Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011
História de Portugal muito resumida

Portugal começou com um Conde vindo do norte da Europa para ajudar a realizar a reconquista da península, que casou com uma filha do rei de Leão e tomou conta do Condado Portucalense tendo nascido deste casamento D. Afonso Henriques, que mais tarde decidiu desenvolver o Condado para ser país independente, pelo que teve que se revoltar contra os partidários da dependência, naturalmente ligados a sua Mãe.

Conseguiu a independência em 1140 e rapidamente expandiu a fronteira numa linha de perto de Barca de Alva até Lisboa criando assim Portugal e depois alargando o território até abaixo do Tejo.

 

Quase um século depois o rei D. Afonso III, que antes vivia em Boulogne, e por isso foi cognominado “O Bolonhês”, veio ocupar o trono tendo reorganizado o estado e  iniciado a intensificação das ligações com o norte da Europa  o que permitiu seu filho D. Dinis, que entretanto tinha recebido de seu avô D. Afonso X, rei de Leão e Castela, como presente o Algarve, continuar a organizar o país e iniciar o desenvolvimento da nossa marinha.

 

Cerca de 1380 a situação política complicou-se, pois o rei D. Fernando morreu, deixando uma filha casada com o rei de Castela, e o país dividido entre os partidários  deste, que era a maior parte da nobreza, e os partidários de D. João, Mestre de Avis e irmão bastardo do rei, que era apoiado principalmente pela burguesia de Lisboa e Porto, onde havia elevada percentagem de judeus sefarditas, e tinha excelentes relações com a Inglaterra.

 

Assim foi o Mestre de Aviz o rei D. João I, que com estes apoios e a escolha de Nuno Álvares Pereira para chefiar o exército português conseguiu derrotar o rei castelhano, garantir a independência do país e dar origem à dinastia de Avis, e como o desenvolvimento só se podia realizar para sul e poente, isto é, pelo mar, a estratégia então decidida foi a expansão marítima.

Não com reuniões e congressos, mas com navios e portanto com marinheiros e demais profissionais náuticos começando com Ceuta, depois ao longo da costa de África e pelo meio do Oceano  Atlântico, Portugal foi alargando o seu território e o conhecimento das correntes e dos ventos que lhe permitiu nos finais do século XV, sob o comando de D. João II conhecer todo o oceano do norte e do sul e a passagem para o Oceano Indico pelo Cabo da Boa esperança.

 

Depois, empurrou os castelhanos para a América central  (com Colombo e o Tratado de Tordesilhas) deixando o caminho aberto para Vasco da Gama chegar à India em 1498, com naus e não só com caravelas, e em 1500 Álvares Cabral tomar posse do Brasil.

Nas décadas seguintes foi estabelecido o Império do oriente ligando Portugal até ao Japão, tendo inclusive chegado à Austrália, e tendo a Marinha mais poderosa dessa época.

 

Fomos na verdade então um país central, portanto não periférico como agora, a ponta de lança da expansão europeia e um dos fatores essenciais do renascimento europeu.

Mas entretanto, após a morte de D. João II, a parte da nobreza que havia sido enfraquecida durante a guerra com Castela em 1386, aumentou o seu poder e conseguiu destruir a influência da burguesia, através da perseguição e da expulsão dos judeus, e assim instaurar uma cultura de desprezo ao mérito em favor do compadrio e do negócio imediato, que havia de perdurar e influenciar toda a vida nacional até aos tempos presentes.

 

Como consequência disto a gestão do reino foi-se deteriorando e o rei D. Sebastião fechou este ciclo com o desastre de Alcacer Quibir a que se seguiu um período de 60 anos com reis espanhóis.

Recuperada a independência com a ajuda da Inglaterra e da França retomámos a exploração do Império mas cometendo erros de gestão que não nos permitiram participar no desenvolvimento europeu, gastando mais em consumo que em investimentos produtivos e desprezando a educação da população, inclusive da própria elite dominante altamente ignorante.

Tudo isto agravado pelo terramoto de 1755 e pelas invasões francesas no início do século XIX que devastaram o país, ao que somou a perda do Brasil que se tornou independente já que a alternativa seria a capital do império passar para o Rio de Janeiro.

O século XIX acabou mal com os erros na gestão colonial que culminaram com o episódio do ultimatum  da Inglaterra, seguiu-se o assassinato do rei D. Carlos e pouco depois a queda da monarquia em 1910.

 

A República mudou a forma de acesso ao poder mas não a cultura, mantendo-se assim todos os esquemas de má gestão iniciados no século XVI, o que explica as ocorrências revolucionárias, as dificuldades económicas e sociais que devastaram o país e originaram o baixíssimo grau de instrução da maior parte da população.

Desta situação resultou o estabelecimento duma ditadura que durou quase 50 anos mas, embora não corrigindo todos os erros de gestão anteriores, os compensou com disciplina forçada e que permitiu evitar os desastres ocorridos na I guerra mundial e a participação na II, chegando nos anos 60 a atingir uma situação económica razoável.

 

Mas principalmente os erros cometidos na gestão das colónias, somados à inadaptação às mudanças provocadas pela evolução mundial conduziram primeiro às guerras coloniais e depois à revolução de Abril de 1974.

Aliás também depois desta revolução, mais perdida pelo poder vigente que ganha pelos revolucionários (como tinha acontecido em 1910), Portugal continuou a manter a tal cultura pouco eficiente que nos atormentava desde há muito tempo, agravada pela convicção de muitos portugueses de que viver gastando mais do que o que produz é um direito adquirido nada devendo ser feito para corrigir esta loucura, e atingiu os resultados que estão bem à vista na necessidade de termos uma “troika” estrangeira para nos emprestar dinheiro, pois não temos meios sequer para pagar o que comemos, tudo isto com muitos protestos mas sem propostas alternativas.

 

Moral da história: não é a primeira vez que passamos por dificuldades deste tipo e a forma mais eficaz de corrigir este rumo à bancarrota e à fatal miséria daí resultante é alterarmos a cultura vigente, usando os meios que hoje existem e antes não existiam, sem incluir greves de caráter partidário, para pressionar os poderes instalados a adotarem os procedimentos e as atitudes da cultura do valor do mérito, do investimento correto, da predominância do essencial sobre o acessório, da Justiça e da Democracia, da responsabilização sistemática de tudo e de todos, enfim de tudo o que permitirá uma gestão eficiente e assim, todos, e não apenas alguns, viverem bem e de forma sustentada.

 

Publicado no DN em 16 de Novembro de 2011

 

 

 

 

 

 



publicado por JoseViana às 22:02
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