A indigitação recentemente verificada de gestores, aparentemente sem currículo político mas excelente currículo profissional, para cargos políticos da maior importância levantou um coro de comentários, porque parece haver dúvidas quanto à eficiência de um gestor de origem empresarial ou semelhante no desempenho de tais funções políticas.
O contrário, isto é a passagem dum cargo político para um empresarial já não levanta tais dúvidas mas, se por vezes isso acontece de forma a originar notícias nos jornais, normalmente apenas houve influência de decisões tomadas pelo visado no primeiro cargo que teriam favorecido alguns interesses da empresa para onde transitou, não se pondo a questão da eficiência.
O que interessa na resposta à questão posta em título deste escrito é esclarecer o que de facto influencia a eficiência da gestão por quem ocupa os lugares cimeiros de qualquer organização, seja ela uma empresa ou um país.
A definição mais simples de gestão eficiente a enunciar é: o conjunto de princípios e procedimentos que maximizem os resultados a atingir utilizando uma equipa competente e todos os meios ao seu dispor no mercado em que a entidade a gerir está inserida.
Estes princípios essenciais da eficiência são os seguintes:
1º-Distinguir o fundamental do acessório
2º-O primeiro fator é o pessoal,( as pessoas de dentro e de fora)
3º-Haver sempre responsáveis
4º-Tomar decisões efetivas e oportunas
5º-Basear-se nos pontos fortes e não nos fracos
6º-Libertar-se de preconceitos e ideias feitas
7º-Apontar para os resultados mais do que para o trabalho
Estes princípios adicionados às capacidades humanas e técnicas e à experiência em lugares de chefia e/ou ao treino em gestão como é normal nos cursos específicos devem ficar em equilíbrio com as características do cargo, a que se chama a posição estratégica, e que são: dependência hierárquica, poderes de decisão e informação recebida. A esta relação dá-se o nome de competência.
O primeiro fator de sucesso é a qualidade de liderança do responsável por essa equipa, e portanto pela sua competência, e a responsabilidade da sua escolha pertence a quem detém o poder de o indigitar. Se for uma empresa será a Assembleia Geral, ou seja os sócios que têm a maioria do capital, se for um país será o partido, ou a coligação de partidos que obtiver a maioria em eleições a isso destinadas.
A escolha dos candidatos a estes cargos obedece a critérios vários, alguns subjetivos e outros objetivos, entre ao quais as qualidades pessoais dos candidatos, entre elas as provas dadas anteriormente como sejam: os resultados obtidos, a capacidade de trabalho, a capacidade de liderar, a empatia e outras características pessoais e finalmente as capacidades técnicas mínimas para poder liderar toda a equipa, que se nas empresas já abrange vasta área, num país abrange todas a áreas de conhecimentos e de atividades.
Mas, perdoem-me a insistência, o mais importante é o seu comportamento ser orientado pelos princípios acima indicados.
A maioria, para não dizer todos, dos desvios verificados no nosso país que o conduziram à situação atual foram consequência do atropelo frequente de alguns ou até de todos eles.
Já Camões dizia”um fraco rei faz fraca a forte gente” e Damião de Góis “mais vale um exército de ovelhas comandado por um leão que um exército de leões comandado por uma ovelha”.
Por outro lado a atividade de gestão começa com a definição de objetivos e dos meios para os atingir cujo plano de ação faz parte das condições postas à partida quando da indigitação.
No caso de um país deverá ser definido durante o período eleitoral, aliás como acontece nas empresas, o que implica ter que haver depois um órgão que permita controlar a evolução durante todo o mandato de forma a evitar desvios, por ineficiência ou por fraude.
Tudo isto porque existe uma base democrática nestas relações de trabalho e de influências, pois em ditaduras nada disto acontece assim, e por isso mesmo se justificam nestes casos as demonstrações de protesto nas ruas, que em democracia significam a falta de eficiência das chefias dos partidos políticos que tem conduzido à enorme abstenção e á adoção generalizada dos movimentos de protesto popular, como única solução para a população se manifestar.
Porque se os partidos políticos fossem representativos de facto de toda a população o resultado das eleições bastaria para satisfazer a sua necessidade e interesse na solução dos problemas e em atingir os objetivos correspondentes às promessas eleitorais que ganharam as eleições.
Como melhorar esta situação que obviamente representa uma eficiência de governação fatalmente mais baixa do que seria desejável? E como controlar o trabalho de gestão dos eleitos?
Nas empresas privadas motivam-se os gestores (e seria excelente incluir também todos os colaboradores ) com ganhos proporcionais aos resultados obtidos e no estado deveria haver igualmente uma avaliação que premiasse (ou punisse) anualmente e no fim do mandato conforme os resultados atingidos.
Quanto ao controle, da mesma forma que nas empresas há o conselho fiscal, no estado já existe o tribunal de Contas que deveria ter essa função, talvez mais alargada e eleita sempre pelos partidos da oposição. Tal como o Provedor e qualquer órgão de controle, pois só assim nunca dependerão do poder a controlar, única forma de garantir a sua independência.
E como a Constituição não prevê este sistema só resta alterá-la em conformidade, mas por uma equipa onde haja alguém que tenha conhecimentos sólidos de gestão e não apenas juristas.
Conclusão final: em teoria não há razão alguma para preferir candidatos exteriores aos partidos, exceto se estes estiverem tão desacreditados, que já não conseguem apresentar candidatos aceitáveis.
Moral da história: para o sistema democrático ser capaz de gerar candidatos eficientes e portanto credíveis, os partidos têm que rever rapidamente as suas formas de gestão interna tal como as empresas e os países que quiserem sobreviver e progredir.
Lisboa, 24 de Novembro de 2011
Publicado no DN em 16 de Dezembro de