Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011
O TURISMO NO DESENVOLVIMENTO DO SOTAVENTO ALGARVIO –VI E agora, de que estamos à espera?

Entretanto escreveu-me um leitor, interessado em saber por que razão, parecendo serem os vários investimentos aqui sugeridos muito interessantes, particularmente na presente conjuntura de tanta carência de postos de trabalho, eles não se concretizam.

 

Esta dúvida é muito pertinente e duplamente oportuna.

 

Primeiro porque por um lado existe a necessidade absoluta da criação de postos de trabalho, única forma prática de diminuir a tremenda taxa de desemprego, e por outro a igualmente importante tarefa de melhorar o nível do nosso produto turístico de forma a aumentar as receitas desta actividade altamente exportadora e diminuir a taxa de sazonalidade, quando eficazmente praticada.

 

Depois porque está em curso uma acção concreta de grande profundidade e ambição que poderá permitir a expansão da nossa ZEE que é agora 1 683 000km2 para mais      2 150 000 km2 o que nos dará enormes potenciais em riquezas naturais mas também enormes responsabilidades de as conseguirmos explorar, para que se não repitam os erros cometidos nos finais do século XIX no tristemente célebre caso do mapa cor de rosa.

 

 

Ora para que tudo isto seja realizável o Governo actual tem desenvolvido várias acções internas e externas de forma a concretizar este programa de desenvolvimento essencial para o futuro do País.

 

Como é sabido nas últimas três décadas a componente civil da nossa Marinha tem vindo a apresentar sintomas de grande decadência em virtude do desinteresse por estas actividades por parte dos poderes  político e empresarial, particularmente no período 85-95 em que tanto a Marinha Mercante como as Pescas foram altamente prejudicadas e a de recreio esquecida.

 

Actualmente há determinações ao mais alto nível para se inverter esta situação pois parece haver a consciência de que se assim não for feito os resultados serão uma vez mais um novo desastre cor de rosa.

 

Acontece porém que a nossa estrutura governativa é algo complexa pois de assuntos relativos ao Mar há 14 tutelas e embora haja uma Secretaria de Estado cujo título indica Assuntos do Mar ela não tem poderes efectivos que lhe permitam resolver todas as dificuldades que atrasam as decisões que são precisas para se progredir em tempo útil, isto é, agora!

 

Uma vez mais o exemplo do nosso passado marítimo vem ao de cima: no século XV em que os portugueses ligaram todo o mundo com os seus navios pouco ou nada se escrevia, mas muito se fazia.

 

Agora muito se escreve, mas muito pouco se faz.

 

Existe é certo um organismo criado para dinamizar estes projectos mas estes têm que ser iniciados localmente e simultaneamente existem trabalhos em curso, aliás centralizados talvez demais se tivermos em conta a realidade e os esforços frequentemente explicitados pelo poder político no sentido de aumentar a descentralização.

No entanto uma coisa parece ser certa: os poderes locais, isto é, as Autarquias interessadas em projectos náuticos importantes, como são os casos de Tavira, Castro Marim e Vila Real de Santo António, como exemplos paradigmáticos desta actualidade em conjunto com os responsáveis locais principalmente do IPTM, da Ria Formosa e da Direcção de Ordenamento deveriam iniciar as acções tendentes a cumprir as determinações do Governo e os interesses da região.

Não inclui Olhão por que este município já iniciou este desenvolvimento, embora ainda tenha também muito para fazer.

 

Parece haver investidores privados interessados mas nenhum poderá concretizar este interesse se tiver como perspectiva esperar dez ou mais anos por uma decisão.

 

Portanto a questão põe-se assim: existem sugestões concretas para vários projectos que modificariam, para melhor, a vida destes municípios e dos seus habitantes mas é forçoso que as forças vivas civis e os responsáveis da Administração Pública atrás indicados se sintonizem e cumpram o seu dever de promover o progresso desta região.

 

Só depois se poderá responsabilizar o Governo Central pelos atrasos em curso.

 

Publicado no Postal em Junho de 2010

 




publicado por JoseViana às 14:47
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O TURISMO NO DESENVOLVIMENTO DO SOTAVENTO ALGARVIO –V E a Ria Formosa?

