Segunda-feira, 22 de Outubro de 2018
Dois comentários ao OGE para 2019

1º Governar é gerir e a gestão eficiente significa estabelecer objetivos, realizá-los e numa democracia ser avaliado pelos eleitores e assim ser reeleito ou não. Ora a gestão implica analisar o passado recente e conjugar o futuro desejado que pode depender de nós com o futuro que não depende de nós e, conhecendo bem a nossa realidade, tomar as decisões que otimizem a nossa vida atual e a nossa sobrevivência. Algumas dessas decisões referem-se a períodos mais alongados que um ano e, portanto, é indispensável a existência de um plano de atuação concreto, i.e. sem enunciados de intenções, como acontece neste OGE, mas só com projetos bem especificados e orçamentados. 2º As folhas relativas ao Mar são o exemplo do que atrás se criticou mas com a gravidade acrescentada de neste orçamento só se indicarem intenções e não haver qualquer concretização devidamente orçamentada. Além do erro sistemático em os interessados no Mar não entenderem que, para se tirar proveito dele, tem que se começar por ter uma Marinha (Armada e Marinhas de Comércio, Pescas e Recreio) eficiente. Sem ela o Mar pouco mais é que paisagem, sem esquecer as salinas e o surf… E já agora sugerir acrescentar ao compromisso dos Governantes quando tomam posse a palavra eficiência. Lisboa, 22 de outubro de 2018 José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 15:13
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2018
A revolução mais importante para a Marinha Portuguesa que ainda falta comemorar

Um dos fatores que mais pesa quando se quer avaliar a importância de uma revolução é analisar o que aconteceria se dos pontos de vista nacional e internacional o resultado dela fosse exatamente o contrário do que foi.

Em Portugal atualmente comemoramos três revoluções: 1 de dezembro de 1640, 5 de outubro de 1910 e 25 de abril de 1974.

Em 1640 se não tivéssemos recuperado a independência Portugal teria ficado a ser apenas uma região espanhola, a língua portuguesa teria diminuído ou até quase desaparecido e internacionalmente a Espanha ganharia poder em relação a França e Inglaterra com quem estava então em guerra.

Em 1910 a mudança de monarquia para república não teve consequências importantes do ponto de vista internacional e a gestão do nosso País não melhorou o suficiente para evitar o descalabro económico que veio a provocar a ditadura do Estado Novo e se tivessem ganhado os monárquicos muito provavelmente teria acontecido algo idêntico ao que aconteceu.

Em 1974 a mudança efetuada em condições idênticas a 1910, isto é, o poder foi mais perdido por quem o detinha que ganho por quem se revoltou, trouxe ao País a liberdade que não havia tanta e melhores relações internacionais mas, do ponto de vista de gestão, houve várias crises próximas da bancarrota que deterioraram a nossa independência e se se tivesse mantido o Estado Novo com algumas alterações provavelmente a evolução não seria muto diferente do que aconteceu mas com menos liberdade.

Ora na nossa História houve outra revolução, a de 1383-85, que merece ser analisada mais profundamente pois por detrás dela está a formação do país Portugal e do cidadão português que não existiam antes de o Príncipe Afonso Henriques decidir ser Rei, para o que era indispensável criar um reino, conquistando o território a sul ocupado pelos mouros e defender-se do poder dos reis vizinhos de origem visigótica cuja tendência para a unificação era fatal.

Portanto era preciso conquistar rapidamente Lisboa, o que aconteceu e desenvolver as atividades marítimas já existentes há séculos uma vez que todo o tráfego entre o Mediterrâneo e o norte da Europa passava pela nossa costa, e dadas as características dos ventos e a pequenez das embarcações, havia enorme interação de tripulantes e habitantes dos vários portos então existentes.

