nível do estado social sustentado, com a total complacência daqueles a quem competia o controle das ações do Poder executivo.


Assim será possível a participação da maior parte da população, do Povo, no controle da qualidade dos responsáveis e dos atos por eles praticados de forma a eliminar os desvios incomportáveis das verbas movimentadas pelo Estado e permitir a adoção generalizada da transparência, da integralidade e da eficiência como normas a cumprir por todos eles.


E insisto em que a revolução cultural que se pretende deve ser no sentido de deixar de se falar em cortes mas sim em alterações estruturais concretas e bem justificadas, deixar de se falar em despedimentos mas sim em mudanças de funções pois o que se deve eliminar são as funções parasitas ou inúteis e substitui-las por outras produtivas, deixar de falar em fascismo quando se exige disciplina e recordar que para se viver bem em democracia verdadeira é preciso ter chefias muito melhor preparadas que numa ditadura, seja ela de direita ou de esquerda.


A História ensina que uma democracia sem chefes competentes rapidamente se pode transformar numa ditadura. E quem vai pagando sempre os custos dos desmandos das chefias é o Povo.

 

Lisboa, 17 de Julho de 2013



publicado por JoseViana às 00:32
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Terça-feira, 9 de Julho de 2013
A cultura no futuro das cidades

 

Introdução

Em primeiro lugar quero agradecer ao Elos de Tavira o convite, em especial à Dr.ª Isabel Dias, simpático para mim e arriscado para vós, para estar aqui convosco neste agradável jantar e melhor ambiente e partilhar algumas reflexões sobre este tema que tem a particularidade de juntar três palavras todas elas envoltas em algumas confusões e malentendidos e prometendo esforçar-me por não ser pessimista nem excessivamente sonolento, ou seja não dormirem já, nem ficarem deprimidos no final.

 

Porque escolhi este tema

A razão de ter escolhido este triplo tema reside nos factos seguintes: estarmos a viver uma época fantástica pois no último meio século a humanidade inventou, descobriu e melhorou inúmeras tecnologias que permitem o acesso aos vastos conhecimentos existentes e a comunicação entre toda a gente esteja ela onde estiver completando assim a globalização iniciada pelos portugueses no século XV e ainda o de a população mundial ter passado de 1 bilião antes de 1900 para cerca de 7 biliões agora simultaneamente com aumentos significativos da esperança de vida.

Globalização esta que conforme foi demonstrado matematicamente pelo Prof. Carvalho Rodrigues foi iniciada e atingida durante o século, ou quase, em que os portugueses dominaram os mares do mundo, descobrindo todos os continentes embora dois deles (América e Austrália) mal tratados pela História, ou pelo menos pelos nossos historiadores.

 

Além disto existe uma enorme quebra na biodiversidade, consubstanciada em milhares de espécies já desaparecidas e muitas outras em vias disso, em milhões de hectares de florestas destruídas, em aumentos da percentagem de CO2 na atmosfera e aumentos da temperatura média do planeta, para ser muito resumido e, além disto, estamos a meio (talvez já com o fim à vista) de uma crise que significa na verdade o fim do capitalismo liberal após cerca de 20 anos antes ter-se dado o fim do marxismo comunista, e curiosamente não resisto à tentação de acrescentar: porque essencialmente ambos pecaram pela ganância desmesurada dos detentores do poder, num caso político noutro financeiro, independentemente doutras causas sistémicas.

 

De acordo com as notícias do dia em que figuram números assustadores de algumas dezenas de contaminados com a gripe A parece que o combate a esta pandemia é o assunto mais importante mas não podemos esquecer alguns números muito expressivos indicados no relatório da Cruz Vermelha como sejam: cerca de 2,6 biliões de pessoas vivem com menos de 2 dólares podia e 50 000 morrem por dia por miséria extrema, a malária que os portugueses tinham conseguido erradicar nos seus territórios, mata anualmente um milhão de pessoas e por aí fora.

 

E ainda uma contradição de funestas consequências: a droga, que obriga os países mais desenvolvidos a combaterem os produtores gastando milhões, enquanto estes ganham milhões a vendê-la aos primeiros e usando o mesmo sistema financeiro internacional.

 

Estamos de facto num período de profundas alterações que vão pôr à prova as capacidades de sobrevivência de toda a humanidade e em especial das suas cidades.