Mais uma vez tivemos uma questão posta por um leitor que merece uma resposta, e ela é a seguinte: foram sugeridos vários investimentos a serem realizados na Ria Formosa, mas como será isto compatível com a qualidade inerente a uma zona protegida e ambientalmente sensível?

 

Antes de responder à questão posta convém esclarecer os leitores explicitando três princípios que defendemos serem essenciais, embora correndo o risco de podermos ser considerados fundamentalistas:

 

1ºTodas as zonas protegidas têm que ser geridas de forma a não só protegê-las de acções humanas nocivas mas também compensando eventuais alterações naturais que tendam a prejudicá-las, o que evidentemente tem custos por vezes elevados.

 

2º Nas zonas protegidas a protecção não pode significar obrigatoriamente o seu não aproveitamento inteligente e sustentado e (até) as dificuldades dos que lá habitam.

 

3ºA procura de condições de excelência de qualidade de vida não pode nem deve ser unicamente praticada nas zonas protegidas mas em todo o território pois se a natureza deve ser protegida também a população merece o mesmo tratamento o que não se verifica pela qualidade muito baixa da maioria dos PDMs das nossas cidades.

 

Posto isto verifica-se que a principal diferença entre as zonas ditas protegidas e as outras é que nas primeiras a afluência de visitantes tem que ser controlada e limitada consoante as suas características enquanto nas segundas são aceites limites muito altos ou nenhuns.

 

Portanto quando se pretende elaborar um plano de desenvolvimento de uma zona protegida como é o caso da Ria Formosa temos que elaborar a lista de todas as actividades que serão aceitáveis por serem económica e socialmente interessantes e delimitadas de forma a que, pela sua quantidade e características, não prejudiquem o equilíbrio ambiental da Ria.

A situação actual da Ria é a de não estar a ser aproveitada devidamente nem a ser gerida de forma eficiente pois o assoreamento de muitas zonas, como por exemplo junto ao Forte de Sto António, em Cacela, em Cabanas, em Sta Luzia e o rompimento do cordão dunar  em frente de Cacela são provas de falhas de conservação, que aliás até põem em perigo a sua própria existência.

 

 E além disto há esgotos a correr para a Ria, há o estacionamento de embarcações de forma anárquica, sem qualidade e sem qualquer contribuição para a manutenção da Ria, mas sempre que há tentativas para estabelecer instalações náuticas apropriadas nada se autoriza o que em tempos levou alguém a afirmar parecer ser norma da entidade gestora da Ria “nada se autoriza tudo se consente”. E isto é apenas uma parte do que se poderia dizer mas para agora é quanto basta.

 

Por outro lado tem que haver uma gestão eficiente da evolução da Ria, que, como se sabe mas não é praticada, preserve o cordão dunar, os canais de navegação e de circulação das águas, as barras que exigem esforços eficazes de compensação dos desgastes naturais e outras variáveis além das construções e ocupações empresariais que implica a existência de mecanismos de controle efectivos e a manutenção permanente de um modelo que permita monitorizar todo o conjunto territorial da Ria como seria desejável e deveria ser obrigatório.

 

É obvio, mas ainda não está implantada a solução para se poder atingir este estado de excelência pois para isso seria indispensável haver uma entidade de facto responsável por esta gestão não só para realizar todas as acções necessárias mas também para obter as verbas e não ter que depender apenas do Orçamento do Estado.

 

Aliás no caso da Ria Formosa é nossa convicção de que um sistema de gestão eficiente poderia aproximar-se muito da auto suficiência orçamental e criar grande número de postos de trabalho e tornar-se num pólo importante da economia algarvia, e já em 2004 apresentámos publicamente um plano para atingir este objectivo mas nem os responsáveis públicos nem os privados se revelaram interessados.

 

Mas dada a necessidade absoluta de se criarem mais postos de trabalho urgentemente custa a entender e não se pode aceitar que se continue a não tomar as decisões correctas que corrijam esta situação.

 

Publicado no Postal em Junho de 2010



publicado por JoseViana às 14:44
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O TURISMO NO DESENVOLVIMENTO DO SOTAVENTO ALGARVIO –IV

Nos artigos anteriores deixámos expresso o interesse na participação dos nossos leitores na discussão e no aprofundamento deste assunto que obviamente influencia a vida da maioria, digamos mesmo da totalidade da população do Sotavento.

