Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
O que será pior: as PPP ou os PPP

Têm sido muito comentadas as consequências funestas para a economia deste país as várias PPP (Parcerias, Público-Privadas) que foram criadas para se conseguirem realizar projetos, muitos deles de utilidade duvidosa, fugindo ao controle que deveria haver mais eficiente, e garantindo aos nossos filhos e netos uma sobrecarga de dívidas para muitos anos, além da contribuição para o desequilíbrio atual..

 

Foram de facto péssimas as decisões que tornaram reais estas situações, mas deve perguntar-se: quem as tomou?

 

Ora ainda há dias na comunicação social aparecia a informação de que cerca de 78% da despesa total do nosso Estado é constituída por pensões e custos de pessoal dele dependente, razão pela qual o atual Governo, para atingir os valores que permitirão termos acesso ao crédito, que é essencial para sobrevivermos, se viu forçado aos cortes que até alguns partidos políticos, com enorme responsabilidade nesta situação, tanto criticam.

 

É preciso não esquecer que para lhes pagar é indispensável cobrar mais impostos o que significa tornar menos competitivos aqueles que produzem e criam riqueza (e que são poucos) o que nos faz cair numa espiral de perda crescente, como se pode verificar pelo valor enorme das dívidas acumuladas.

 

Voltando à pergunta formulada dois parágrafos atrás: quem as tomou?

 

E já agora mais outra pergunta: e quem constitui a parcela não produtiva da nossa população que provoca todo este desequilíbrio?

 

A resposta a ambas é: os PPP.

Ou seja: os Partidos Políticos e os Parasitas.

 

Os primeiros porque em democracia, que todos tanto apregoam, devem ser eles a preparar pessoas competentes e honestas para ocuparem os cargos inerentes ao exercício do poder, sempre devendo ter como objetivo essencial o bem do país e não apenas o bem do partido ou de alguns dos seus membros, poder esse obviamente conseguido em eleições, em que seria desejável toda a gente participar.

 

Porque não o fazer, isto é abster-se, é próprio de regimes ditatoriais. Ou então consequência de falta de aproximação dos partidos à população e sinal de baixa eficiência dos responsáveis por esses partidos.

 

Da mesma forma que a dificuldade de os partidos em apresentarem candidatos com o nível de qualidade correspondente á importância dos cargos a preencher também resulta de falha gravíssima desses mesmos responsáveis.

 

Curiosamente sempre que há eleições e se verifica a enorme abstenção, os políticos aparecem a lamentar-se, e até por vezes a acusar os eleitores de falta de civismo, mas os responsáveis são eles e mais ninguém.

 

Para ilustrar esta deficiência dos partidos basta recordar a ausência total de vontade política, isto é, dos políticos que estão na Assembleia da República, de legalizar o combate à corrupção começando por estabelecer as regras que devem gerir os conflitos de interesses, e de garantir a eficiência dos órgãos de controle, como  por exemplo o Tribunal de Contas, de forma a reduzir, ou eliminar se possível, os casos que se têm verificado com tantos prejuízos para o País.

 

Além disto verifica-se também que os mesmos partidos, que tanto contribuíram para a situação atual de quase bancarrota do nosso país, e que quando podiam ter alterado o rumo de colisão nada fizeram de positivo, antes pelo contrário ainda agravaram mais os erros e desmandos, agora aparecem na rua a protestar como se estivéssemos outra vez em tempo de ditadura.

 

De facto na ditadura foi preciso ir para a rua para mudar para a democracia, mas agora não seria preferível os partidos conseguirem ser mais eficientes e mais conscienciosos e resolverem os problemas do País nas eleições e no Parlamento?

 

E darem provas de que o seu objetivo é melhorar a gestão do País e não apenas a obtenção de benefícios insustentáveis e a satisfação momentânea dos responsáveis das suas organizações corporativas.

 

Ficam para o fim os Parasitas. Isto é: aqueles que recebem salários ou pensões mas não contribuíram ou contribuem com qualquer atividade que justifique esse pagamento.

 

Aqueles que estando ainda no efetivo, e que é a maior parcela, mas em nada contribuem para a riqueza do país, dividem-se em dois  grupos: os que não têm qualquer responsabilidade por se encontrarem em tal situação e para quem há que encontrar outras funções úteis e os que por razões de compadrio político ou outro se instalaram nessa situação, para os quais a solução é demiti-los.

 

Estão espalhados por serviços dos ministérios mas também muitos nos municípios, que já deviam ter iniciado por sua iniciativa própria a remodelação indispensável, aproveitando as oportunidades que existem, tanto na agricultura como no turismo e outras atividades, aliás muitas delas dependentes de decisões dos próprios municípios.

 

Além de muitos outros em empresas e fundações públicas que usufruem de condições excepcionais mas que não contribuem de forma a corresponder pelo serviço prestado ao que recebem.

 

Quanto aos pensionistas também existem entre eles, os que recebem pensões para as quais não contribuíram, e que parecem ser as mais elevadas, devendo pois serem devidamente reduzidos às dimensões equivalentes às normais.

 

Conclusão:

Pior que as PPP só mesmo os PPP, até porque são eles que as fizeram e ainda não corrigiram os erros que praticaram e nos conduziram à situação atual.

 

Lisboa, 15 de Dezembro de 2011

Publicado no DN em 28 de Dezembro de 2011



publicado por JoseViana às 10:02
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Julho 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

A austeridade e as confus...

Turismo: atividade económ...

As ausências de Portugal ...

Alguns esquecimentos impo...

Atenção eleitores, temos ...

Como baixar a abstenção

O Forte de Peniche e a ve...

Agora é preciso crescer!

Um referendo e a falência...

Energia vs água: mais doi...

arquivos

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Março 2017

Janeiro 2017

Outubro 2016

Setembro 2016

Junho 2016

Maio 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Novembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Outubro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Contador de Visitas
blogs SAPO
RSS