Em primeiro lugar há que aceitar que só se desenvolve um país com projetos concretos bem concebidos e bem geridos e não com discursos e teorias filosóficas e económicas. O melhor exemplo positivo para os portugueses foram os descobrimentos marítimos desde que não sejam descritos por historiadores ignorantes. E o melhor exemplo do efeito devastador da falta de projetos e de gestão eficiente foi a nossa história política em geral após 1500 e em particular neste período dos últimos trinta anos em que fomos conduzidos pelo bloco central, que conseguiu criar dívidas de centenas de milhares de milhões de euros e o País ficou à beira da bancarrota e sem independência, embora também com algumas culpas para os responsáveis pela condução da política europeia.
Então como sair desta situação?
No entanto apesar da gestão ruinosa iniciada pelo governo de Cavaco Silva, que passou da social-democracia para um neoliberalismo modelo Boliqueime, e continuada sem interrupções eficazes até agora, acabando nos últimos quatro anos com um neoliberalismo modelo Massamá, há sinais concretos de potenciais positivos na nossa sociedade mas com a dificuldade provocada principalmente pelo complexo anti capital introduzido durante a revolução pela extrema esquerda, cujo sonho era só haver capital do Estado como acontecia na União Soviética, embora esquecendo que isso era à custa de ausência de liberdade e que entretanto acabou.
É um facto que hoje há reservas obvias e justas quanto ao capital especulativo e quanto à falta de controle “superior” das suas movimentações com o objetivo único do lucro e do poder, e espero que esta perigosíssima situação seja corrigida devidamente e o mais rapidamente possível em todo o mundo, pois o desequilíbrio já existente quanto à excessiva concentração de capital especulativo augura grande probabilidade de catástrofes sociais de enorme dimensão.
Mas o capital a que me quero referir é o produtivo, para quem o lucro é indispensável quer por razões motivacionais e sociais quer ainda por ser essencial à sustentabilidade e ao progresso, pois é com ele que se cria a possibilidade da investigação e da inovação, e para o qual há a limitação natural da concorrência, desde que não sejam consentidos monopólios.
E para isso é forçoso existirem incentivos, como por exemplo, os lucros das empresas e/ou dos cidadãos aplicados em investimentos e/ou na aquisição de capital deverão ter reduções ou até isenções de IRS e/ou de IRC.
Além disto se há vários países europeus que apresentam condições mais vantajosas para os seus detentores de capital por que razão não tem Portugal condições idênticas que evitem a sua deslocação?
Mas o capital para ser responsável nunca pode ser anónimo. Todos os detentores do capital têm que ter um nome e uma morada de base. O anonimato favorece sempre mais o desonesto que o cumpridor da lei.
Ou esta solução de vender as nossas empresas mais representativas e mais essenciais à nossa independência é que é recomendável?
Sem esquecer que é essencial realizar a reforma do Estado passando para funções produtivas os muitos dependentes do OGE que estão espalhados por fundações, empresas públicas e autárquicas e que constituem as famigeradas gorduras do Estado que custam milhares de milhões de euros anuais e atrofiam o desenvolvimento da população produtiva.
E já agora acabar com os preconceitos inqualificáveis da Marinha de Recreio ser uma atividade fascista e a Marinha Comercial ser uma atividade colonialista e assim recuperarmos alguns milhares de postos de trabalho e parte da independência que perdemos depois de 74, e também abandonar uma atitude totalmente contrária à essência da formação de Portugal e do Português durante a primeira dinastia que originou a epopeia dos descobrimentos realizado pela Marinha Portuguesa.
Os próximos meses vão ser decisivos quanto o sucesso da mudança verificada na ação do PS pois ou consegue corrigir o rumo do bloco central e liderar a recuperação nacional desejada ou não, e então só lhe resta a queda e a substituição, por exemplo pelo CDS ou o Bloco de Esquerda se algum deles for capaz de encabeçar o desejável movimento de desenvolvimento fazendo crescer o capital produtivo e controlando rigorosamente a especulação e a corrupção anteriores e realizando a reforma do Estado sem o que não se pode esperar haver melhores dias.
Lisboa, 17 de fevereiro de 2016
José Carlos Gonçalves Viana