 

O interesse e o nosso desejo de que isso acontecesse embora a minha experiência pessoal seja bastante negativa pois ao nossos concidadãos gostam muito de falar, e discutir mesmo, nos cafés e em casa ou onde der jeito mas participar activamente já é outra coisa ou melhor quase nada.

 

E de facto só tive um contacto de um leitor que me fez a pergunta seguinte: tem sido gasto bastante dinheiro com o programa ALLGARVE para tentar contrariar a baixa de procura por parte dos turistas mas como é que isso se encaixa nas sugestões que foram apresentadas nestes artigos e na perspectiva de uma subida de preço do  petróleo que naturalmente vai fazer aumentar o custo das passagens de avião?

 

 

A pergunta é oportuna e revela uma preocupação legítima pelo que julgo importante, direi mesmo essencial responder-lhe tentando esclarecer um assunto que de facto é vital para o nosso desenvolvimento, mais exactamente para a nossa sobrevivência.

 

Com efeito a crise que agora nos aflige, isto é que aflige todo o mundo, é fundamentalmente uma fase da evolução caracterizada pelo aumento da população da Terra que era em 1900 cerca de 1 bilião e agora se aproxima dos 7 biliões, pela produção crescente de energia que é essencial para a vida em geral e para a comodidade e para o alto nível de vida em particular, quase toda assente na utilização de carvão e de petróleo.

 

Com especial incidência para este último por ser menos poluente e mais utilizável mas que atingiu já o máximo da capacidade de produção razão pela qual irá fatalmente ir aumentando o seu preço. Até porque conforme o seu preço vai subindo vão surgindo outras opções energéticas sempre mais caras mas algumas com potencialidades de menor impacto ambiental o que é mais um factor cada vez mais importante a considerar.

 

O conhecimento da evolução da humanidade face a choques do preço do petróleo começou a ganhar forma com o de 1972 mas nessa altura a população da terra era quase metade da actual e ainda não havia a consciência generalizada das consequências prováveis do aumento da produção de gases com efeito de estufa na vida da humanidade como hoje se verifica haver.

 

Para quem quer viver do turismo e dentro do que foi afirmado nos artigos anteriores o que interessa a toda a população afectada é que os turistas que nos visitem tenham a máxima capacidade de consumir bens e serviços que sejam fornecidos com a sua intervenção maximizada de forma a que o valor acrescentado que fica na região também seja maximizado.

 

Ora para se fazer um programa de dinamização da procura do destino Algarve e portanto também Sotavento há que definir que tipo de pessoas deverá ser abordado e quais serão as motivações que os farão decidir vir para cá passar férias ou trabalhar ou tratar-se ou viver.

 

O facto de haver a previsão de o custo das viagens ser mais alto só vem reforçar esta necessidade de gestão muito eficiente da publicidade e dos respectivos conteúdos.

Na verdade a lista dos conteúdos que veio publicada e que é apresentada em roteiros recentes não parece a mais efectiva pois certamente um aficionado por pesca desportiva, ou por fazer vela ou jogar golfe durante o inverno, ou caçar, ou fazer mergulho, que viva no norte da Europa, por exemplo, poderá considerar a vinda ao Algarve desde que o preço que lhe apresentem seja razoável e que tenha ofertas deste tipo com a qualidade indispensável.

 

Ora não tem sentido gastar dinheiro a oferecer danças populares e outras actividades que pouco ou nada influenciam a decisão favorável dos candidatos a turistas e não se vê investir por ventura menos que isso na promoção da qualidade do produto turístico que se oferece.

E isto não diz respeito apenas às entidades oficiais mas principalmente às particulares que não têm dado provas de entenderem que o rumo que têm seguido tem que ser alterado imediatamente se quiserem diminuir o desemprego dos trabalhadores e aumentar os lucros das suas empresas.

 

E por hoje ficamos aguardando mais participações.

 

Publicado no Postal em 10 de Junho de 2010




publicado por JoseViana às 14:38
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O TURISMO NO DESENVOLVIMENTO DO SOTAVENTO ALGARVIO I

Não parece haver quem duvide que o turismo é a principal fonte de riqueza desta sub região mas também parece não estar a ser bem entendida a forma de a aproveitar a cem por cento.

