Sexta-feira, 27 de Abril de 2018
O grande equívoco dos descobrimentos marítimos

O artigo “O Museu Daquilo” publicado no Expresso de 21 pp acelerou o meu interesse em tentar contribuir para o esclarecimento do facto mais importante da História de Portugal e que tão mal tratado tem sido.

Para começar não escrevi “descobrimentos marítimos portugueses” porque os únicos descobrimentos de grande porte que permitiram a expansão europeia foram os portugueses. O museu de Madrid dos “descubrimientos maritimos” começa com Colombo …

A palavra descobrimento significa a ação que permite passar a conhecer algo que era desconhecido. O ser marítimo significa ter sido realizado por navios.

Ora desde o início da existência de um País chamado Portugal, por vontade de D. Afonso Henriques, a consolidação deste novo reino implicou o desenvolvimento das atividades marítimas aproveitando o facto da costa portuguesa ser passagem obrigatória de todo o tráfego entre os povos mediterrânicos e os do norte da Europa, o que dadas as características e a pequenez dos navios então utilizados provocou a existência de vários portos ao longo da nossa costa com relevo para Lagos, Lisboa e Porto, onde de desenvolveu uma burguesia muito ativa com elevada percentagem de judeus vindos pelo norte de África e possuidores da cultura existente em Alexandria enquanto as populações do norte que constituíam a maioria da nobreza ainda tinham, tal como no centro da europa, uma cultura medieval.

Após a morte do rei D. Fernando entre as duas propostas de sucessão: a da burguesia com o Mestre de Avis como candidato e a da nobreza com o rei de Castela, venceu a primeira e assim se tornou possível o desenvolvimento da Marinha portuguesa.

O que aconteceu trinta anos depois de ser coroado como D. João I ao organizar uma frota com cerca de 200 embarcações, de grande porte para a época, sem perturbar a vida económica nacional, conquistar Ceuta e iniciar os descobrimentos marítimos ou seja passar a conhecer o oceano atlântico, isto é, as suas correntes e os seus ventos que permitissem atingir por via marítima o oriente, mais concretamente a Índia cujas riquezas eram conhecidas.

Portanto os descobrimentos marítimos obviamente portugueses, e que precederam a expansão marítima europeia de quase um século, além do oceano foram os territórios da América para onde D, João II conseguiu levar os Reis Católicos através de Colombo de forma a sermos nós os primeiros a chegar à India, e o Brasil.

O caminho para a Índia foi descoberto por Bartolomeu Dias e o Brasil foi naturalmente descoberto a partir da prática da volta da Mina com o objetivo de alargar o conhecimento dos regimes de ventos do Atlântico Sul, e mantido obviamente em segredo,

 mesmo antes do Tratado de Tordesilhas, o que bate certo com a recusa de D. João II à proposta dos Reis Católicos de após a assinatura daquele tratado ir uma frota conjunta marcar a localização do respetivo Meridiano.

Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral não descobriram nada mas foram essenciais para Portugal definir a sua posse da ligação com o Oriente e do Brasil respetivamente o que não lhes tira o valor mas os descobrimentos propriamente ditos acabaram com a morte de D. João II em 1496.

A partir daqui as notáveis navegações portuguesas não foram descobertas de territórios que já eram conhecidos mas não contactados por europeus por via marítima e permitiram realizar por mar as trocas comerciais até aí dominadas pelo médio oriente e Veneza.

Portanto convém a bem da verdade que fique assente os descobrimentos marítimos portugueses terem sido realizados entre 1385 com D. João I e 1496 quando morreu D, João II e deixou a enorme herança da globalização e dos territórios que os seus herdeiros tão mal geriram e mesmo assim chegaram até 1974.

Lisboa, 26 de abril de 2018

José Carlos Gonçalves Viana

 



publicado por JoseViana às 19:15
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2018
Descentralização ou gestão mais eficiente?

Como tenho defendido em textos já publicados, Portugal desde 1500 tem sido sistematicamente governado por detentores do poder que nunca praticaram uma gestão eficiente, o que explica o não aproveitamento das riquezas herdadas do século  XV dos Descobrimentos Marítimos,  a perda da independência em 1590 e a sua recuperação em 1640 apenas com boa gestão militar, a perda da revolução industrial que acarretou todo o atraso económico-social que afetou o nosso desenvolvimento até aos anos 50 do século XX, os erros fortíssimos da gestão colonial do Estado Novo que levou às guerras coloniais e assim ao descalabro sócio-económico que originou a revolução de Abril de 74.