 

Não podemos esquecer que o primeiro dever do ser vivo é viver e para isso é preciso sobreviver pelo que as duas forças essenciais da evolução humana foram, são e serão a luta pela sobrevivência e a luta pelo poder.

 

Para facilitar esta abordagem vamos ver, embora de forma muito sintética:

 

Como surgiram as cidades


Convém aqui recordar que a vida que existe na Terra, e que ao longo de milhões de anos se desenvolveu e que moldou pelo menos em parte a evolução da sua superfície, é em si mesma um milagre pois se imaginarmos um gráfico das pressões e temperaturas no universo, que variam ambas entre zero e milhões das respectivas unidades, se processa num minúsculo quadrado com apenas algumas dezenas destas unidades em cada lado.

O Homem desde há alguns séculos começou a ter influência no ambiente e assim que conseguiu agrupar-se e produzir mais do que consumia iniciou a construção de cidades onde se desenvolveram todas as civilizações conhecidas porque o desenvolvimento implica a existência de inúmeros especialistas das tecnologias conhecidas e a existência de massa crítica populacional só possíveis num ambiente urbano.

 

Na verdade a grande diferença da vida rural para a vida urbana reside no facto de só esta permitir a complementaridade dos especialistas e a convivência activa e produtiva entre os habitantes, assim facilitando a divulgação dos conhecimentos e o seu aproveitamento, isto é o desenvolvimento de uma Cultura correspondente à sua identidade e que com ela inter-age.

 

Verificou-se ao longo da História que muitas cidades nasceram, cresceram e desapareceram sendo neste caso substituídas por outras, atingindo-se agora um número elevado de cidades com vários de milhões de habitantes cada, que precisam de receber do exterior praticamente tudo o que lhes é necessário para viver, mas fornecendo ao mundo o conhecimento e o progresso tecnológico.

 

O seu crescimento pode realizar-se por simples expansão de um centro único ou pela aglomeração de vários centros do que resultam frequentemente territórios urbanos com dezenas de km de extensão, mas sempre com redução das áreas naturais.

 

Só que neste momento e pela primeira vez na História, como a globalização está para ficar, já não está em causa a permanência ou a destruição de uma cidade mas toda a humanidade passou a ser uma metrópole dadas as facilidades existentes na comunicação, quer directa ou por sistemas de transporte de informação e assim total interdependência.

 

O que atrás foi apresentado serve para colocar agora dois pontos:

 

1º As cidades não podem continuar a crescer indefinidamente o que obriga a resolver problemas de gestão bastante delicados mas inevitáveis.

 

2º O paradigma do crescimento obrigatório da economia, herdado do século XIX tem que ser alterado para rigoroso critério de sustentabilidade onde a quantidade seja substituída pela qualidade.

 

Ou seja conseguir-se uma mudança cultural profunda.

 

Agora tratemos o futuro


Quando se fala em futuro há uma falácia que surge imediatamente: não é possível prever o futuro. O que se demonstra ser totalmente falso pois estamos constantemente a prevê-lo ou não fosse o presente apenas a passagem do passado para o futuro.

 

Na verdade tudo o que estamos a ver e a ouvir é sempre passado de forma que tudo o que pensamos fazer “agora” no momento a que chamamos presente é de facto futurologia a curto prazo.

 

O que se passa com a previsão do futuro é qual o prazo até onde é sensato e aceitável prever.

 

Convém agora examinar como pode evoluir a realidade e quais as causas de anomalias às nossas previsões que são baseadas no conhecimento do passado e no que temos vontade (mais do que desejamos) que aconteça.

 

Na maior parte dos casos extrapolamos as tendências do passado recente e as informações das previsões meteorológicas e das bolsas, além dos programas da TV e os espectáculos em que estamos possivelmente interessados e do que temos registado nas nossas agendas.

 

Por vezes programamos as férias, quem as tem programáveis, e na altura de escolher o curso em que nos iremos inscrever podemos tentar prever como será a actividade que iremos realizar e por aí fora durante toda a nossa vida vamos prevendo e revendo previsões umas vezes com algum sucesso outras vezes para esquecer.

 

Mas a História ensina-nos que a realidade sempre foi muita mais variada.