Assim procederam os reis seguintes, com especial relevo D. Afonso III e D. Dinis, que muito fortaleceram a burguesia onde havia elevada percentagem de judeus originados de Alexandria onde se tinha mantido o conhecimento científico e tecnológico grego-romano que entretanto a Europa medieval tinha esquecido, sendo notável terem no cômputo geral da dinastia praticado uma gestão pró-ativa e inclusiva, como aconteceu na dinastia seguinte até à morte de D. João II. Como exemplo desta disparidade basta recordar que em Alexandria, quase dois séculos antes de Cristo, Eratóstenes havia determinado ser a terra uma esfera e qual o seu diâmetro enquanto nos finais do século XV ainda na Europa central se pensava ser a Terra uma superfície plana!

Assim quando em 1383 morre o Rei D. Fernando I deixando como herdeira a sua filha Beatriz, casada com o Rei D. João I de Castela, houve a possibilidade de este passar a ser também rei de Portugal.

Mas embora a maioria da nobreza de origem visigótica estivesse de acordo com esta solução aconteceu uma revolução suportada essencialmente pela burguesia marítima e tendo como candidato a Rei o Mestre da Ordem de Avis de nome João e filho bastardo do Rei D. Pedro I, que tendo vencido permitiu em 6 de abril de 1385 coroá-lo como D. João I.

Em primeiro lugar teve que consolidar a independência do país, com o apoio fortíssimo de D. Nuno Álvares Pereira, o que significou só ter disponibilidade para iniciar a expansão marítima em 1415 com a conquista de Ceuta quando os filhos mais velhos já participaram ativamente. Convém aqui recordar que em 1401 Afonso, Conde de Barcelos e filho bastardo de D João I, casa com Beatriz, filha de D. Nuno Álvares Pereira e dá origem ao Ducado de Bragança que vai ter enorme protagonismo na vida nacional durante e depois do século XV.

A partir de 1415 desenvolve-se ainda mais a nossa Marinha, com todas as atividades que séculos mais tarde alguém chamou um “cluster”, que permitiu ter a frota mais poderosa e o maior conhecimento geográfico de toda a Europa e assim realizar os descobrimentos marítimos, que iniciaram a expansão europeia e a globalização deixando de herança à dinastia seguinte o enorme potencial de riqueza que esta não soube aproveitar da melhor forma.

Para se poder compreender corretamente este século XV em Portugal tem que se ter em conta que praticamente a partir de 1415 ficaram em confronto duas linhas de poder político a saber: a da Casa de Avis e a da Casa de Bragança que começa a aumentar a sua influência após a morte de D. Duarte e a regência do Infante D. Pedro que acaba por ser morto em 1449 na batalha de Alfarrobeira. Entretanto os descobrimentos continuam a progredir e em 1474 D. Afonso V entrega o poder marítimo ao Príncipe D. João que durante os vinte anos seguintes realiza o que ficou descrito no parágrafo anterior, mas mais do que isso provocou a “descoberta” por Colombo das Américas onde os espanhóis se fixaram e donde mais tarde obtiveram enormes riquezas, dando o tempo preciso para Vasco da Gama ser o primeiro europeu a ligar por via marítima a Europa à Índia.

Mas se em vez do Mestre de Avis tivesse ficado o Rei de Castela as consequências disso teriam sido enormes para Portugal e para todo o mundo, pois a burguesia teria desaparecido, como desapareceu em Espanha, Portugal seria uma região espanhola, a língua portuguesa desaparecia, não teria havido os descobrimentos como houve, e só haveria bastante mais tarde, afetando o próprio movimento do Renascimento, portanto com enorme influência na História do Mundo.

A explicação do apagamento do papel de Portugal na expansão europeia, pela sua extensão não cabe no âmbito deste texto, mas fica apenas a ideia que ele foi devido à mudança radical de gestão do País para o sistema reativo e extrativo praticado pelos Reis da Casa de Bragança, que se perpetuou até hoje, e aos interesses internacionais que aproveitaram a iniciativa portuguesa para seu proveito.