Mas os poderes que então tomaram as rédeas da nossa governação rapidamente mostraram praticar uma gestão pouco eficiente cujos resultados estão bem à vista dadas as oportunidades perdidas, a proximidade a que estivemos de várias bancarrotas e a perda de independência económica que tem vindo a aumentar com as políticas pseudo liberais que tivemos nas últimas três décadas culminando com a ultrapassagem pela direita da “troika” e mais recentemente, para quem ainda tivesse algumas ilusões, o descalabro enorme das falhas de gestão que tantas mortes evitáveis provocaram nos incêndios de 2017 e agora a seca e os desastres no Tejo.

Portanto nós precisamos muito, e que não leve tempo a mais, de uma mudança radical e profunda na gestão que é praticada pelos Órgãos de Soberania, pela Justiça e pelas Autarquias e quando alguns responsáveis agora falam da descentralização ( e há até quem ainda fale na regionalização) como remédio para as falhas atrás indicadas, fico obviamente muito preocupado, pois não oiço nada sobre sistemas e processos de gestão a melhorar e em vez disso parece querem aumentar os poderes das Autarquias sem as corrigirem das grandes distorções das suas estruturas organizacionais

Após os incêndios houve quem clamasse pela demissão de uma Ministra, como se fosse ela a única responsável pela tragédia de tantas mortes evitáveis, esquecendo os Autarcas e os deputados que não cuidaram atempadamente pela gestão que tanto falhou.

Em particular as Autarquias que são responsáveis pela indisciplina da população que tantos desastres provoca nas estradas, pela baixa qualidade dos planos de urbanização e de proteção ambiental, pelo atraso no desenvolvimento quando não permitem o desenvolvimento náutico havendo o potencial respetivo e pela sua curta dimensão populacional da maioria delas que impossibilita a contratação de técnicos de elevada qualidade. O que me levou a publicar a sugestão de agrupar as Autarquias nos distritos ficando nelas apenas o pessoal indispensável para os contactos com os cidadãos de forma a subir o nível da gestão e diminuir as despesas fixas.

Portanto resumindo: do que nós precisamos é de melhor gestão e não de descentralização.

Como a maioria das pessoas não frequentou cursos de gestão apresento aqui um quadro resumo do que é a gestão, que em tempos utilizei em cursos de gestão eficiente, apenas chamando a atenção do leitor para a atribuições da Chefia (que corresponde aos poderes responsáveis indicados na Constituição) que não são direitos mas deveres e para os princípios fundamentais que não chegam para se atingir a eficiência mas o seu não cumprimento chega para impedir a eficiência desejável.

E já agora para notarem que a gestão é composta por treze funções e só uma é Economia-Finanças que sendo essencial não é única.

Lisboa, 22 de fevereiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana

 

GESTÃO

                 1    Os três pilares da vida humana:   Poder       Sabedoria        Caridade

                 2                   Objetivos              Realização          Resultados

                 3                     Lucros   /   Sobrevivência   /    Ganância

                 4                                              Competência

                      4.1 Posição estratégica                               4.2 Capacidades individuais

                               Dependência hierárquica                       Capacidades humanas, técnicas e experiência

                              Poderes de decisão                                      

                               Informação recebida                                   Atitudes adequadas ou

                                                                   4.3 Princípios essenciais

                                                1º Distinguir o fundamental do acessório

                                                2º O primeiro fator é o pessoal

                                                3º Haver sempre responsáveis

                                               4º Basear-se nos pontos fortes e não nos fracos

                                               5º Tomar decisões efetivas e oportunas

                                               6º Libertar-se de preconceitos e ideias feitas

                                               7º Apontar mais para os resultados que para o trabalho

 

                                                         5 Funções da empresa

                                 5.1 Chefia                                                                                                                        (suas atribuições:executar,decidir,controlar,delegar,comunicar,prever,organizar,motivar,

coordenar,compreender, formar,inovar, arriscar,assumir, servir)                                           

