Domingo, 11 de Fevereiro de 2018
A revolução mais importante que ainda falta comemorar

Um dos fatores que mais pesa quando se quer avaliar a importância de uma revolução é analisar o que aconteceria se o resultado dela fosse exatamente o contrário do que foi dos pontos de vista nacional e internacional.

Atualmente comemoramos três revoluções: 1 de dezembro de 1640, 5 de outubro de 1910 e 25 de abril de 1974.

Em 1640 se não tivéssemos recuperado a independência Portugal teria ficado a ser apenas uma região espanhola, a língua portuguesa teria diminuído ou até quase desaparecido e internacionalmente a Espanha ganharia poder em relação a França e Inglaterra com quem estava então em guerra.

Em 1910 a mudança de monarquia para república não teve consequências importantes do ponto de vista internacional e a gestão do nosso País não melhorou o suficiente para evitar o descalabro económico que veio a provocar a ditadura do Estado Novo e se tivessem ganhado os monárquicos muito provavelmente teria acontecido algo idêntico ao que aconteceu.

Em 1974 a mudança efetuada em condições idênticas a 1910, isto é, o poder foi mais perdido por quem o detinha que ganho por quem se revoltou, trouxe ao País a liberdade que não havia tanta e melhores relações internacionais mas, do ponto de vista de gestão, houve várias crises próximas da bancarrota que deterioraram a nossa independência e se se tivesse mantido o Estado Novo com algumas alterações provavelmente a evolução não seria muto diferente do que aconteceu mas com menos liberdade.

Ora na nossa História houve outra revolução, a de 1383-85, que merece ser analisada como se fez para as outras: tendo ganho o trono o Mestre de Avis apoiado principalmente pela burguesia ligada à atividade marítima foi desenvolvida a nossa Marinha, com toas as atividades que séculos mais tarde alguém chamou um “cluster”, que permitiu ter a frota mais poderosa e o maior conhecimento geográfico de toda a europa e assim realizar os descobrimentos que iniciaram a expansão europeia e o início da globalização e deixar de herança à dinastia seguinte o enorme potencial de riqueza que esta não soube aproveitar da melhor forma.

Mas se em vez do Mestre de Avis tivesse ficado o rei de Castela as consequências disso teriam sido enormes para Portugal e para todo o mundo pois a burguesia teria desaparecido, como desapareceu em Espanha, Portugal seria uma região como é a Andaluzia, a língua portuguesa desaparecia, não teria havido os descobrimentos como houve, e só haveria bastante mais tarde, afetando o próprio movimento do Renascimento, portanto com enorme influência na História do Mundo.

No entanto em Portugal ninguém parece conhecer estes factos que segundo julgo resultaram das políticas desenvolvidas pelo rei D. Manuel I e que até hoje foram desprezados por um País que tendo tido a sua época mais brilhante e produtiva baseada na sua Marinha continuaram esse desprezo até hoje, pois se assim não fosse já teria sido criado um feriado no dia 6 de abril que foi a data em que foi empossado o Mestre de Avis como Rei D. João I.

Lisboa, 11 de fevereiro de 2018

José Carlos Gonçalves Viana



publicado por JoseViana às 17:24
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