 

Com efeito os acontecimentos mais influentes na vida dos povos de que temos notícia como foram a invenção da imprensa que permitiu o início da globalização do conhecimento, o desenvolvimento das ciências que levou ao início da globalização mundial, a invenção do telescópio, da máquina a vapor, da lâmpada eléctrica, do telefone, das vacinas, das “microchips”, dos materiais de construção modernos, e tantos outros mais e ainda as muitas descobertas científicas que revolucionaram as energias e a medicina, não foram previstas.

 

Tudo isto aconteceu fora das previsões feitas no esquema normal de nos basearmos apenas na evolução mais ou menos recente.

 

Conta-se a história de um responsável pelo registo de patentes nos EU nas vésperas do aparecimento do telefone e da lâmpada que teria proposto fechar o dito registo porque já estava tudo inventado.

 

Para complicar mais esta questão temos ainda que chamar a atenção para o facto de algumas destas invenções e descobertas terem tido aplicações com efeitos extremos, isto é, muito boas e muito más como foi o caso, por exemplo, da dinamite e da energia atómica, a segunda muito criticada por ter sido o meio que provocou a morte a 200  000 pessoas e a primeira nada criticada mas tendo sido o meio usado para muitos milhões.

 

Portanto não nos devemos preocupar com as novas invenções mas antes com a existência de condições para elas acontecerem mas principalmente com o que devemos fazer para evitar grandes erros cujos resultados são previsíveis.

 

O conhecimento da evolução da Terra e do Universo também nos ensina que há numerosos fenómenos que constituem ameaças à nossa vida e para efeitos de previsão podemos classificá-los em três categorias:

 

1ª Aqueles em que nada podemos fazer além de rezar e portanto não vale a pena entrar com eles na previsão, excepto aprender a rezar.

 

2ª Aqueles para os quais podemos prever defesas para minorar os estragos e desenvolver métodos de previsão que ajudem como acontece com os tremores de terra, com os tsunamis e com os furacões e algumas mudanças climáticas.

 

3ª Aqueles em que as causas são de origem humana como a poluição e o crescimento populacional e aqui está a área onde a humanidade pode e deve actuar afim de melhorar o nível de qualidade de toda ela e permitir a sua sobrevivência.

 

Em resumo temos uma participação activa na definição do nosso futuro pois a nossa vontade é sem dúvida um factor essencial e tão essencial que ninguém se deve furtar a assumir a responsabilidade que lhe cabe nas decisões quanto às escolhas do futuro que se pretende ter.

 

E agora é a vez da Cultura,


não a do Ministério respectivo que introduziu a distorção do sentido da palavra, tal como aconteceu na Educação com os péssimos resultados à vista, mas aquela que, dentro do conceito filosófico, corresponde às actividades essenciais, às crenças, atitudes, instituições, comportamentos básicos, regras morais, valores e capacidade de adaptação ao ambiente, das populações e em especial das elites que as dominam e orientam e assim conduzem os seus destinos influenciando o tratamento da 3ª categoria das ameaças conforme atrás examinámos.

 

O desenvolvimento deste tema levar-nos ia a gastar o tempo todo e por isso limito-me a focar um aspecto fundamental da história de Portugal que ilustra de forma lapidar a importância da Cultura na vida de um povo.

 

Se olharem para um mapa da Europa, Portugal fica no extremo esquerdo inferior, longe do centro europeu, portanto obviamente periférico como se ouve dizer muitas vezes como desculpa para o atraso que nos assola há tanto tempo.

 

Com o desenvolvimento da Marinha portuguesa no século XV o mapa que passou a ser tratado pelos portugueses foi o mapa-mundo em que Portugal figura no seu centro, deixando pois de ser periférico e se tornar num país central, à escala mundial.

 

Isto resultante de termos então uma Cultura de inovação, espírito científico e tecnológico, audácia, capacidade empresarial e operacional, definição do essencial e haver responsáveis mais voltados para as obras que para os papéis.

 

Após 1974 até cerca de 95 fomos destruindo a Marinha que tínhamos e transformámo-nos novamente num estado periférico de que tínhamos iniciado o afastamento em 1945, (quando foi dado o impulso para a sua criação) sem que os muitos economistas e políticos de excelente nível que temos tivessem dado conta disso e feito alguma coisa para alterar esta rota de colisão em que temos andado.