                                5.2 Pessoal

                           5.3 Negócio-oportunidade

                           5.4 Tecnologia

                           5.5 Economia-Finanças

                           5.6 Produção

                           5.7 Comercial: Marketing, Relações Públicas, Distribuição

                           5.8 Jurídica

                          5.9 Segurança global

                          5.10 Aprovisionamento

                          5.11 Ecologia

                          5.12 Política

                          5.13 Ética-Religião

6 Técnicas e conhecimentos ao serviço da gestão (exemplos)

Contabilidade, Informática, Matemáticas aplicadas, Psico-sociologia, Cultura geral, Ciência, Tecnologia, Economia, Finanças, Controlo de gestão, Relações internacionais, Línguas diversas em particular inglês, Etiqueta, Marketing, Fiscalidade, Direito aplicado e geral, Artes plásticas e musical, Literatura, Medicina, Biologia, praticamente tudo.                                                              

 



publicado por JoseViana às 14:05
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2018
A revolução mais importante que ainda falta comemorar

Um dos fatores que mais pesa quando se quer avaliar a importância de uma revolução é analisar o que aconteceria se o resultado dela fosse exatamente o contrário do que foi dos pontos de vista nacional e internacional.

Atualmente comemoramos três revoluções: 1 de dezembro de 1640, 5 de outubro de 1910 e 25 de abril de 1974.

Em 1640 se não tivéssemos recuperado a independência Portugal teria ficado a ser apenas uma região espanhola, a língua portuguesa teria diminuído ou até quase desaparecido e internacionalmente a Espanha ganharia poder em relação a França e Inglaterra com quem estava então em guerra.

Em 1910 a mudança de monarquia para república não teve consequências importantes do ponto de vista internacional e a gestão do nosso País não melhorou o suficiente para evitar o descalabro económico que veio a provocar a ditadura do Estado Novo e se tivessem ganhado os monárquicos muito provavelmente teria acontecido algo idêntico ao que aconteceu.

Em 1974 a mudança efetuada em condições idênticas a 1910, isto é, o poder foi mais perdido por quem o detinha que ganho por quem se revoltou, trouxe ao País a liberdade que não havia tanta e melhores relações internacionais mas, do ponto de vista de gestão, houve várias crises próximas da bancarrota que deterioraram a nossa independência e se se tivesse mantido o Estado Novo com algumas alterações provavelmente a evolução não seria muto diferente do que aconteceu mas com menos liberdade.

Ora na nossa História houve outra revolução, a de 1383-85, que merece ser analisada como se fez para as outras: tendo ganho o trono o Mestre de Avis apoiado principalmente pela burguesia ligada à atividade marítima foi desenvolvida a nossa Marinha, com toas as atividades que séculos mais tarde alguém chamou um “cluster”, que permitiu ter a frota mais poderosa e o maior conhecimento geográfico de toda a europa e assim realizar os descobrimentos que iniciaram a expansão europeia e o início da globalização e deixar de herança à dinastia seguinte o enorme potencial de riqueza que esta não soube aproveitar da melhor forma.

Mas se em vez do Mestre de Avis tivesse ficado o rei de Castela as consequências disso teriam sido enormes para Portugal e para todo o mundo pois a burguesia teria desaparecido, como desapareceu em Espanha, Portugal seria uma região como é a Andaluzia, a língua portuguesa desaparecia, não teria havido os descobrimentos como houve, e só haveria bastante mais tarde, afetando o próprio movimento do Renascimento, portanto com enorme influência na História do Mundo.

No entanto em Portugal ninguém parece conhecer estes factos que segundo julgo resultaram das políticas desenvolvidas pelo rei D. Manuel I e que até hoje foram desprezados por um País que tendo tido a sua época mais brilhante e produtiva baseada na sua Marinha continuaram esse desprezo até hoje, pois se assim não fosse já teria sido criado um feriado no dia 6 de abril que foi a data em que foi empossado o Mestre de Avis como Rei D. João I.

Lisboa, 11 de fevereiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 17:24
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Terça-feira, 6 de Fevereiro de 2018
Portugal já nem tem marinheiros?

