Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014
Os distraídos do nosso turismo

 

O DN do domingo passado apresentou um trabalho bastante desenvolvido sobre o nosso turismo donde ressalto algumas afirmações: o crescimento em volume de turistas e em receitas globais mas pouco ou nenhum crescimento na receita per capita, isto é por turista.

O que obviamente não espanta quem esteja ligado a esta atividade económica e não se tenha distraído pois durante as últimas décadas andámos a desenvolver o “sol e praia” gastando avultadas quantias em “promoção” esquecendo a definição de turismo e portanto não aplicando as regras básicas da gestão eficiente, que obriga a definir os objetivos a atingir, os meios para o conseguir, e o controle de resultados de forma a ir adaptando o trabalho a fim de ir melhorando a sua atuação.

Convém agora rever a definição de turismo que uso desde 1973 em que fui forçado a estudar este assunto quando fui responsável pela transformação do Funchal em navio de cruzeiros: atividade económica global e sistémica em que o produto a consumir não é levado ao cliente mas é este que vem consumi-lo.

Portanto é evidente que o cliente ideal é o que mais valor acrescentado proporciona, o que implica cuidar da qualidade do produto oferecido, o que aconteceu em alguns casos como por exemplo com a Quinta do lago, com Vale do Lobo, com os cruzeiros no Douro, com o aumento do golfe e está a acontecer agora com a nossa gastronomia,  mas que a tolice do sol e praia foi o exemplo exatamente do contrário.

Entretanto já lá vão quase trinta anos que temos lutado contra este erro que já custou muitos milhões de prejuízo ao País e milhares de postos de trabalho que tanta falta nos fazem, sem que a comunicação social, os governantes e os responsáveis corporativos abandonem essa distração, que tem sido o desprezo pela Marinha que é um fator essencial, uma vez mais na nossa história, para sairmos desta apagada e vil tristeza de sermos um País empobrecido e periférico, por ser mal governado.

Com efeito fazemos cais para receber navios estrangeiros com turistas que deixam cá algumas dezenas de euros cada um, mas quando quisemos ter navios nossos o governo ( nos finais da década de 80 princípio de 90) proibiu essa iniciativa e acabou com a empresa privatizando-a e assim iniciando esta moda suicida de perder poder económico.

Temos enorme potencial de turismo náutico de elevado valor acrescentado em zonas como por exemplo no estuário do Tejo, no Sotavento Algarvio e no Alqueva, que em poucos meses podem criar milhares de postos de trabalho a atrair turistas do nível desejado, onde inclusive há projetos concretos há já vários anos que continuam parados nas gavetas de Presidentes de Câmaras e de Secretários de Estado sem que haja qualquer manifestação útil por parte dos distraídos atrás indicados.

Porquê?

Por preconceitos esquerdistas ou simplesmente de deficiente raciocínio por a Marinha de Recreio ser “fascista”, a  Marinha de Comércio ser “colonialista” e a de Pesca ser de “pobres” ou por deficiência de informação resultante de nunca terem praticado e/ou estudado atividades náuticas?

E no entanto queixam-se do facto de Portugal se ter tornado num país periférico o que não era quando tinha a melhor Marinha da Europa e iniciou a globalização, mas nada fazem para alterar este rumo, que do ponto de vista previsto na nossa Constituição da preservação das nossas soberania e independência é suicida e inconstitucional.

Lisboa, 17 de Dezembro de 2014

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 12:53
link do post | comentar | favorito

mais sobre mim
pesquisar
 
Dezembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
14
15
16

17
18
19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


posts recentes

Afinal o que é a Marinha ...

2017-10-19. Um desabafo t...

A Catalunha e uma confusã...

A austeridade e as confus...

Turismo: atividade económ...

As ausências de Portugal ...

Alguns esquecimentos impo...

Atenção eleitores, temos ...

Como baixar a abstenção

O Forte de Peniche e a ve...

arquivos

Dezembro 2017

Outubro 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Março 2017

Janeiro 2017

Outubro 2016

Setembro 2016

Junho 2016

Maio 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Novembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Outubro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Contador de Visitas
blogs SAPO
RSS