No entanto em Portugal é notória a apatia dos partidos políticos e das entidades privadas quanto ao facto de não se conseguir desenvolver a Economia do Mar sem se cuidar eficazmente de restruturar a Marinha (Armada e Marinhas de Comércio, Pescas e Recreio)  e dinamizar o acesso da população às atividades náuticas, como se fosse possível ter Economia do Mar sem Marinha à altura.                                                                                                                                                                                                            E isto acontece num País que, tendo tido a sua época mais brilhante e produtiva baseada na excelência da sua Marinha, continua a mostrar esse desprezo até hoje, pois se assim não fosse já teria sido criado um feriado no dia 6 de abril, a data em que foi empossado o Mestre de Avis como Rei D. João I.

Lisboa, 12 de março de 2018     

José Carlos Gonçalves Viana

 



publicado por JoseViana às 11:23
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Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
História dos descobrimentos

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A História dos descobrimentos entre os cronistas e a realidade (004) (002) (1).pdf

 



publicado por JoseViana às 15:06
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
Economia do Mar e Marinha

Continua a manifestação de interesse pela economia do Mar através de artigos, muitas vezes bastante bem escritos, e de frequentes encontros e sessões, e tenho a convicção dele ter sido iniciado a partir de 2004.

Recordo-me de em 1984 tanto na Academia de Marinha como na Sociedade de Geografia de Lisboa vários profissionais ligados à Marinha ( ou seja a Armada e as Marinhas de Comércio, Pescas e Recreio) apresentaram comunicações com o objetivo de contribuir para a recuperação destas atividades que com as perturbações causadas pela revolução de 74  estavam muito reduzidas, o que, dadas as raízes da formação de Portugal e dos Portugueses, julgávamos ser essencial para o futuro do nosso País.

No entanto a reação do poder político não só não foi minimamente favorável a tal recuperação como durante o Governo de Cavaco Silva houve um ataque destruidor das iniciativas então em curso e nunca mais foram tomadas decisões pelos Órgãos de Soberania nem houve qualquer reação positiva das entidades privadas que poderiam, ou até deveriam ter tomado uma posição construtiva.

Quando foi criado um Ministério do Mar houve um momento de esperança e graças a um Diretor Geral muito competente tivemos alguns projetos em vias de serem decididos mas os Governantes então em exercício meteram tudo nas gavetas e depois passaram para a oposição e criticaram os seus sucessores por não tomarem as decisões tão necessárias.

E assim um País tão necessitado de investimentos produtivos que não precisem de depender do OGE tem muitas centenas de postos de trabalho à espera de decisão governamental e além disto não permite o acesso às atividades náuticas essenciais para desenvolver na população o interesse prático na Marinha em zonas, como por exemplo em Lisboa e no Sotavento Algarvio, onde há projetos com mais de vinte anos sem poderem ser realizados.

Temos na nossa História o exemplo de D. João II que, em menos de vinte anos nada escreveu nem deixava escrever, mas dotou Portugal da Marinha mais poderosa da Europa, descobriu todo o Oceano Atlântico e as Américas e proporcionou termos tido a primeira ligação marítima com o Oriente por Vasco da Gama e com o Brasil por Álvares Cabral.

Portanto tenhamos a esperança de que diminuam as conversas mas aumentem as decisões corretas e oportunas que permitam tirar Portugal desta apagada e triste situação.

Lisboa, 20 de agosto de 2018



publicado por JoseViana às 17:46
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
O grande equívoco dos descobrimentos marítimos

O artigo “O Museu Daquilo” publicado no Expresso de 21 pp acelerou o meu interesse em tentar contribuir para o esclarecimento do facto mais importante da História de Portugal e que tão mal tratado tem sido.