No último Expresso vinha um artigo intitulado “Economia do mar precisa de 160 mil trabalhadores” de acordo com um estudo realizado pela PWC e também li recentemente que a Armada tem falta de candidatos para os seus quadros de marinheiros.

Será que este problema é recente? Não é.

Para quem está há mais de quarenta anos a lutar pela recuperação da nossa Marinha, com o pouco sucesso que aquelas notícias mostram, a questão é mais profunda pois o desinteresse pelas atividades marítimas verificou-se logo a seguir à revolução de Abril de 74 em parte porque a Marinha Mercante era considerada colonialista porque tinha sido desenvolvida a partir de 1945  baseada no tráfego colonial e a náutica de recreio era considerada fascista porque estava conotada como atividade típica de ricos.

Além disto as condições do enquadramento legal e operacional da nossa Marinha Mercante era de tal forma penalizante que não era minimamente incentivador ao investimento e à operação.

A acrescentar a isto, como a maioria dos nossos historiadores é pouco versada em navegação, na História dos nossos descobrimentos a maioria da nossa população não apreendeu a importância da nossa Marinha (entendendo-se como o conjunto da Armada e das Marinhas de Comércio, de Pescas e de Recreio, esta só recentemente) no desenvolvimento do cidadão português que não existia antes de Afonso Henriques e que só ficou consolidado após D. João I ter iniciado o seu reinado e ter permitido realizar os descobrimentos marítimos que só foram possíveis porque Portugal era o país europeu com a melhor Marinha e o mais desenvolvido conhecimento geográfico e cartográfico.

Mas como falhámos a revolução industrial no século XIX deixámos de ter Marinha de Comércio e quase não tínhamos Armada, quando se deu a guerra de 39-45 tivemos grandes dificuldades no abastecimento de carvão de tal forma que em 45 foi decidido ter marinha de Comércio baseada nas Colónias, mas em 74 já tínhamos linhas como terceira bandeira e o Funchal a fazer cruzeiros na Europa e no  Brasil.

Marinha de Pesca tínhamos a nacional, pois a do bacalhau estava fortemente prejudicada pela estruturação da pesca internacional, a precisar de ser reformulada com vista à futura entrada na CE o que acabou por nunca ter sido realizado por razões pouco claras o que prejudicou fortemente este setor.

Até à década de 50 havia muitas embarcações no Tejo, por exemplo, pois as populações ribeirinhas particularmente na margem sul não tinham outro meio de deslocação e assim haveria mais de 35000 pequenas embarcações além das maiores que ligavam os navios de carga aos cais e entre estes. Com a construção das pontes e das estradas desapareceram quase todas pois veio ao de cima que eram usadas por necessidade e não por recreio.

Entretanto foram construídas algumas marinas o que foi excelente mas o custo da sua utilização não pode ser baixo e portanto como em toda a zona de Lisboa não há quaisquer facilidades para quem tenha menos posses poder praticar náutica de recreio, a maioria dos nossos jovens não tem vivência nestas atividades. Aliás basta olhar para o vazio do nosso mar da Palha para se perceber a tolice dos nossos responsáveis por esta situação e que são vários, pois entre nós nunca há um único responsável seja pelo que for pois assim às vezes quando tudo calha bem lá sai uma medalha mas quando calha mal nada acontece.

Aliás também o Sotavento Algarvio que tem enorme potencial náutico de recreio nunca se desenvolveu porque as decisões são tomadas no Barlavento onde quem manda não quer concorrência.

E note-se que recreio não é apenas passear ao domingo mas tem elevada capacidade de produzir riqueza em turismo de alto valor acrescentado como é exemplo a Flórida mas que os nossos responsáveis pelo Turismo parece ainda não conhecerem.

Assim com este panorama de desinteresse transversal e generalizado pela Marinha como ficar espantado com a falta de candidatos a marinheiro?

Lisboa, 06 de fevereiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 11:05
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Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2018
Afinal vai haver grande mudança ou não em Portugal?

Em 3 de Janeiro pp publiquei um desabafo muito esperançoso dada a alocução do Novo Ano do nosso Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ter frisado a importância e a necessidade de uma grande mudança a realizar em Portugal.