 

Há pois actividades e atitudes componentes da Cultura que são essenciais para a identidade, para o desenvolvimento e até para a sobrevivência de um povo da mesma forma que as há que são exactamente contrárias a estes objectivos como sejam: a proliferação de estabelecimentos de vida noturna para jovens menores, o baixo nível da sua educação global, o deficiente funcionamento da justiça, o investimento decidido na base do imediato e do mediato, a corrupção, a ineficácia, etc.,etc.. 

Esta Cultura é dinâmica, ou deve ser, pois como é ela que preside à adaptação da população à evolução da vida envolvente se assim não for isso significa a estagnação e no extremo a extinção da identidade que distingue essa sociedade das outras.

 

A palavra-chave para a sobrevivência de qualquer ser vivo, e portanto também para nós é adaptar-se, obviamente em tempo útil.

 

O exemplo do afogado é paradigmático: se queremos que alguém não se afogue temos que a ensinar a nadar antes de cair à água porque depois não dá tempo…

 

E aqui entra a importância da Educação, também outra vez não a do Ministério respectivo que é mais da Instrução, mas da autêntica pois há que adicionar-lhe o efeito dos enquadramentos e dos exemplos que tanto tem faltado e que são muito mais influentes que a própria matéria ensinada na escola.

 

Finalmente a cidadania e a conclusão


Surge assim a importância essencial das organizações de cidadania em geral, de âmbito local ou internacional, que equilibram e complementam as organizações políticas, partidárias e corporativas que a experiência tem demonstrado serem insuficientes para a defesa dos interesses do País e por isso terem que ser complementadas com a participação operacional de todos aqueles que querem ter voz activa, sem os compromissos de luta pelo poder e por interesses próprios que sendo ambos necessários e fatais introduzem sempre distorções características da natureza humana.

 

Na verdade a evolução dum povo depende exteriormente da sua interacção com os seus vizinhos, com uma noção de vizinhança muita larga, e internamente da interacção das suas elites com a restante população e das características de ambas.

 

Mas se as elites não se mostrarem à altura necessária e suficiente para a resolução dos problemas existentes, o que fazer? e como?

E assim fica a capacidade de actuação da cidadania com parte do peso da responsabilidade de realizar as mudanças indispensáveis.

Muito aproximado do que aconteceu na crise de 1383-1386.

 

E para terminar, afinal o que poderei sugerir para a previsão do futuro próximo?

 

Estas previsões sempre houve tendência para serem aproveitadas para impressionar as populações e já que se torna difícil convencê-las com razões, sempre é mais fácil meter-lhes medo e assim com frequência são apocalípticas.

 

E de facto podem sê-lo.

 

Mas julgo preferível ir pelo caminho da previsão condicionada:

 

Grande desenvolvimento em tecnologias no campo da genética, das nanotécnicas, dos materiais…e doutras inovações ainda desconhecidas.

Política nacional: as previsões a nível nacional não são famosas, a nossa riqueza continua a cair como tem acontecido desde há cerca de 40 anos mas estão surgindo jovens promissores e deveremos corrigir a atual Constituição que tem a particularidade de ser bi-presidencialista e pouco operacional.

 

Política internaconal: parece certo não haver tão cedo nenhuma potência dominante como aconteceu com a Inglaterra no século XIX e os EU no século XX pois agora temos a China, a Índia, a Rússia, o Japão, o Brasil e a Europa mais no comercial que no político porque para isso acontecer seria preciso haver uns estados unidos da Europa e os europeus não são capazes de tal proeza.

 

Energia: vai custar mais cara quer por razões ecológicas quer pelos custos de produção pelo que teremos que nos adaptar a transportes mais caros e a mudanças nos sistemas de produção e distribuição e a dar mais importância à mão de obra. A falácia do hidrogénio não passa disso porque ele só serve para transportar energia e não como matéria prima.

 

Matérias primas/manutenção e reciclagem: a carência de matérias primas e o aumento do custo da sua extracção vai reforçar o que se disse no item anterior com ênfase nestas actividades.

 

Mão de obra: a gestão dos recursos humanos vai ter que mudar pois há que se adaptar aos enormes volumes de mão de obra e à necessidade de resolver as questões de produtividade simultaneamente com o combate à precaridade e ao desemprego que estão na origem de grandes convulsões sociais.