Para começar não escrevi “descobrimentos marítimos portugueses” porque os únicos descobrimentos de grande porte que permitiram a expansão europeia foram os portugueses. O museu de Madrid dos “descubrimientos maritimos” começa com Colombo …

A palavra descobrimento significa a ação que permite passar a conhecer algo que era desconhecido. O ser marítimo significa ter sido realizado por navios.

Ora desde o início da existência de um País chamado Portugal, por vontade de D. Afonso Henriques, a consolidação deste novo reino implicou o desenvolvimento das atividades marítimas aproveitando o facto da costa portuguesa ser passagem obrigatória de todo o tráfego entre os povos mediterrânicos e os do norte da Europa, o que dadas as características e a pequenez dos navios então utilizados provocou a existência de vários portos ao longo da nossa costa com relevo para Lagos, Lisboa e Porto, onde de desenvolveu uma burguesia muito ativa com elevada percentagem de judeus vindos pelo norte de África e possuidores da cultura existente em Alexandria enquanto as populações do norte que constituíam a maioria da nobreza ainda tinham, tal como no centro da europa, uma cultura medieval.

Após a morte do rei D. Fernando entre as duas propostas de sucessão: a da burguesia com o Mestre de Avis como candidato e a da nobreza com o rei de Castela, venceu a primeira e assim se tornou possível o desenvolvimento da Marinha portuguesa.

O que aconteceu trinta anos depois de ser coroado como D. João I ao organizar uma frota com cerca de 200 embarcações, de grande porte para a época, sem perturbar a vida económica nacional, conquistar Ceuta e iniciar os descobrimentos marítimos ou seja passar a conhecer o oceano atlântico, isto é, as suas correntes e os seus ventos que permitissem atingir por via marítima o oriente, mais concretamente a Índia cujas riquezas eram conhecidas.

Portanto os descobrimentos marítimos obviamente portugueses, e que precederam a expansão marítima europeia de quase um século, além do oceano foram os territórios da América para onde D, João II conseguiu levar os Reis Católicos através de Colombo de forma a sermos nós os primeiros a chegar à India, e o Brasil.

O caminho para a Índia foi descoberto por Bartolomeu Dias e o Brasil foi naturalmente descoberto a partir da prática da volta da Mina com o objetivo de alargar o conhecimento dos regimes de ventos do Atlântico Sul, e mantido obviamente em segredo,

 mesmo antes do Tratado de Tordesilhas, o que bate certo com a recusa de D. João II à proposta dos Reis Católicos de após a assinatura daquele tratado ir uma frota conjunta marcar a localização do respetivo Meridiano.

Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral não descobriram nada mas foram essenciais para Portugal definir a sua posse da ligação com o Oriente e do Brasil respetivamente o que não lhes tira o valor mas os descobrimentos propriamente ditos acabaram com a morte de D. João II em 1496.

A partir daqui as notáveis navegações portuguesas não foram descobertas de territórios que já eram conhecidos mas não contactados por europeus por via marítima e permitiram realizar por mar as trocas comerciais até aí dominadas pelo médio oriente e Veneza.

Portanto convém a bem da verdade que fique assente os descobrimentos marítimos portugueses terem sido realizados entre 1385 com D. João I e 1496 quando morreu D, João II e deixou a enorme herança da globalização e dos territórios que os seus herdeiros tão mal geriram e mesmo assim chegaram até 1974.

Lisboa, 26 de abril de 2018

José Carlos Gonçalves Viana

 



publicado por JoseViana às 19:15
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2018
Descentralização ou gestão mais eficiente?

Como tenho defendido em textos já publicados, Portugal desde 1500 tem sido sistematicamente governado por detentores do poder que nunca praticaram uma gestão eficiente, o que explica o não aproveitamento das riquezas herdadas do século  XV dos Descobrimentos Marítimos,  a perda da independência em 1590 e a sua recuperação em 1640 apenas com boa gestão militar, a perda da revolução industrial que acarretou todo o atraso económico-social que afetou o nosso desenvolvimento até aos anos 50 do século XX, os erros fortíssimos da gestão colonial do Estado Novo que levou às guerras coloniais e assim ao descalabro sócio-económico que originou a revolução de Abril de 74.