É para mim óbvio que, quer seja uma pessoa, ou uma família, ou uma empresa, ou um país que queira mudar de comportamento de modo a mudar para um rumo mais eficiente é forçoso começar por ter consciência dos erros cometidos até aí e das suas causas para que então se possa eficazmente corrigir tudo o que é preciso, isto é fazer a tal grande mudança.

Mas acontece que esta manhã pude assistir, pelo computador, à conferência realizada na Academia de Marinha pelo nosso Presidente da República em que ele apresentou uma versão da nossa História de tal modo otimizada, chegando ao ponto de afirmar que o Prof. Cavaco Silva tinha dado forte incremento à nossa Marinha, pois se de facto não houve nada de errado, então porquê haver necessidade de grande mudança?

E para melhor exemplificar esta minha posição nada melhor que o exemplo que deu da atuação na Marinha do Prof Cavaco Silva: acabou com a principal companhia de transporte marítimo portuguesa, proibiu a sua posição de sócia maioritária do Porto de Macau perdendo-se assim enorme volume de negócios para empresas portuguesas, proibiu a constituição de uma empresa de navios de cruzeiro já com projeto estudado pelo Eng Ribeiro e Castro, atropelou um projeto privado denominado “Naus de Belém” já aprovado pela CMLisboa, provocou a saída do representante de Portugal na International Shipping Organization, proibiu a venda de uma nau tipo da usada por Vasco da Gama a um hoteleiro de Goa.

Otimismo é bom que haja mas se não se analisar a realidade verdadeira jamais se conseguirá mudar para melhores rumos!

Lisboa, 25 de janeiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 16:50
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018
O Presidente e a grande mudança no País

Do ponto de vista de gestão a História de Portugal divide-se em duas partes distintas: a primeira desde a fundação até à morte de D. João II durante a qual os responsáveis pelos destinos do País praticaram uma gestão pró-ativa e inclusiva, a segunda até hoje em que os responsáveis praticaram uma gestão reativa e extrativa o que explica o que aconteceu com os territórios herdados da primeira fase e com todos os enormes atrasos que fomos acumulando e agora com os acontecimentos dramáticos das consequências dos incêndios e da seca.

E digo consequências porque os problemas não advêm dos inevitáveis incêndios mas dos erros de gestão que originaram aqueles. E também pela deficiente análise dos factos que levou à demissão de uma Ministra mas de nenhum Autarca embora todos eles fossem igualmente responsáveis pela ineficácia da prevenção.

Portanto quando o Presidente da República na sua alocação do ano insistiu na necessidade imperiosa de mudança não posso deixar de pensar que se está a referir ao abandono imediato da gestão reativa e extrativa que a revolução de Abril não alterou e a adoção da gestão pró-ativa e inclusiva que deverá ser praticada não só pelo Governo mas por todos os Órgãos de Soberania, Autarquias e Partidos Políticos.

E não incluo os privados porque esses quando não gerem bem acabam falidos e se as exportações têm aumentado os problemas não estão aí.

Vamos pois estar atentos aos próximos dias porque mudanças como esta não se fazem com estudos demorados e grandes discursos mas com decisões certeiras e firmeza na aplicação.

Lisboa, 3 de janeiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 12:48
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
Afinal o que é a Marinha Portuguesa?

No dia 12 passado comemorou-se a criação da Armada Portuguesa há 700 anos o que é um facto de grande importância na História de Portugal mas continua a verificar-se o erro sistemático da sociedade portuguesa quanto ao esquecimento das Marinhas civis, isto é, a de Comércio e a das Pescas a quem se deve tanto a sua influência nos descobrimentos marítimos como à Armada.

Na verdade até Julho de 1974 todas as atividades de Marinha estavam dependentes da Armada através do Ministério da Marinha o que tinha a vantagem de termos um “cluster” desde tempos muito anteriores ao do inventor deste termo e a partir desta data as Marinhas civis, agora acrescentadas da de Recreio passaram a segundo plano: a de Comércio conotada com o colonialismo, a de Recreio com atividades fascistas e a das Pescas como parente pobre não tendo sido preparada para a nossa adesão à CE por opção do Governo da AD.

