Segunda-feira, 30 de Novembro de 2015
O apogeu e a queda: os descobrimentos e agora

Nota prévia: este texto foi preparado há cerca de quatro meses e portanto não sofreu qualquer influência dos acontecimentos políticos atuais

Vou apresentar-vos uma comparação de dois períodos da nossa história de forma a contribuir para tentarmos formar uma ideia do que podemos ou devemos fazer para construir o nosso futuro, admitindo-se que sempre se pode ter alguma influência nele desde que, pelo menos, tenhamos independência e vontade.

Antes de iniciar o tema proposto quero esclarecer um ponto essencial que é o da independência nacional. Aliás sempre foi e será de qualquer país.

A definição de independência é ter poder de decisão por si próprio, sem ter que pedir autorização a outro ou outros, para conduzir a sua vida e portanto a sua capacidade de sobrevivência e de desenvolvimento. Ganha-se ou perde-se quase sempre pelas ações daqueles que detêm o poder.

 Por outro lado não podemos esquecer como se processa o desenvolvimento de um País, ou seja como se cria riqueza vivendo-se num sistema de livre iniciativa, pois num sistema coletivista é diferente, todo o capital é do Estado e a liberdade não existe.

Assim para que haja criação de riqueza tem que haver empresas que produzem bens e/ou serviços para uso interno e para exportação utilizando tanto quanto possível capitais próprios, que por vezes poderão ou até deverão ter participação parcial ou total do Estado em casos especiais de defesa da independência do País, embora também recorrendo criteriosamente a empréstimos o que implica a existência de incentivos ao desenvolvimento dos primeiros e de controles efetivos das movimentações de capitais de forma a garantir que a riqueza produzida é devidamente distribuída a todos os colaboradores.

 Se assim não for organizada e a criação de riqueza se fizer à custa de favores políticos a algumas entidades que produzem bens e/ou serviços dispensáveis que no entanto se tornam em consumos obrigatórios em virtude de determinações políticas ou à custa da concentração excessiva dos lucros sem serem devidamente distribuídos pelos colaboradores e exportados clandestinamente para o exterior os resultados serão o desequilíbrio das finanças públicas e o aumento das desigualdades sociais.

Portanto em termos resumidos um país para ser independente tem que ter uma ligação operacional entre o poder político e o poder económico (entenda-se todos os participantes nele) e ter uma população motivada coerentemente o que implica o empenho e a eficiência global das chefias.

Posto isto vamos iniciar o tema proposto:

O apogeu

Antes de 1140 não havia portugueses. As populações que habitavam o território depois denominado Portugal eram muito diversas como consequência das inúmeras invasões e da nossa costa ser passagem obrigatória nas ligações marítimas entre o mediterrâneo e o norte da europa desde há muitos séculos.

O norte da península ibérica foi ocupada depois das queda do império  romano pelos visigodos que aí contituiram vários reinos e condados que conseguiram resistir às invasões árabes e progressivamente foram reconquistando territórios. Portanto a origem de Portugal foi um Condado onde havia desde há séculos uma organização efetiva.

Foi aqui que nasceu Afonso Henriques que teve a ambição de criar um reino reconquistando o território a sul pois era o único acessível.

Assim se desenvolveu a criação do país e do português até 1383 e onde teve papel essencial a relação intensa do poder político, nesse tempo o poder régio, com a burguesia em particular nas cidades Porto, Lisboa e Lagos que eram as que tinham os melhores portos por onde passavam as ligações com os mercados do norte da europa e do mediterrâneo.

Com a morte do rei D. Fernando gerou-se um conflito entre a nobreza naturalmente ligada ao rei D. João de Castela casado com a filha de D. Fernando e D. João, Mestre de Aviz e filho bastardo de D.Pedro I apoiado pela atrás citada burguesia donde resultou a revolução de 1383.

Assim foi possível a subida ao trono de D.João I com o apoio dessa burguesia em confronto com a nobreza que apoiava D. João de Castela e mais tarde realizar a conquista de Ceuta que só foi possível porque já então Portugal tinha uma Marinha bastante forte. Só para se ficar com uma noção mais concreta dessa dimensão basta recordar que foram utilizadas mais de 200 naus para transportar o exército e não houive qualquer notícia de ter havido perturbações na vida comercial do País.

E depois iniciar a expansão europeia ao realizar os descobrimentos marítimos pois tínhamos Marinha e empresas privadas e ainda a colaboração da Ordem Cristo, herdeira dos Templários com toda a sua capacidade de organização e operacionalidade.

E atingimos o apogeu: criámos a Marinha mais moderna e poderosa da época, descobrimos o regime de ventos e correntes do Atlântico, o continente americano, o caminho marítimo para a India e todo o oriente, impulsionámos o desenvolvimento da europa, do renascimento ou seja da era moderna.

 

Mas por um lado a substituição da elite dominante que produziu os descobrimentos por outra baseada em rendas e não em trabalho produtivo e a entrada no País de grandes quantidades de dinheiro fruto de negócios de intermediação sem distribuição equitativa criaram condições propícias à prática de atos de gestão catastrófica que se foram sucedendo ao longo dos séculos e assim desperdiçando as imensas riquezas que os descobrimentos marítimos nos proporcionaram.

