Maio de 2012-1ª notícia
Na ilha de Baleizar, famosa pelas suas reservas minerais o Sultão Ben-Viziber recebe um relatório elaborado por um grupo de cientistas internacionais em que é demonstrada a decadência que se verificará num prazo inferior a vinte anos e que significará a impossibilidade de manter a sua população de cerca de 500 000 almas tal como aconteceu até agora.
Setembro de 2012-2ª notícia
O Sultão de Baleizar, após escolha realizada a nível internacional encomenda a empresa de consultadoria o estudo da solução para o problema da sobrevivência do seu povo.
Abril de 2013-3ª notícia
Os consultores entregam o estudo para a evolução de Baleizar: encontraram um país com condições excepcionais para ser receptáculo de iniciativas que permitam a deslocação desta população para lá dentro do prazo estipulado, pois será necessária uma fase de preparação desde a aprendizagem da língua até às diversas profissões propícias à sua integração na sociedade local, passando obviamente pelas suas actividades culturais mais relevantes como seja o futebol e a música
Dezembro de 2017-4ª notícia
No relatório de um banco privado português em grande expansão nestes últimos anos figuram algumas informações que passamos a transcrever:
“Portugal apresenta o maior aumento do PIB verificado na OCDE, simultaneamente com elevado crescimento das exportações e do turismo de qualidade em grande parte devidos ao trabalho realizado pelo pessoal especializado que foi possível recrutar do estrangeiro.
Quanto ao Banco Habitação e Progresso, hoje o maior do País, conseguiu dinamizar o mercado imobiliário e, simultaneamente através de acções de mecenato, excelente ligação às Autarquias e de motivação directa favorável ao investimento produtivo, provocar o aparecimento de uma nova vaga de gestores dotados com grande capacidade técnica e principalmente com princípios essenciais de serviço público que transformaram radicalmente o clima de trabalho, incluindo a preparação técnica dos trabalhadores, e de investimento no País.
Está prevista durante a sessão de fim de ano da Confederação das Empresas Portuguesas a condecoração pelo Senhor Presidente da República do Presidente do B.H.P. Sr. Ben-Viziber pelos serviços prestados sendo-lhe conferida também a qualidade de cidadão honorário português.
Nota final: depois de porfiadas pesquisas conseguimos ter acesso a um extrato das conclusões do relatório dos consultores em que estavam indicadas as condições que foram consideradas mais importantes para a escolha de Portugal como o país mais propício para os objectivos do sultão Ben-Viziber que transcrevemos a seguir:
“Do ponto de vista religioso os portugueses toleram tudo desde que isso não lhes dê trabalho nem confusões.
Trata-se de um país com bom clima, excelente posição geográfica (que muitos portugueses consideram periférica por simples preguiça ou ignorância), vivendo em democracia, com enorme parque imobiliário desaproveitado, com população envelhecida, com baixíssima taxa de natalidade porque as gerações novas não aceitam ter filhos para não prejudicarem as suas atividades lúdicas e/ou as suas carreiras profissionais além do poder político dar mais incentivos ao aborto que à natalidade. População esta muito pouco ativa politicamente, exceto na realização de manifestações não violentas em ruas e greves em transportes públicos, dominada por uma elite obcecada pelo imediatismo e pelo mediatismo, totalmente adversa a investir em tudo o que seja a prazos mais longos que um a dois anos, e que por isso tenta vender o seu património rapidamente para endireitar as contas públicas sem pensar no futuro.
Além disto tem prazos enormes para as decisões relativas a investimentos produtivos e existem vários entraves ambientais, exceto quando são obras pouco ou nada úteis e até desnecessárias, como é o caso das autoestradas e centros comerciais, estádios de futebol, bairros com baixíssima qualidade urbanística, etc.,etc..
No entanto tem alguns centros de actividades muito dinâmicos o que indica potencialidades interessantes e aproveitáveis e grande parte da população está ávida de ter oportunidades concretas, o que tem faltado em quantidade e qualidade suficientes.
Tem uma taxa de desemprego que adicionada a muitos empregos de baixo valor acrescentado é elevada o que indicia deficientes estruturas empresarial e laboral que poderão ser alteradas aproximando-se de sistemas mais eficientes desde que haja chefes empresariais habilitados e uma estrutura estatal menos pesada e mais operacional.
Também se verifica haver uma estrutura autárquica muito pouco eficiente e penalizadora da competitividade global, dada a escassa dimensão da maioria das autarquias ser insuficiente para garantir a sua viabilidade principalmente porque vão deixar progressivamente de depender tanto do Governo Central do ponto de vista financeiro e se terem mostrado incapazes de se associarem voluntariamente de forma a ganharem eficiência, ficando-se pela lamentação de não haver uma desejada, embora mal conhecida, regionalização ou reestruturação.
Esta situação cria condições para a conquista de poder autárquico e assim permitir a dinamização de inúmeras iniciativas até agora impossibilitadas pelos condicionalismos vigentes.
Uma das actividades que mais desprezada tem sido é a Marinha Mercante e a de Recreio que só por si permitirá a criação de cerca de algumas centenas de milhar de empregos novos diretos além dos que serão induzidos em outros sectores, principalmente no turismo de qualidade no qual têm sido mal aproveitadas as grandes potencialidades do País.
Outros campos de elevado potencial são o do ordenamento do território e da sua relação com o sistema de transportes que tem sido desde há muitos anos bastante maltratado, o da gestão das águas e a da energia e o da produção de bens alimentares como a agricultura e a pesca que estão ambas muito mal aproveitadas principalmente pelo estrangulamento resultante do excessivo peso de influência política dos intermediários e da pouca motivação empresarial.
No entanto estando Portugal na Europa será possível corrigir alguns destes obstáculos ao desenvolvimento com o apoio europeu, desde que seja corretamente tratado.”
Lisboa, 15 de Janeiro de 2018”
José Carlos Gonçalves Viana
2012-07-26
Publicado nos Cadernos Culturais de Telheiras nº5/Outubro 2012