Mas os poderes que então tomaram as rédeas da nossa governação rapidamente mostraram praticar uma gestão pouco eficiente cujos resultados estão bem à vista dadas as oportunidades perdidas, a proximidade a que estivemos de várias bancarrotas e a perda de independência económica que tem vindo a aumentar com as políticas pseudo liberais que tivemos nas últimas três décadas culminando com a ultrapassagem pela direita da “troika” e mais recentemente, para quem ainda tivesse algumas ilusões, o descalabro enorme das falhas de gestão que tantas mortes evitáveis provocaram nos incêndios de 2017 e agora a seca e os desastres no Tejo.

Portanto nós precisamos muito, e que não leve tempo a mais, de uma mudança radical e profunda na gestão que é praticada pelos Órgãos de Soberania, pela Justiça e pelas Autarquias e quando alguns responsáveis agora falam da descentralização ( e há até quem ainda fale na regionalização) como remédio para as falhas atrás indicadas, fico obviamente muito preocupado, pois não oiço nada sobre sistemas e processos de gestão a melhorar e em vez disso parece querem aumentar os poderes das Autarquias sem as corrigirem das grandes distorções das suas estruturas organizacionais

Após os incêndios houve quem clamasse pela demissão de uma Ministra, como se fosse ela a única responsável pela tragédia de tantas mortes evitáveis, esquecendo os Autarcas e os deputados que não cuidaram atempadamente pela gestão que tanto falhou.

Em particular as Autarquias que são responsáveis pela indisciplina da população que tantos desastres provoca nas estradas, pela baixa qualidade dos planos de urbanização e de proteção ambiental, pelo atraso no desenvolvimento quando não permitem o desenvolvimento náutico havendo o potencial respetivo e pela sua curta dimensão populacional da maioria delas que impossibilita a contratação de técnicos de elevada qualidade. O que me levou a publicar a sugestão de agrupar as Autarquias nos distritos ficando nelas apenas o pessoal indispensável para os contactos com os cidadãos de forma a subir o nível da gestão e diminuir as despesas fixas.

Portanto resumindo: do que nós precisamos é de melhor gestão e não de descentralização.

Como a maioria das pessoas não frequentou cursos de gestão apresento aqui um quadro resumo do que é a gestão, que em tempos utilizei em cursos de gestão eficiente, apenas chamando a atenção do leitor para a atribuições da Chefia (que corresponde aos poderes responsáveis indicados na Constituição) que não são direitos mas deveres e para os princípios fundamentais que não chegam para se atingir a eficiência mas o seu não cumprimento chega para impedir a eficiência desejável.

E já agora para notarem que a gestão é composta por treze funções e só uma é Economia-Finanças que sendo essencial não é única.

Lisboa, 22 de fevereiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana

 

GESTÃO

                 1    Os três pilares da vida humana:   Poder       Sabedoria        Caridade

                 2                   Objetivos              Realização          Resultados

                 3                     Lucros   /   Sobrevivência   /    Ganância

                 4                                              Competência

                      4.1 Posição estratégica                               4.2 Capacidades individuais

                               Dependência hierárquica                       Capacidades humanas, técnicas e experiência

                              Poderes de decisão                                      

                               Informação recebida                                   Atitudes adequadas ou

                                                                   4.3 Princípios essenciais

                                                1º Distinguir o fundamental do acessório

                                                2º O primeiro fator é o pessoal

                                                3º Haver sempre responsáveis

                                               4º Basear-se nos pontos fortes e não nos fracos

                                               5º Tomar decisões efetivas e oportunas

                                               6º Libertar-se de preconceitos e ideias feitas

                                               7º Apontar mais para os resultados que para o trabalho

 

