Do ponto de vista de gestão a História de Portugal divide-se em duas partes distintas: a primeira desde a fundação até à morte de D. João II durante a qual os responsáveis pelos destinos do País praticaram uma gestão pró-ativa e inclusiva, a segunda até hoje em que os responsáveis praticaram uma gestão reativa e extrativa o que explica o que aconteceu com os territórios herdados da primeira fase e com todos os enormes atrasos que fomos acumulando e agora com os acontecimentos dramáticos das consequências dos incêndios e da seca.
E digo consequências porque os problemas não advêm dos inevitáveis incêndios mas dos erros de gestão que originaram aqueles. E também pela deficiente análise dos factos que levou à demissão de uma Ministra mas de nenhum Autarca embora todos eles fossem igualmente responsáveis pela ineficácia da prevenção.
Portanto quando o Presidente da República na sua alocação do ano insistiu na necessidade imperiosa de mudança não posso deixar de pensar que se está a referir ao abandono imediato da gestão reativa e extrativa que a revolução de Abril não alterou e a adoção da gestão pró-ativa e inclusiva que deverá ser praticada não só pelo Governo mas por todos os Órgãos de Soberania, Autarquias e Partidos Políticos.
E não incluo os privados porque esses quando não gerem bem acabam falidos e se as exportações têm aumentado os problemas não estão aí.
Vamos pois estar atentos aos próximos dias porque mudanças como esta não se fazem com estudos demorados e grandes discursos mas com decisões certeiras e firmeza na aplicação.
Lisboa, 3 de janeiro de 2018
José Carlos Gonçalves Viana