 

Com efeito convém começar por recordar a definição de turismo: conjunto, sistémico e global, de actividades económicas que em vez de levar o produto ao cliente, trazem este àquele. E se a maioria dos clientes for estrangeira é um excelente meio de exportação e portanto de angariação de divisas.

 

Assim, numerosas actividades cujo transporte é impossível e outras que não é viável a sua exportação, pela sua natureza e/ou dimensão, passam a ser valorizadas e vendidas se forem devidamente trabalhadas e divulgadas.

 

Se isto não for feito correcta e plenamente, grande parte do valor acrescentado da actividade turística é perdido por desaproveitamento de potencialidades existentes ou por substituição de produtos nacionais por outros importados.

 

Ora Portugal atravessa não só uma crise mundial mas também uma crise estrutural e cultural, cujo início se deu há cerca de 25 anos, que tem vindo a deteriorar ainda mais a sua competitividade que desde há bastantes anos já era suficientemente baixa para precisar que fossem tomadas medidas profundas de recuperação, o que não aconteceu. Além de se ter atingido um valor da dívida pública de tal dimensão que se não se mudar radicalmente a maneira de viver e de gerir o País, as Autarquias, as Empresas e as Famílias não conseguiremos vencer em tempo útil estas crises.

 

O Governo Central tem dado alguns sinais positivos desta alteração de rumo, particularmente reduzindo a excessiva despesa pública que cresceu neste período mais de 600%, mas não basta que ele o faça, pois todos os outros intervenientes têm também que dar passos idênticos nas suas esferas de influência.

 

Quando se analisa o Turismo do Sotavento verifica-se existir uma elevada taxa de sazonalidade porque o produto turístico ainda está excessivamente baseado no sol e mar que foi um erro, assaz grosseiro diga-se de passagem, cometido até agora pelos principais responsáveis por este sector e por esta sub-região.

 

Na verdade, o golfe já veio contribuir muito para colmatar esta falha, mas faltam outras actividades essenciais para inverter esta situação, como seja a náutica de recreio e retomar actividades produtivas na agricultura, na agropecuária, na construção naval, na pesca, e noutras que mais adiante se tratará.

 

Ao se fazer um trabalho deste tipo e desta envergadura há que ter a noção precisa da dificuldade do Estado se endividar mais, pelo que todos os planos de desenvolvimento deverão ser realizados de forma a minimizar o investimento estatal e motivar o privado, sem perder a eficiência do papel fundamental de regulador do estado e a capacidade de concorrência eficaz do privado.

 

Assim pretende-se desenvolver no Postal um movimento de captação de interessados nesta campanha a realizar da forma seguinte: vão ser publicados nas próximas edições do jornal artigos, de minha responsabilidade, sobre as várias actividades que constituem o potencial económico do Sotavento e espera-se que os leitores que têm opiniões e sugestões sobre estas iniciativas as escrevam e enviem para o Postal à atenção do programa –O FUTURO DO SOTAVENTO.

 

Os textos recebidos serão aproveitados de forma correcta no decorrer deste programa de forma a incluir a maior quantidade de interessados que normalmente têm dificuldade em exprimir as suas opiniões.

 

Na próxima edição apresentaremos uma lista quase exaustiva com o intuito de facilitar e até motivar os leitores para esta iniciativa.

 

Na edição seguinte trataremos a náutica de recreio por ser das mais importantes e das que mais atrasadas estão aqui, seguindo-se as outras e incluindo as sugestões recebidas entretanto.

 

Publicado no Postal em 6 de Maio de 2010

 

 



publicado por JoseViana às 14:33
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O Algarve e a austeridade

A austeridade que se está iniciando agora é tão criticada principalmente por aqueles que já se esqueceram, ou nunca tiveram a consciência, de que muitos dos chamados direitos adquiridos o foram à custa de dinheiro emprestado, pois, nestas últimas décadas, descurámos a produção e criámos hábitos próprios de gente rica, sem nos preocuparmos como poderíamos sustentar ao longo do tempo tão elevado nível de vida.