 

Pobreza/Riqueza: o facto de haver cerca de metade da população mundial com nível de extrema pobreza obriga a encarar esta questão de forma imediata e eficaz pois não se trata de acabar com os ricos mas sim acabar com os pobres o que só será possível com um sistema de gestão mundial que equilibre os principais interesses de toda a população.

 

Alimentação/fome: está na mesma linha de pensamento e acção que o anterior com a agravante de que a fome tem efeitos muito rápidos e a alimentação está ligada à gastronomia e aos excessos alimentares que dificulta a adopção de sistemas inteligentes de gestão da produção que é naturalmente limitada, além do espectro da especulação.

 

Segurança /liberdade: a facilidade de comunicação veio aumentar as necessidades de combater a insegurança daí resultante o que obrigará a meios mais apertados de vigilância o que significará mais restrições e até eventualmente menos liberdade. Trata-se de um equilíbrio difícil de atingir onde a cidadania terá, e já tem, enorme importância.

 

Educação: para que seja possível a mudança de quantidade para qualidade é indispensável alterar o actual equívoco prestando a devida atenção aos sistemas de enquadramento e aos exemplos dados pelos mais velhos e mais importantes, o que na prática inclui quase toda a gente menos as crianças e mesmo nestas só as mais novas.

 

Organização do trabalho e das reformas: como corolário do que atrás foi dito é essencial rever tudo o que existe pois é forçoso ter um conceito de trabalho que permita prolongar a vida produtiva de cada um, porque se não for assim não haverá dinheiro para pagar as reformas, não será possível aproximarmo-nos do pleno emprego nem dar possibilidades de mínima realização pessoal à maioria da população.

 

No caso da nossa cidade a previsão otimista é finalmente termos desenvolvimento náutico que atrairia muitos interessados todo o ano e não apenas mês e meio como tem sido a ideia do sol e praia e tornar esta cidade um pólo de excelência da náutica de recreio dando-lhe a vida que todos ambicionamos com a criação de numerosos postos de trabalho bem valorizados e o fim dos muitos fogos devolutos.

 

Tudo problemas de gestão, difíceis de resolver com certeza, mas possíveis e na minha opinião a única solução para pôr de lado as visões apocalípticas.

 

Gestão que não seja apenas para dar lucro pelo lucro mas que contribua de facto para melhorar as condições de vida de todos e assente nos três pilares essenciais: a sabedoria, o poder e a caridade.

 

Para já temos um tempo magnífico e como já passámos por fases bem mais complicadas havemos de descobrir como continuar a viver e tenho esperança que seja com a maior participação das organizações de cidadania.

 

Muito obrigado pela vossa atenção

Comnicação apresentada no Elos de Tavira

Tavira, 8 de Agosto de 2009

 

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 19:50
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Portugal e a Cultura do Mar

O excelente artigo intitulado “Portugal e as Ciências do Mar” publicado na Revista de Marinha em Outubro/Novembro de 2009 da autoria de Ricardo Serrão Santos do IMAR deu-nos uma visão bastante completa das potencialidades científicas do “nosso” mar e até poderei dizer optimista do seu possível aproveitamento em benefício da nossa população actualmente tão castigada com o espectro do desemprego em crescimento de quantidade e de duração.

 

E havemos de concordar que ser optimista é saudável e agradável, mas convém analisar esta situação com todo o realismo que o bom senso, o tal que Descartes defendia, para que aumentem as probabilidades de atingirmos os objectivos essenciais do País e portanto das suas gentes.

 

Assim surgiu a ideia de mais esta minha pequena contribuição em continuação de outras que venho fazendo ao longo destes últimos 35 anos em que procurarei mostrar a relação entre o desenvolvimento, obviamente sustentado, que é o único que interessa considerar, e a Cultura do nosso País.

 

O que obriga ao imediato esclarecimento de que cultura estou a falar.

 

Certamente não a do Ministério respectivo que introduziu a distorção do sentido da palavra, tal como aconteceu na Educação com os péssimos resultados à vista, mas aquela que, dentro do conceito filosófico, corresponde às actividades essenciais, às crenças, atitudes, instituições, comportamentos básicos, regras morais, valores e capacidade de adaptação ao ambiente, das populações e em especial das elites que as dominam e orientam e assim conduzem os seus destinos.

 

O desenvolvimento deste tema levar-nos ia a gastar o tempo todo e por isso limito-me a focar um aspecto fundamental da história de Portugal que ilustra de forma lapidar a importância da Cultura na vida de um povo.