Aliás a Marinha de Comércio sofreu os ataques mais definitivos durante o Governo de Cavaco Silva e se tivéssemos economistas interessados nestes assuntos de Marinha teriam certamente calculado os muitos milhões de euros que o País já perdeu com estes desmandos e que continua a perder porque os discursos empolgantes não têm correspondência em decisões eficientes.

E o que é bastante desanimador, particularmente quando estamos a lutar contra esta situação há mais de quarenta anos, e verificamos que nenhum partido político português dá sinal de se interessar a sério pelas soluções concretas, porque discursos o vento os leva e nada fica feito.

Lisboa, 13 de dezembro de 2017

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 12:45
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Terça-feira, 24 de Outubro de 2017
2017-10-19. Um desabafo triste e revoltado

Os recentes trágicos acontecimentos, e não quero dizer os últimos porque infelizmente ainda poderemos ter mais do mesmo teor, tornaram este desabafo inevitável porque tudo isto não é algo característico só destes dois anos recentes mas muito mais profundo e anterior.

E nunca será corrigido sem haver uma análise completa que explique quais as causas reais destas catástrofes que não foram só estes incêndios assassinos e destruidores de riqueza mas também as corrupções, as espoliações, os roubos, os enganos e as mentiras que durante as últimas três décadas assolaram o nosso País, não bastando analisar, mas tendo que haver reconhecimento dos implicados, pois ter apenas a consciência tranquila não chega, dada a verdade nos recordar a sentença dita por alguém, que não sei quem foi, de que uma consciência tranquila é quase sempre o resultado de uma memória fraca.

Porque para alguém se corrigir é preciso que assuma os erros cometidos.

Concretizando apenas alguns exemplos de acontecimentos de que não se apontam responsáveis:

-O Pinhal de Leiria ardeu e há dez anos que não era limpo e pertence ao Estado.

-Está regulamentada a distância de existência de árvores em estradas municipais mas parece que algumas Autarquias não sabem isso.

-A maioria da legislação relativa à gestão do interior rural há muitos anos que precisa de revisão mas nem os Governos nem o Parlamento trataram disso atempadamente de forma evitar estas catástrofes embora houvesse pareceres técnicos suficientes.

-houve a destruição da nossa Marinha Mercante e o atraso da Marinha de recreio em milhares de postos de trabalho em projetos concretos não permitidos esquecendo o facto desta atividade ter sido e dever continuar a ser a mais importante para a independência e para a identidade portuguesa.

-Houve uma crise financeira provocada principalmente pela ganância desenvolvida pela incompetência da introdução de um sistema de neoliberalismo bacoco de que tiraram benefícios apenas alguns com o prejuízo de muitos sem que os Órgãos de Soberania e os poderes corporativos tivessem atuado em conformidade com as suas obrigações estatutárias.

Estes exemplos chegam para mostrar claramente que as duas causas essenciais foram: a ganância pelo dinheiro fácil, que na nossa história tantas vezes nos prejudicou, e a ausência sistemática de responsáveis competentes, o que obviamente não permite corrigir os desmandos e erros praticados.

Quando agora vemos tanta pressão para demitir uma ministra que de facto apenas não tinha o perfil apropriado mas não vemos por exemplo ex-ministros e                                ex- deputados que recentemente estiveram no poder assumirem as responsabilidades que também têm pelo facto de nada terem feito quando era devido, chega a parecer que se assim fosse provavelmente haveria muitas outras demissões.

Lisboa, 24 de outubro de 2017     José Carlos Gonçalves Viana

 

 



publicado por JoseViana às 12:46
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Domingo, 15 de Outubro de 2017
A Catalunha e uma confusão eleitoral

A luta atual da Catalunha pela sua independência trouxe à baila uma enorme confusão eleitoral misturada com o aparente desconhecimento do que é essencial quanto à própria independência.

Com efeito o Governo Autónomo da Catalunha decidiu fazer um referendo para decidir, embora legalmente não o pudesse fazer, declarar a independência catalã.

Assim surge a primeira confusão: enquanto nas eleições de Órgãos de Soberania a lógica eleitoral é simples, isto é, quem tem a maioria dos votos ganha, mesmo que a abstenção seja qual for, num referendo que não tem objetivos eleitorais mas a de decisão de um determinado problema a lógica eleitoral já merece ser examinada com mais atenção principalmente quando o tema em questão é a independência do país.