 

Portanto agora, no caso do Algarve, a solução é aproveitar ao máximo a capacidade de “produção” do turismo e para isso os respetivos responsáveis têm que dinamizar esta atividade como aliás tem sido defendido nas páginas deste jornal há bastante tempo.

 

Esta dinamização tem duas vertentes, que julgo ser importante recordar: uma a elevação do nível do produto turístico incrementando imediatamente as atividades náuticas, que têm uma capacidade de crescimento da ordem dos 100 %, isto é, o dobro da atual, e outras atividades individualmente menores mas no conjunto importantes; outra vertente o incremento das produções agrícola, piscatória e outras de forma a maximizar o valor acrescentado.

 

Há projetos suficientes para iniciar esta dinamização, mas não tem havido a tomada de decisões que são imprescindíveis, para que se tornem em realizações quer do Governo Central quer, principalmente, dos responsáveis locais sejam eles privados, autarcas, políticos ou corporativos.

 

Ouvem-se muitos lamentos e chega a dar a impressão que muitos esperam que esta tempestade passe em dois ou três anos e depois volte tudo à mesma, razão pela qual, adotam a posição cómoda da lamentação e da crítica, atirando a responsabilidade da situação atual e da sua solução para outros, sejam eles quem forem, e, como dizia Eça de Queirós julgam poder melhorar, comprando uma cautela e acendendo uma vela a um Santo protetor.

 

Na verdade é essencial acreditar que a cultura, i.e., as atitudes consumistas, não produtivas e tantas vezes corruptas que se desenvolveram nas décadas passadas, não são para repetir nem são para esquecer, e têm que ser substituídas por eficiência, seriedade, justiça e verdadeira equidade.

 

Deixem-se pois de lamentações e exigências inconsistentes e discutam, sim, mas não se fiquem pela conversa, e decidam como iniciar já todas as iniciativas que aumentem a produção de bens e a capacidade do produto turístico que é o Algarve; e assim acabem com o desemprego, com as desigualdades e com a escuridão do desalento que sempre surge nestas situações.

 

Tavira, 25 de Outubro de 2011  

           

Publicado no Postal do Algarve em 18 de Novembro de 2011



publicado por JoseViana às 14:15
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Autarquias e a eficiência do seu serviço cívico

1º-As Autarquias são uma peça essencial na gestão da coisa pública dada a sua proximidade com os cidadãos que são os seus “clientes” e os eleitores que elegem quem as dirige conferindo-lhes assim toda a legitimidade democrática.

 

2º-A experiência mostrou claramente que as Autarquias, tal como até agora estavam organizadas, não são sustentáveis e, na maioria dos casos, não têm dimensão crítica suficiente para exercerem algumas funções fundamentais como por exemplo desenvolverem os PDMs, atividades culturais, e outras.

 

O aumento dos impostos para se tentar atingir o nível de sustentabilidade indispensável será um encargo inaceitável para os cidadãos e portanto totalmente inoportuno e errado.

 

3º-A fraca utilidade dos Governos Civis, estrutura pouco democrática herdada da ditadura, foi agora finalmente enfrentada pelo Governo sendo pois necessário reestruturar as suas funções.

 

4º-O mito da regionalização, já mais que uma vez combatido mas de vez em quando ressuscitado, não passa de perda de tempo em termos de processo eficaz de reorganização só se explicando esse interesse ocasional por deficiências de formação em gestão daqueles que o exprimem, e portanto é para esquecer. O País precisa de ser eficiente, não de ser regionalizado, quanto mais não seja porque a nossa dimensão já é de uma região, o que está é mal gerido.

 

5º-A organização do País em distritos tem uma tradição que vale a pena analisar e que aliás é seguida por vários partidos políticos com bons resultados o que conduz a uma solução lógica para os problemas atrás referidos, a saber:

 

5.1-Em cada distrito as Autarquias elegem um Presidente Distrital que em conjunto com um Conselho constituído pelos seus Presidentes será responsável pelo PDM do distrito e portanto pelo PDM de cada município, e por outros serviços que deixam de onerar cada município, melhorando assim a sua eficiência, sem prejudicar a relação de proximidade com os cidadãos.

 

5.2-Este Presidente Distrital, será uma pessoa residente no distrito, não sendo acumulável com uma Autarquia.