 

Se olharem para um mapa da Europa, Portugal fica no extremo esquerdo inferior, longe do centro europeu, portanto obviamente periférico como se ouve dizer muitas vezes como desculpa para o atraso que nos assola há tanto tempo.

 

Com o desenvolvimento da Marinha portuguesa no século XV o mapa que passou a ser tratado pelos portugueses foi o mapa-mundo em que Portugal figura no seu centro, deixando pois de ser periférico e se tornar num país central, à escala mundial.

 

Isto resultante de termos então uma Cultura de inovação, espírito científico e tecnológico, audácia, capacidade empresarial e operacional, definição do essencial e haver responsáveis mais voltados para as obras que para os papéis.

 

Após 1974 até cerca de 95 fomos destruindo a Marinha que tínhamos e transformámo-nos novamente num estado periférico de que tínhamos iniciado o afastamento em 1945, (quando foi dado o impulso para a sua criação) sem que os muitos economistas e políticos de excelente nível que temos tivessem dado conta disso e feito alguma coisa para alterar esta rota de colisão em que temos andado.

 

Há pois actividades e atitudes componentes da Cultura que são essenciais para a identidade, para o desenvolvimento e até para a sobrevivência de um povo da mesma forma que as há que são exactamente contrárias a estes objectivos como sejam: a proliferação de estabelecimentos de vida noturna para jovens menores, o baixo nível da sua educação global, o deficiente funcionamento da justiça, o investimento decidido na base do imediato e do mediato, a corrupção, a ineficácia, etc.,etc.. 

 

Esta Cultura é dinâmica, ou deve ser, pois como é ela que preside à adaptação da população à evolução da vida envolvente se assim não for isso significa a estagnação e no extremo a extinção da identidade que distingue essa sociedade das outras.

 

Então havendo já uma orientação bem definida para as actividades científicas relativas

ao Mar o que se passa com todas as outras actividades que deverão constituir a tal Cultura do Mar sem a qual dificilmente haverá o desejado desenvolvimento?

 

Convém recordar que do ponto de vista político também já há comprometimento total dos Órgãos de soberania, mas como estamos do ponto de vista desta Cultura?

 

Qual é a participação da população em geral em actividades marítimas?

 

Quantas empresas temos em transportes marítimos e qual a sua posição no negócio marítimo mundial?

 

Qual é a evolução das nossas Pescas nestes útimos anos? E porquê?

 

Por que razão temos a marinha de recreio mais reduzida da Europa mais ocidental?

 

Por que razão depois de termos tido dos maiores estaleiros do mundo estamos agora tão fracamente representados?

 

Por que razão a nossa população está de costas para o Mar como se pode apreciar pelo tratamento que é dado a zonas que deviam ser exclusivamente para actividades marítimas como são todas a áreas ribeirinhas e o que vemos é construirem-se edifícios que podiam e deviam estar em qualquer outro lado diminuindo drasticamente a capacidade  marítima dessas cidades?

 

 

 Para combater esta situação que nos coloca outra vez na situação em que estivemosnos finais do seculo XIX com o tristemente célebre caso do mapa cor de rosa, como aliás já tive ocasião de assinalar na Academia de Marinha em 1985, é forçoso e urgente, urgentisimo, intensificar o desenvolvimento das actividades marítimas mais próximas da população para que esta siga a máxima antiga de navegar é preciso.

 

Enquanto nos limitarmos a reuniões, conferências, passeios, foruns, estudos e mais estudos por vezes nada baratos, mas não houver gente a navegar seja por desporto, por profissão, por negócio ou outras razões lícitas nunca conseguiremos ter uma cultura do Mar e aspirar a através dele  sairmos desta apagada  e vil tristeza em que nos encontramos agora no mesmo patamar de riqueza, ou de pobreza, dos nossos avós no início do século XX.

 

Esperemos pois que rapidamente os nosso responsáveis pelas estruturas portuárias realizem as que são necessárias e que na maior parte dos casos nem precisam de depender do OGE e criarão imediatamente centenas ou mesmo milhares de postos de trabalho.

 

Lisboa, 15 de Novembro de 2009

 

Publicado na Revista de Marinha em Dezembro 2009/Janeiro 2010

 

 

 

 

                                                            



publicado por JoseViana às 19:24
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