                                                         5 Funções da empresa

                                 5.1 Chefia                                                                                                                        (suas atribuições:executar,decidir,controlar,delegar,comunicar,prever,organizar,motivar,

coordenar,compreender, formar,inovar, arriscar,assumir, servir)                                           

                                5.2 Pessoal

                           5.3 Negócio-oportunidade

                           5.4 Tecnologia

                           5.5 Economia-Finanças

                           5.6 Produção

                           5.7 Comercial: Marketing, Relações Públicas, Distribuição

                           5.8 Jurídica

                          5.9 Segurança global

                          5.10 Aprovisionamento

                          5.11 Ecologia

                          5.12 Política

                          5.13 Ética-Religião

6 Técnicas e conhecimentos ao serviço da gestão (exemplos)

Contabilidade, Informática, Matemáticas aplicadas, Psico-sociologia, Cultura geral, Ciência, Tecnologia, Economia, Finanças, Controlo de gestão, Relações internacionais, Línguas diversas em particular inglês, Etiqueta, Marketing, Fiscalidade, Direito aplicado e geral, Artes plásticas e musical, Literatura, Medicina, Biologia, praticamente tudo.                                                              

 



publicado por JoseViana às 14:05
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2018
A revolução mais importante que ainda falta comemorar

Um dos fatores que mais pesa quando se quer avaliar a importância de uma revolução é analisar o que aconteceria se o resultado dela fosse exatamente o contrário do que foi dos pontos de vista nacional e internacional.

Atualmente comemoramos três revoluções: 1 de dezembro de 1640, 5 de outubro de 1910 e 25 de abril de 1974.

Em 1640 se não tivéssemos recuperado a independência Portugal teria ficado a ser apenas uma região espanhola, a língua portuguesa teria diminuído ou até quase desaparecido e internacionalmente a Espanha ganharia poder em relação a França e Inglaterra com quem estava então em guerra.

Em 1910 a mudança de monarquia para república não teve consequências importantes do ponto de vista internacional e a gestão do nosso País não melhorou o suficiente para evitar o descalabro económico que veio a provocar a ditadura do Estado Novo e se tivessem ganhado os monárquicos muito provavelmente teria acontecido algo idêntico ao que aconteceu.

Em 1974 a mudança efetuada em condições idênticas a 1910, isto é, o poder foi mais perdido por quem o detinha que ganho por quem se revoltou, trouxe ao País a liberdade que não havia tanta e melhores relações internacionais mas, do ponto de vista de gestão, houve várias crises próximas da bancarrota que deterioraram a nossa independência e se se tivesse mantido o Estado Novo com algumas alterações provavelmente a evolução não seria muto diferente do que aconteceu mas com menos liberdade.

Ora na nossa História houve outra revolução, a de 1383-85, que merece ser analisada como se fez para as outras: tendo ganho o trono o Mestre de Avis apoiado principalmente pela burguesia ligada à atividade marítima foi desenvolvida a nossa Marinha, com toas as atividades que séculos mais tarde alguém chamou um “cluster”, que permitiu ter a frota mais poderosa e o maior conhecimento geográfico de toda a europa e assim realizar os descobrimentos que iniciaram a expansão europeia e o início da globalização e deixar de herança à dinastia seguinte o enorme potencial de riqueza que esta não soube aproveitar da melhor forma.

Mas se em vez do Mestre de Avis tivesse ficado o rei de Castela as consequências disso teriam sido enormes para Portugal e para todo o mundo pois a burguesia teria desaparecido, como desapareceu em Espanha, Portugal seria uma região como é a Andaluzia, a língua portuguesa desaparecia, não teria havido os descobrimentos como houve, e só haveria bastante mais tarde, afetando o próprio movimento do Renascimento, portanto com enorme influência na História do Mundo.