Até…

Agora

 A palavra “Agora” do título começa de facto há cerca de trinta anos quando se iniciam as chegadas dos euros vindos da europa e dos bancos com enormes facilidades de crédito que uma vez mais foi uma onda de dinheiro fácil, que como não podia deixar de ser teve os efeitos já conhecidos há muitos anos mas em circunstâncias mais complicadas do ponto de vista internacional.

No princípio da década de 90 iniciou-se um período de viragem política na direção do neoliberalismo muito favorável a este tipo de desenvolvimento em parte apoiado nos elevados níveis de vida criados pelos países social-democratas depois da guerra 39-45 porque as novas gerações já tinham perdido a consciência das dificuldades vividas naqueles tempos belicosos.

Entraram no País centenas de milhares de milhões de euros mas o nosso PIB não cresceu como deveria ter sido se tivesse havido aumentos de investimentos produtivos em vez de consumos grande parte deles importados.

Em lugar de aumento de riqueza do País houve aumento da riqueza de alguns intermediários, de facto demasiados para o meu gosto, com a contrapartida do aumento do desemprego, da pobreza e das desigualdades.

Embora a nossa Constituição determine serem os Órgãos de Soberania responsáveis pela independência nacional esta tem sido diminuída no que respeita à economia e às finanças até níveis idênticos aos do início do século XX.

E isto perante a passividade da maioria dos nossos mais ilustres membros da inteligência nacional.

E das três uma: ou não sabem ou querem esconder qualquer negócio dos muitos que causaram a atual situação ou entraram na classificação em tempos dada por Aquilino Ribeiro que dizia sermos um País de estassemaribandistas.

Então e agora como vai ser a nossa evolução?

Parece-me haver duas alternativas:

1ª conseguirmos ter Órgãos de Soberania e responsáveis corporativos, que relembro são eleitos por nós, capazes de corrigir os erros estruturais que tantas dificuldades e prejuízos provocaram, como os factos confirmaram ao necessitarmos de auxílio externo, que nos governem corretamente e assim podermos pagar lenta mas seguramente as nossas dívidas e termos bom nível de vida sustentado por mais competitividade e desenvolvimento;

2ª continuar como estamos e ficarmos dependentes do desenvolvimento espanhol que talvez nos proporcione alguma melhoria dentro das limitações resultantes de termos perdido a nossa independência pois, não tendo Marinha nem o controle das atividades essenciais, ficaremos praticamente como uma região empobrecida da península ibérica.

Lisboa, XXI Colóquio dos Olivais, 25 de Novembro de 2015

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 12:48
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2015
Desabafo curto e preocupado

A página 7 do DN publicado hoje é a imagem do que se está a passar e que originou este desabafo.

Com efeito no lado esquerdo tem a comparação dos pontos essenciais das duas propostas em confronto no Parlamento e no lado direito tem um artigo do Prof. Soromenho Marques onde vem claramente exposta a dimensão da desastrosa gestão a que Portugal esteve sujeito desde a nossa adesão à CE e ao Euro.

Ora a questão de fundo da nossa economia é a baixa competitividade e portanto também a baixa produtividade global em grande parte por falta de capitais aplicados em produção e na própria banca nacional e assim dependermos demais de capitais externos.

Depois de Abril de 74 verificou-se um ataque feroz ao capital privado, que nunca foi devidamente corrigido mas até agravado durante e depois do governo do Prof Cavaco Silva, o que tem prejudicado fortemente a nossa recuperação económica. No entanto como se tem verificado haver aumentos nas exportações e no turismo, provavelmente mais por atuação dinâmica das empresas que por ações dos governos, convirá conhecer as razões pelas quais o PIB não cresce como parece que devia crescer.

Sem esquecer o facto de se terem “privatizado” várias empresas lucrativas cujos dividendos passaram a ser distribuídos para acionistas estrangeiros o que não só diminui a nossa riqueza global mas ainda por cima destrói a nossa independência económica. E esta solução não era a única a adotar, mas foi a mais fácil e mais interessante para os intermediários…

Pois bem nas listas apresentadas no lado esquerdo da página do DN nem uma palavra sobre como aumentar o nosso desenvolvimento económico, isto é, a nossa criação de riqueza sem a qual não pode haver melhoria de vida para a população. Incluindo a explicação porque há projetos que permitiriam criar milhares de postos de trabalho que estão à espera de decisão de governantes e de autarcas e nada acontece de positivo.

É pois forçoso de uma vez por todas aceitar e praticar a gestão do País que aumente a riqueza e saiba distribui-la, para evitar a tendência mórbida do neoliberalismo em curso de aumentar as enormes diferenças de rendimentos que se verificam nos países mais avançados, como é exemplo os EUA , acompanhadas pela destruição da classe média.

Lisboa, 9 de Novembro de 2015



publicado por JoseViana às 19:13
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