Todas as independências sempre foram lutas entre poderes que afetaram as populações abrangidas e exigiram delas muitas vezes a sua participação em guerras que para terem sucesso era essencial o seu grau de convicção e apego a essa solução.

Aliás também é conveniente ter a noção de que não basta lutar para conseguir ganhar o estatuto de independente, para o que por vezes bastava uma batalha, mas é essencial desenvolver ligações internacionais favoráveis e atividades económicas e culturais que permitam a sua sustentabilidade.

O exemplo da nossa primeira dinastia é muito claro neste aspeto.

Portanto se num referendo para decidir declarar a independência sabendo que isso significaria uma luta com o poder central, até por ser ilegal, só deveria ser aceitável se houvesse garantia de que toda a população tinha sido informada das consequências imediatas e futuras de tal decisão e que tinha sido aprovada pela sua maioria real e nunca apenas pela frágil maioria da lógica eleitoral obtida.

Lisboa, 15 de outubro de 2017

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 16:22
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Terça-feira, 18 de Julho de 2017
A austeridade e as confusões a evitar

Muito se tem ouvido falar dos malefícios causados pela austeridade que terá sido imposta ao País depois da crise que obrigou a ficarmos dependentes de dinheiro e de decisões de entidades estrangeiras e embora isso tenha acontecido em 2011 agora continuamos a atribuir-lhe, à austeridade é claro, muitas das nossas dificuldades operacionais.

Mas para podermos iniciar este apontamento, que se pretende seja austero, deveremos consultar o dicionário para se assentar no significado desta terrível palavra: qualidade ou caracter de austero, comedimento, critério, despojamento, equilíbrio, frugalidade, método, modéstia, ponderação, prudência, reserva, rigor, sensatez, sobriedade, virtude…

Assim a austeridade parece ser algo bastante bom para se praticar e convém portanto analisar melhor o enquadramento da “austeridade” que se diz ter sido praticada.

Para começar a dita crise, que há quem diga de 2008, começou a ser desenvolvida logo durante a década de 80 quando se tomaram decisões influenciadas pelo neoliberalismo e pela prática de gestão pouco eficiente sem consideração pelos objetivos relacionados com a independência e a sustentabilidade do País portanto contra o que está estabelecido na Constituição, e obviamente apoiada pelo Bloco Central.

Daqui resultou a destruição de várias atividades empresariais quer em indústrias quer nos transportes marítimos e o desenvolvimento crescente de interesses cruzados entre o Estado e Privados e ainda à entrada de várias centenas de milhares de euros para ambos os setores cuja maioria não foi usada para criar riqueza e postos de trabalho sustentados mas para especulação e outros fins pouco recomendáveis donde a criação de uma bolha que rebentou em 2011 e nos deixou com a enorme dívida que tanto vai onerar a vida dos portugueses nos próximos anos.

Em resumo foi um período em que não houve qualquer austeridade mas antes pelo contrário houve desonestidade, corrupção, ganância e deficiente gestão, tudo isto muito generalizado e como está explicado na literatura especializada a começar de cima para baixo…

Portanto em 2011 era forçoso passar a haver austeridade mas o que aconteceu foi haver um desvio de finalidade e ela foi perturbada pelos hábitos ganhos no período anterior e substituída por avareza e deficiente gestão donde resultaram os cortes cegos, a venda de empresas vitais para a nossa independência, o crescimento da dívida externa, o adiamento das correções estruturais da nossas deficiente operacionalidade,   e só não houve mais estragos porque a nossa vizinha Espanha tem recuperado, o Turismo nacional mesmo sendo mal gerido cresceu e apesar dos erros de gestão dos nossos órgãos de soberania tem havido iniciativas privadas muito proveitosas.

Mas há que corrigir o conceito de austeridade pois ela nunca foi de facto aplicada e é indispensável que o seja, para que nem se volte a criar uma bolha perigosa nem se caia na ratoeira imediatista dos que querem gastar mais do que o que se produz sem corrigir a baixa operacionalidade, prejudicando a vida das gerações futuras e não recuperando a perdida independência nacional.

Lisboa, 18 de Julho de 2017

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 16:14
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