No entanto em Portugal ninguém parece conhecer estes factos que segundo julgo resultaram das políticas desenvolvidas pelo rei D. Manuel I e que até hoje foram desprezados por um País que tendo tido a sua época mais brilhante e produtiva baseada na sua Marinha continuaram esse desprezo até hoje, pois se assim não fosse já teria sido criado um feriado no dia 6 de abril que foi a data em que foi empossado o Mestre de Avis como Rei D. João I.

Lisboa, 11 de fevereiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 17:24
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2018
Portugal já nem tem marinheiros?

No último Expresso vinha um artigo intitulado “Economia do mar precisa de 160 mil trabalhadores” de acordo com um estudo realizado pela PWC e também li recentemente que a Armada tem falta de candidatos para os seus quadros de marinheiros.

Será que este problema é recente? Não é.

Para quem está há mais de quarenta anos a lutar pela recuperação da nossa Marinha, com o pouco sucesso que aquelas notícias mostram, a questão é mais profunda pois o desinteresse pelas atividades marítimas verificou-se logo a seguir à revolução de Abril de 74 em parte porque a Marinha Mercante era considerada colonialista porque tinha sido desenvolvida a partir de 1945  baseada no tráfego colonial e a náutica de recreio era considerada fascista porque estava conotada como atividade típica de ricos.

Além disto as condições do enquadramento legal e operacional da nossa Marinha Mercante era de tal forma penalizante que não era minimamente incentivador ao investimento e à operação.

A acrescentar a isto, como a maioria dos nossos historiadores é pouco versada em navegação, na História dos nossos descobrimentos a maioria da nossa população não apreendeu a importância da nossa Marinha (entendendo-se como o conjunto da Armada e das Marinhas de Comércio, de Pescas e de Recreio, esta só recentemente) no desenvolvimento do cidadão português que não existia antes de Afonso Henriques e que só ficou consolidado após D. João I ter iniciado o seu reinado e ter permitido realizar os descobrimentos marítimos que só foram possíveis porque Portugal era o país europeu com a melhor Marinha e o mais desenvolvido conhecimento geográfico e cartográfico.

Mas como falhámos a revolução industrial no século XIX deixámos de ter Marinha de Comércio e quase não tínhamos Armada, quando se deu a guerra de 39-45 tivemos grandes dificuldades no abastecimento de carvão de tal forma que em 45 foi decidido ter marinha de Comércio baseada nas Colónias, mas em 74 já tínhamos linhas como terceira bandeira e o Funchal a fazer cruzeiros na Europa e no  Brasil.

Marinha de Pesca tínhamos a nacional, pois a do bacalhau estava fortemente prejudicada pela estruturação da pesca internacional, a precisar de ser reformulada com vista à futura entrada na CE o que acabou por nunca ter sido realizado por razões pouco claras o que prejudicou fortemente este setor.

Até à década de 50 havia muitas embarcações no Tejo, por exemplo, pois as populações ribeirinhas particularmente na margem sul não tinham outro meio de deslocação e assim haveria mais de 35000 pequenas embarcações além das maiores que ligavam os navios de carga aos cais e entre estes. Com a construção das pontes e das estradas desapareceram quase todas pois veio ao de cima que eram usadas por necessidade e não por recreio.

Entretanto foram construídas algumas marinas o que foi excelente mas o custo da sua utilização não pode ser baixo e portanto como em toda a zona de Lisboa não há quaisquer facilidades para quem tenha menos posses poder praticar náutica de recreio, a maioria dos nossos jovens não tem vivência nestas atividades. Aliás basta olhar para o vazio do nosso mar da Palha para se perceber a tolice dos nossos responsáveis por esta situação e que são vários, pois entre nós nunca há um único responsável seja pelo que for pois assim às vezes quando tudo calha bem lá sai uma medalha mas quando calha mal nada acontece.

Aliás também o Sotavento Algarvio que tem enorme potencial náutico de recreio nunca se desenvolveu porque as decisões são tomadas no Barlavento onde quem manda não quer concorrência.