 

5.3-As reduções nos quadros de pessoal que tal reorganização fatalmente acarretará às Autarquias poderão e deverão ser rápidas mas progressivas de forma a permitir absorver esses excedentes através do desenvolvimento de atividades produtivas, muitas vezes dependentes de decisões das próprias autarquias. Incluindo a reestruturação das Juntas de Freguesia que deverá ser realizada pelas Autarquias e não pelo Governo Central pois doutra forma nunca mais se inicia a necessária descentralização.

 

 

Lisboa, 11 de Julho de 2011

Publicado no DN em 28 de Julho de 2011



publicado por JoseViana às 14:10
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Sábado, 3 de Dezembro de 2011
Navios de cruzeiro em Portugal

As notícias sobre o crescente interesse pelos navios de cruzeiros estrangeiros que nos visitam e que tem provocado fortes investimentos em alguns dos nossos portos naturalmente causam alguma perplexidade aos portugueses que estão razoavelmente informados sobre as actividades marítimas, pois é difícil entender porque razão há tantos navios de cruzeiro mas portugueses só o “Funchal” e este pertence a um armador grego.

 

Temos como hábito, sempre que algo corre mal, criticar pelo menos um Governo mas neste caso a história é mais animada e não tão contundente com Governos.

 

Com efeito graças à acção do Governo em exercício em 1945 foi publicado um despacho do então responsável pela Marinha Portuguesa Capitão de Mar e Guerra Américo Tomás, e é de notar haver então um responsável pela Marinha o que parece não mais ter acontecido depois de 1974, que empurrou os nossos empresários marítimos para se equiparem com navios e assim chegarmos a 1974 com perto de 200 unidades que garantiam os transportes mais importantes para o país e que nesta altura até já tinham iniciado operações como terceira bandeira.

 

Entendendo-se Marinha como o conjunto constituído pela Armada e pelas Marinha de Comércio, de Pesca e de Recreio e actividades conexas e que até aquela data dependiam do Ministro da Marinha.

 

Como é sabido durante a década de sessenta iniciaram-se os voos com aviões a jacto e o transporte de passageiros de longo curso foi destronado e substituído por este novo meio mais rápido e eficaz, ficando inúmeros navios sem utilização.

 

Se não me falha a memória tivemos nessa época 22 paquetes.

 

Entretanto muitos armadores doutros países adaptaram os seus navios a este novo tráfego e originaram várias companhias especializadas nesta actividade cuja maior diferença em relação ao transporte até aí realizado era o “marketing” e a assunção mais aprofundada do navio se transformar num hotel móvel.

 

Ora em Portugal os nossos armadores não pensaram da mesma forma e venderam os seus navios, sendo mais tarde alguns utilizados por armadores estrangeiros para cruzeiros.

 

O único que não foi logo vendido foi o “Funchal” pois a empresa sua proprietária quando o seu conselho de administração decidiu por dois votos contra um vendê-lo encontrou o veto do então Presidente da República Almte Américo Tomás que, lembrando as condições nessa altura propiciada à Empresa Insulana do tráfego africano, não autorizou a sua alienação, o que permitiu a sua transformação em navio de cruzeiro.

 

Note-se que este navio que dava até aí, nesses anos pós aviões a jacto, prejuízos de várias dezenas de milhar de contos anuais passou logo de seguida a dar resultados positivos.

 

Após 74 com a nacionalização da CTM e das outras companhias e com toda a evolução que se seguiu deu-se o descalabro da maioria delas chegando-se à década de 80 em que o “Funchal” foi posto à venda.

 

Nessa altura a Soponata desenvolvia, ou melhor tentou desenvolver um plano de diversificação que passava pela formação de uma empresa de cruzeiros que começaria com este navio cujas capacidades eram bem conhecidas e que seria seguido pela construção de navios mistos de vela e motor vocacionados para viagens em zonas apropriadas para navios desta dimensão, para o que se chegou a realizar um estudo por um arquitecto naval português, e que mais tarde foram consubstanciados por outra empresa estrangeira que soube concretizar esta ideia paralela, mostrando que o plano em questão tinha toda a viabilidade.