E note-se que recreio não é apenas passear ao domingo mas tem elevada capacidade de produzir riqueza em turismo de alto valor acrescentado como é exemplo a Flórida mas que os nossos responsáveis pelo Turismo parece ainda não conhecerem.

Assim com este panorama de desinteresse transversal e generalizado pela Marinha como ficar espantado com a falta de candidatos a marinheiro?

Lisboa, 06 de fevereiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 11:05
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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2018
Afinal vai haver grande mudança ou não em Portugal?

Em 3 de Janeiro pp publiquei um desabafo muito esperançoso dada a alocução do Novo Ano do nosso Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ter frisado a importância e a necessidade de uma grande mudança a realizar em Portugal.

É para mim óbvio que, quer seja uma pessoa, ou uma família, ou uma empresa, ou um país que queira mudar de comportamento de modo a mudar para um rumo mais eficiente é forçoso começar por ter consciência dos erros cometidos até aí e das suas causas para que então se possa eficazmente corrigir tudo o que é preciso, isto é fazer a tal grande mudança.

Mas acontece que esta manhã pude assistir, pelo computador, à conferência realizada na Academia de Marinha pelo nosso Presidente da República em que ele apresentou uma versão da nossa História de tal modo otimizada, chegando ao ponto de afirmar que o Prof. Cavaco Silva tinha dado forte incremento à nossa Marinha, pois se de facto não houve nada de errado, então porquê haver necessidade de grande mudança?

E para melhor exemplificar esta minha posição nada melhor que o exemplo que deu da atuação na Marinha do Prof Cavaco Silva: acabou com a principal companhia de transporte marítimo portuguesa, proibiu a sua posição de sócia maioritária do Porto de Macau perdendo-se assim enorme volume de negócios para empresas portuguesas, proibiu a constituição de uma empresa de navios de cruzeiro já com projeto estudado pelo Eng Ribeiro e Castro, atropelou um projeto privado denominado “Naus de Belém” já aprovado pela CMLisboa, provocou a saída do representante de Portugal na International Shipping Organization, proibiu a venda de uma nau tipo da usada por Vasco da Gama a um hoteleiro de Goa.

Otimismo é bom que haja mas se não se analisar a realidade verdadeira jamais se conseguirá mudar para melhores rumos!

Lisboa, 25 de janeiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 16:50
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018
O Presidente e a grande mudança no País

Do ponto de vista de gestão a História de Portugal divide-se em duas partes distintas: a primeira desde a fundação até à morte de D. João II durante a qual os responsáveis pelos destinos do País praticaram uma gestão pró-ativa e inclusiva, a segunda até hoje em que os responsáveis praticaram uma gestão reativa e extrativa o que explica o que aconteceu com os territórios herdados da primeira fase e com todos os enormes atrasos que fomos acumulando e agora com os acontecimentos dramáticos das consequências dos incêndios e da seca.

E digo consequências porque os problemas não advêm dos inevitáveis incêndios mas dos erros de gestão que originaram aqueles. E também pela deficiente análise dos factos que levou à demissão de uma Ministra mas de nenhum Autarca embora todos eles fossem igualmente responsáveis pela ineficácia da prevenção.

Portanto quando o Presidente da República na sua alocação do ano insistiu na necessidade imperiosa de mudança não posso deixar de pensar que se está a referir ao abandono imediato da gestão reativa e extrativa que a revolução de Abril não alterou e a adoção da gestão pró-ativa e inclusiva que deverá ser praticada não só pelo Governo mas por todos os Órgãos de Soberania, Autarquias e Partidos Políticos.

E não incluo os privados porque esses quando não gerem bem acabam falidos e se as exportações têm aumentado os problemas não estão aí.

Vamos pois estar atentos aos próximos dias porque mudanças como esta não se fazem com estudos demorados e grandes discursos mas com decisões certeiras e firmeza na aplicação.

Lisboa, 3 de janeiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 12:48
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