 

Também simultaneamente a Soponata tinha iniciado a sua participação maioritária no porto de Macau em que se previa a criação local de uma empresa de cruzeiros ligada a interesses chineses e onde mais uma vez um dos valores em jogo era a qualidade do serviço prestado pelo pessoal de bordo português que ainda tinha a fama ganha em tempos passados.

 

Tudo isto foi chumbado pelo accionista que dependia de um ministro que para construir auto-estradas determinou que tinha que se destruir a Marinha, embora na verdade algumas das nossas empresas estatais de transportes marítimos dessem então fortes prejuízos.

E que conseguiu fazê-lo, sem ter tentado saber por que razão isso era assim e se haveria outra solução mais construtiva.

 

Talvez pareça uma contradição o que se acaba de contar pois atrás foi dito que nem sempre se deve acusar um Governo do que acontece de mal e agora afinal caímos nesse pecado outra vez, mas não é bem assim.

 

Com efeito vejamos primeiro que a inexistência de navios de cruzeiro foi de início totalmente da responsabilidade dos empresários, e depois quando a Soponata foi  desviada e cancelado o seu plano de desenvolvimento não houve do meio empresarial nem do meio dos economistas e jornalistas especializados o mínimo gesto ou tomada de posição pressionando o poder político para retomar o rumo do mar.

 

Durante estas décadas os nossos media pouca ou nenhuma atenção têm dado à destruição da nossa Marinha e ainda menos ao que é preciso fazer para a recuperar,  ficando a sua defesa quase resumida à Armada, à Academia de Marinha, à Sociedade de Geografia de Lisboa e pouco mais.

 

A maioria da nossa população pouco ou nada sabe sobre assuntos da Marinha, as comemorações dos descobrimentos foram abaixo do mesquinho e continuamos a fazer reuniões, e outros actos sociais mas decisões práticas positivas nada.

 

Mas decisões como a da Ponte Chelas Barreiro, dita TTT, essa sim aí está: para contribuir para o atraso do País por haver melhores soluções, ser cara, improdutiva, e altamente nociva para as cidades de Lisboa e Barreiro e destrutiva do melhor espaço que existe na Europa para acolher navios, o Mar da Palha, o que significa a decisão superior de não mais virmos a ter uma Marinha de Comércio que é uma das poucas actividades em que ainda poderíamos ter dimensão mundial, pondo em risco não só a nossa economia actual e futura e mas mais que isso, a nossa identidade e a nossa independência.

 

E provocando o descrédito de dois políticos que muitos como eu julgavam poderem ser os pilares da nossa recuperação mas que assim dificilmente ganharão as próximas eleições quando os eleitores tomarem consciência da dimensão deste tremendo erro que aliás está em franca contradição com o que foi decidido pelo Governo na Resolução do Conselho de Ministros nº 163/2006 e de que respigamos alguns trechos:

“…permitindo a Portugal….,valorizar e preservar o património natural e assumir-se como o país marítimo da Europa.

 

A estratégia nacional para o mar tem de ser enquadrada com as restantes estratégias, políticas e programas nacionais, nomeadamente…, o Livro Branco Política Marítimo-Portuária Rumo ao Século XXI e as Orientações Estratégicas para o Sector Marítimo-Portuário…

 

É necessário, em particular, assegurar a articulação com……. os planos de ordenamento da orla costeira, da futura estratégia de gestão integrada da zona costeira e do futuro plano marítimo-portuário,…. tendo por base uma informação técnico-científica sólida.

 

….De modo que Portugal aproveite as oportunidades existentes e mitigue as dificuldades, as linhas orientadoras da estratégia Nacional para o Mar assentam em três pilares estratégicos: o conhecimento, o planeamento e o ordenamento espaciais e a promoção e a defesa activa dos interesses nacionais.

 

…Foram assim seleccionadas oito acções estratégicas….. o planeamento e ordenamento espacial das actividades; a protecção e recuperação dos ecossistemas marinhos; io fomento da economia do mar;…”

 

Perante isto será possível acreditar terem sido as mesmas pessoas a decidir a TTT e estas decisões estratégicas?

 

Lisboa, 12 de Abril de 2006

 

Publicado na revista de Marinha-Julho 2009



publicado por JoseViana às 19:10
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